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Com greve dos caminhoneiros, setor deixa de vender 25,1 mil veículos em maio
Antonio Megale, presidente da Anfavea, comenta os impactos da greve dos caminhoneiros no mercado automotivo em maio

Mercado | 06/06/2018 | 18h10

Com greve dos caminhoneiros, setor deixa de vender 25,1 mil veículos em maio

Anfavea esperava encerrar o mês com 227 mil emplacamentos, mas resultado fica abaixo de 202 mil

SUELI REIS, AB

Com o encerramento de maio, a Anfavea, associação que reúne as fabricantes de veículos, começa a contabilizar os efeitos deixados pela greve dos caminhoneiros, que começou no dia 21 e se estendeu até meados da última semana do mês. Assim como outros setores da economia, o automotivo foi impactado pelo movimento, resultando em vendas de veículos abaixo do esperado para o período.



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“Era para termos emplacado 227 mil veículos em maio, o que não ocorreu devido a greve dos caminhoneiros”, lamenta o presidente da entidade, Antonio Megale, durante a apresentação dos resultados da indústria em coletiva realizada em São Paulo, na quarta-feira, 6.

Os números do mês mostram que a venda diária diminuiu na semana que iniciou no dia 21, quando a greve começou: a média ficou em 9,2 mil unidades por dia útil contra 9,9 mil nos dias úteis da semana anterior, entre 14 e 18 de maio. A Anfavea lembra que, geralmente, o início de cada mês é mais lento e aos poucos as vendas vão ganhando ritmo maior, no entanto esta lógica fugiu dos padrões em maio. Além disso, há outras variantes: vale lembrar que o último dia do mês passado foi um feriado nacional, o que diminui ainda mais o movimento do mercado.

Com isso, o resultado de emplacados no mês ficou em 201,8 mil, cerca de 25,1 mil unidades a menos do que o previsto pela indústria, considerando a soma de veículos leves e pesados. Com isso, o volume de maio foi 7,1% menor que o de abril, quando o mercado absorveu 217,3 mil unidades novas: os dois meses tiveram o mesmo de número de dias úteis (21). Já na comparação com maio de 2017, houve crescimento de 3,2%.

Megale explica que as empresas esperavam um crescimento bastante forte para o primeiro semestre, mas a paralisação que acabou envolvendo todo o País atrapalhou o andamento dos negócios. No entanto, a Anfavea preferiu manter as projeções de vendas para o ano, pelo menos por enquanto: em janeiro, as fabricantes disseram que para 2018, as vendas de veículos devem alcançar a casa das 2,5 milhões, o que representaria um aumento de 11% sobre o resultado feito em 2017, de 2,24 milhões. Segundo o dirigente, a entidade deve rever as previsões após o fechamento do primeiro semestre.

Isso porque a greve não afetou o resultado do acumulado do ano, que continua positivo: de janeiro a maio, os emplacamentos já são 17% do que iguais meses do ano passado, ao somar mais de 964,7 mil unidades, entre leves e pesados. No entanto, embora as fabricantes considerem este como um ano de recuperação e crescimento, o mercado ainda não atingiu a média de vendas para o período, que é de 1,2 milhão de unidades. O histórico dos resultados mostram que este é o terceiro pior janeiro a maio dos últimos 10 anos.

“Não fizemos a conta para averiguar as perdas em valores causadas pela greve. No caso do mercado, precisa avaliar se os consumidores deixaram de comprar naquele momento, se decidiram adiar a compra, porque este é o tipo de fato que cria uma instabilidade na confiança”, comenta Megale. “Hoje, ainda não temos essa contabilização, porque temos grande expectativa de recuperação nos próximos meses”.

O executivo afirma que a indústria já observa uma normalização das atividades nesta semana pós-greve e que os carros voltaram a chegar nas concessionárias. “O nível de emplacamentos em junho já melhorou: registramos 10 mil e 9,5 mil na segunda e terça. Este será um mês de gradual volta à normalidade, com mais clareza da situação em mais alguns dias”, completa.

Assista ao balanço dos resultados da Anfavea:



Tags: Greve, caminhoneiros, Anfavea, vendas.

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