Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Em luto, FCA divulga bons resultados financeiros do 1º semestre

Balanço | 25/07/2018 | 18h08

Em luto, FCA divulga bons resultados financeiros do 1º semestre

Companhia eleva o lucro e o faturamento ao mesmo tempo em que zera dívida, uma das promessas de Marchionne para o ano

SUELI REIS, AB

Era para ser diferente. No dia em que a FCA Fiat Chrysler agendou para divulgar seu balanço financeiro referente ao primeiro semestre de 2018 – com resultados bastante positivos – a empresa é obrigada a lidar com aquela que pode ser uma das piores notícias dos últimos anos: a morte do seu mais icônico CEO, Sergio Marchionne, na quarta-feira, 25, após complicações decorrentes de uma cirurgia (leia aqui). Os números revelados nesta data amarga pelo agora líder da companhia, Mike Manley (nomeado novo CEO no último sábado - leia aqui) e pelo diretor financeiro Robert Palmer, mostram a importância de seu legado.

“A notícia desta manhã é de cortar o coração. Não há dúvida de que Sergio era um homem único e muito especial e não há dúvida de que ele fará muita falta”, disse Mike Manley durante sua fala na apresentação do balanço financeiro da FCA.



“Antes de começar minha parte da apresentação, quero apenas repetir os comentários de Mike sobre o SM. Ele realmente era um ser humano único. Eu sou muito grato por ter trabalhado ao lado dele nos últimos 12 anos. Eu sei que o estilo dele teria sido claramente o de trabalhar, então eu gostaria de seguir adiante com a apresentação”, completou Robert Palmer.

A Fiat quase foi à falência e Marchionne, que assumiu o então Grupo Fiat em 2004, foi quem conseguiu liderar o processo para reerguer a companhia, dando à ela novo status no âmbito global automotivo, principalmente após a fusão com a Chrysler, coordenada por ele mesmo. Os números de sua era dizem tudo: o faturamento passou de € 47 bilhões em 2004 para € 141 bilhões em 2017, enquanto o prejuízo de € 1,5 bilhão também registrado em 2004 passou para um lucro líquido de mais de € 4,4 bilhões no ano passado.

Marchionne sabia que a trajetória de crescimento e lucro continuaria: no início de junho, durante entrevista coletiva na Itália para apresentação do novo plano quinquenal da companhia, de 2018 a 2022, ele havia mencionado que o bom desempenho que a FCA vem acumulando poderia fazer com que fechasse a primeira metade do ano com o caixa positivo (leia aqui). E assim se fez: os números divulgados pela empresa mostram que o quadro foi revertido: o que era uma dívida líquida de € 2,4 bilhões em dezembro de 2017 e que baixou para € 1,31 bilhão no fim de março foi liquidada, transformando-se em superávit de € 456 milhões no fim do primeiro semestre de 2018.

Embora o faturamento líquido tenha crescido 1% na primeira metade do ano quando no comparativo anual ao fechar em € 56 bilhões, o Ebit ajustado (lucro antes de impostos e despesas financeiras) recuou 4%, de € 3,4 bilhões para € 3,2 bilhões; enquanto o lucro líquido ajustado subiu 15%, superando os € 2,01 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses do ano.

Com isso, a FCA revisou alguns de seus índices para o ano: manteve sua previsão de lucro líquido ajustado em € 5 bilhões para 2018, mas reviu para baixo os resultados de receita líquida, que agora deve encerrar o exercício para algo entre € 115 bilhões e € 118 bilhões (projeção anterior previa € 125 bilhões). O Ebit ajustado também teve sua estimativa reduzida: era de € 8,7 bilhões e passou para algo entre € 7,5 bilhões e € 8 bilhões. Por fim, após liquidar sua dívida, a FCA, que calculava encerrar 2018 com caixa positivo de € 4 bilhões agora espera fechar o ano fiscal com € 3 bilhões em caixa.

Após a divulgação, as ações da empresa, que são cotadas nas bolsas de Nova York e de Milão, oscilaram: no pregão americano, a variação do dia teve queda de 11,8% com ação cotada a US$ 17. Na Europa, a ação fechou em queda de 15,5%, para € 13,99.

Por regiões, o resultado financeiro é relativo apenas ao segundo trimestre. Na América do Norte (Nafta), onde as vendas cresceram 17%, a receita líquida ascendeu para € 17,5 bilhões, um aumento de 9% no comparativo anual.

Na América Latina, o segundo trimestre também foi positivo para a FCA, que encerrou o período com vendas 14% maiores ao entregar 150 mil veículos. O faturamento cresceu 5%, para € 2,1 bilhões. Em seu relatório, a FCA destaca que no Brasil, alcançou participação de 18,4% do mercado e de 13,7% na Argentina. Segundo a empresa, o aumento da receita se deve ao aumento das exportações, ao mix de produtos e ao melhor índice de preços, fatores que parcialmente compensaram os efeitos negativos de conversão cambial. O Ebit ajustado para a região cresceu expressivos 68%, o que segundo a FCA, reflete o resultado maior da receita, que compensou em parte os custos, incluindo a greve dos caminhoneiros, custos com publicidade relacionada a veículos novos e também os efeitos negativos do câmbio desfavorável no Brasil.

Na região EMEA, que compreende Europa, África e Oriente Médio, o grupo teve receita líquida de € 6,3 bilhões, acréscimo de 5%, apesar de vendas praticamente estáveis. Por outro lado, o Ebit diminuiu 6%, para € 188 milhões. Já na APAC, região da Ásia-Pacífico, incluindo China, as marcas da FCA ainda encontram dificuldades: as vendas recuaram 34%, para 53 milhões de unidades, considerando também a joint venture no mercado chinês. As receitas caíram na mesma proporção, 33%, para € 652 bilhões. Com isso, a empresa registra prejuízo de € 98 milhões na Ásia.



Tags: FCA, balanço, dívida, faturamento, lucro, Sergio Marchionne, Mike Manley.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência