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Zen cresce acima da média com novos projetos e mais exportação
Linha de montagem de impulsores da Zen em Brusque (SC): crescimento acelerado

Autopeças | 21/07/2018 | 13h37

Zen cresce acima da média com novos projetos e mais exportação

Faturamento já avançou 25% no primeiro semestre e deve fechar o ano 20% maior

PEDRO KUTNEY | De Brusque (SC)

Com novos projetos e mais exportação, a catarinense Zen, fabricante de impulsores para motor de partida, polias e tensores, experimenta crescimento acima da média de mercado. Os mil empregados da fábrica de Brusque (SC) trabalham em três turnos para atender a expansão das vendas, que chega a 25% no primeiro semestre, comparado ao mesmo período de 2017. A expectativa é fechar o ano inteiro com faturamento 20% maior do que os R$ 200 milhões do exercício anterior – que já foi 8% mais alto que em 2016.

Presidente a Zen, Gilberto Heinzelmann explica que o crescimento mais acelerado é resultado da combinação de aumento da produção de veículos no País, ganhos de participação de mercado nacional e internacional com fornecimento de impulsores para três dos quatro maiores fabricantes globais de motores de partida (Bosch/SEG, Valeo e BorgWarner), expansão das exportações nas receitas em reais (pelo efeito cambial da valorização do dólar), além de novos produtos desenvolvidos dentro de casa que estão ampliando o horizonte de negócios, como polias de roda livre (OAP) que há um ano começaram a ser fornecidas às fabricantes de veículos acopladas aos alternadores da SEG (ex-Bosch), além de pinos impulsores para motores de partida de veículos com start-stop, também da SEG.

Estão sendo colhidos resultados de investimentos certeiros em modernização industrial e engenharia, que consomem 10% do faturamento anual da Zen, 5% direcionados ao desenvolvimento próprio de produtos. Com isso, a pequena fábrica fundada nos anos 1960 pelos irmãos Nelson e Hylário Zen ganhou peso de competidor internacional diante de gigantes multinacionais do setor.

“Muitas empresas do setor não conseguem dar o passo adiante de passar do mercado de reposição para fornecer ao OEM (original) porque não têm domínio de tecnologia. Sem isso não se tornam uma opção viável para montadoras ou seus fornecedores diretos. A Zen conseguiu dar esse passo porque investe na engenharia própria e manufatura, para oferecer opções mais vantajosas aos clientes”, avalia Heinzelmann.



Hoje a Zen fornece um terço dos componentes que produz diretamente a fabricantes de equipamentos originais (OEM) – que vão para linhas de montagem de veículos no Brasil e exterior – e mais da metade do faturamento (53%) vem das exportações para cerca de 60 países. “Fornecer aos OEM globalmente é um desafio que eleva nossa qualidade e produtividade, o que também ajuda a melhorar a reputação na reposição. Essa combinação nos mantém mais competitivos em todos os mercados por méritos e não por proteções tarifárias ou cambiais”, afirma Heinzelmann.

A Zen tem em carteira mais de 15 clientes globais OEM, incluindo alguns na China e Índia, países que usualmente superam em custo empresas brasileiras. A presença internacional está crescendo, a empresa mantém escritórios comerciais próprios nos Estados Unidos e Alemanha, além de armazéns em Detroit e Miami (EUA) e Hong Kong. Até o fim deste ano deverá iniciar operações de produção na China, em sociedade que ainda está em negociação.

PRODUÇÃO VERTICAL


O domínio tecnológico da Zen também é expresso na verticalização da produção na planta de 40 mil metros quadrados cobertos em Brusque, que começa no laboratório de desenvolvimento, passa pela ferramentaria própria e prossegue em um intenso parque de transformação de aços longos (o principal insumo, fornecido pela Gerdau) que envolve mais de 20 prensas de conformação a frio, 250 máquinas de usinagem (CNC), 13 injetoras de plástico e 10 linhas de montagem para produzir uma longa lista de 1,6 mil componentes (part numbers).

“Escolhemos abrigar a maioria dos processos aqui dentro, em vez de comprar de fornecedores itens prontos, porque assim temos controle total da qualidade dos componentes que produzimos, é isso que garante competitividade internacional para fornecer ao OEM”, explica o diretor industrial Eduardo Bertolini.


Vista aérea da planta da Zen em Brusque: 120 mil m2, com 40 mil m2 de área industrial coberta para produzir 1,6 mil itens

FORÇA DA ENGENHARIA PRÓPRIA


Exemplo número um do “passo adiante” para se transformar em fornecedor OEM global foi o desenvolvimento da polia de roda livre (OAP), cada vez mais empregada nos alternadores – a configuração com rolamento interno reduz ruído, vibrações e arrasto do motor, o que diminui consumo de combustível e aumenta a durabilidade dos componentes. A engenharia da Zen conseguiu projetar sua OAP com características próprias, oferecendo pela primeira vez uma opção ao domínio de anos do grupo alemão Schaeffler, até então o único fornecedor OEM do componente. Há 13 anos a Zen entrou no mercado de reposição com sua OAP e desde o ano passado começou a fornecer também à Bosch/SEG como equipamento original (leia aqui).

A Zen já produz perto de 100 mil OAP/mês, incluindo o fornecimento OEM e mercado de reposição, que também tem clientes industriais que compram o componente fabricado pela empresa catarinense e o colocam à venda com marca própria, como é o caso da Hella atualmente que adquire da Zen a polia que distribui.

O mesmo acontece com os 100 mil tensores de correia produzidos por mês em Brusque, 50% deles vendidos pela Zen em kits de reparo com sua marca e outra metade fornecida à Continental.

“Fornecer a empresas globais OEM ou que colocam a marca deles no componente que fazemos nos torna mais competitivos, pois é prova do alto padrão de qualidade que alcançamos”, destaca o diretor de vendas e marketing David Catasiner.




Os principais produtos desenvolvidos pela Zen (da esquerda para a direita): impulsores para motores de partida, polias de roda livre OAP para alternadores, polias de roda livre com amortecimento OAD e tensores de correia

Há quatro anos um segundo passo adiante da engenharia da Zen foi dado com o desenvolvimento da polia de roda livre com amortecimento torcional (OAD), uma evolução da OAP que custa o dobro, mas reduz ainda mais ruído, vibração, atrito e consumo, por isso especialmente indicada de motores diesel e três-cilindros. O componente de alternador começa a ganhar volumes cada vez maiores de exportação aos Estados Unidos e Europa (leia aqui), inclusive como equipamento original (OEM). Com uma solução mais barata, desta vez a Zen quebra o monopólio da canadense Litens, até então única fornecedora global da OAD.

Com quase 550 mil unidades produzidas por mês, com fornecimento meio-a-meio OEM e reposição, os impulsores de partida continuam sendo o carro-chefe da Zen, com 64% das vendas, enquanto polias de roda livre respondem por 14%, os tensores por 11% e outros componentes de menor escala (como anéis de pulso para ABS e peças internas de impulsores) têm parcela de outros 11% nas receitas.

“Há pouco tempo os impulsores eram mais de 70% do faturamento, e os pedidos continuam crescendo, mas a participação porcentual está caindo porque estamos vendendo mais de outros componentes”, explica Catasiner, que prevê “boas oportunidades” surgindo no horizonte com as polias OAP e OAD – para esta última a estimativa é mais que dobrar os volumes até o fim do próximo ano.

IMPULSO DO START-STOP AOS IMPULSORES


“A vantagem de ser uma empresa de capital 100% nacional de dona de sua própria engenharia é que as decisões sobre o que e quanto produzir podem ser tomadas com agilidade, sem depender de matrizes no exterior”, acrescenta o executivo francês, ele mesmo um ex-cliente da Zen quando trabalhou na Bosch.

Exemplo disso é a ampliação no fornecimento de novos impulsores para motores de partida de sistemas start-stop, que têm maior exigência de durabilidade e tolerâncias muito restritas – enquanto um motor de arranque normal é feito para suportar perto de 40 mil partidas, o start-stop precisa alcançar mais de 300 mil ciclos e a nova geração do sistema chega a 600 mil. Por isso a Zen precisou desenvolver novos processos e comprar máquinas de alta precisão para produzir o componente, no momento 100% exportado à Bosch/SEG na Europa.

Com o crescimento da aplicação do start-stop também no Brasil, a Zen já negocia o fornecimento local dos superimpulsores, mas a maior demanda deve continuar sendo do exterior. Segundo Catasiner, na Europa o sistema que desliga o motor quando o carro para já está presente em 70% dos automóveis novos vendidos, enquanto no mercado brasileiro mal alcança 10%, a maioria em modelos importados. Mas a estimativa é que esse porcentual chegue a 40% em cinco a seis anos, principalmente para alcançar metas de eficiência energética mais apertadas já previstas no Rota 2030.

“A Zen nunca precisou de incentivos para investir em desenvolvimento, como fizemos nos últimos anos, mas o recém-aprovado Rota 2030 traz pela primeira vez apoio a pesquisa e desenvolvimento do setor de autopeças. Vamos estudar como usar os benefícios do programa para continuar a evoluir com engenharia própria”, afirma Catasiner.



Tags: Zen, autopeças, indústria, impulsor de partida, polia de roda livre, tensores, Brusque.

Comentários

  • robsonluiz de oliveira

    Muitobom saber que uma Empresa Brasileira consegue como a Zen,crescer driblandos as dificuldes financeiras e politicas em que o Páis atravessa ! A Zen mantem assim o emprego e o bem -estar Social de seus Funcionários !!!

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