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Produção de veículos registra primeira retração em 18 meses

Indústria | 06/06/2018 | 17h57

Produção de veículos registra primeira retração em 18 meses

Afetadas pela greve dos caminhoneiros, fábricas levarão três meses para compensar volumes

GIOVANNA RIATO, AB

Os 11 dias de greve dos caminhoneiros no fim de maio terão efeito pelos próximos três meses na indústria automotiva. Este será o tempo necessário para que as fábricas compensem a produção perdida por falta de peças e componentes, segundo a Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos instalados no Brasil. “Todas as montadoras interromperam completamente as suas operações por cerca de sete dias e voltaram a trabalhar já na última segunda-feira, 4, logo depois da paralisação”, conta Antonio Megale, presidente da entidade. Com a interrupção, a produção de veículos teve em maio sua primeira retração após 18 meses consecutivos de crescimento, com baixa de 15,3% em relação ao mesmo período de 2017.



- Faça aqui o download dos dados da Anfavea
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Com 212,2 mil unidades fabricadas, o volume de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus fabricados em maio foi menor também do que o registrado em abril deste ano, com redução de 20,2%. A Anfavea calcula que o setor tenha deixado de produzir de 70 mil a 80 mil veículos por causa da greve dos caminhoneiros. Segundo Megale, cada organização está retomando as atividades em um ritmo, já que o fornecimento de componentes tem recomposição gradativa.




NO ANO, PRODUÇÃO VAI PASSAR DE 3 MILHÕES


O importante, aponta, é que as companhias têm flexibilidade para acelerar a produção a partir de agora e recuperar os volumes perdidos com horas extras e trabalho aos sábados, por exemplo. “Vai depender da demanda do mercado, mas o viés é positivo. Devemos terminar o ano com produção superior a 3 milhões de unidades, uma performance bem expressiva”, diz, sustentando a projeção da entidade de que as fábricas brasileiras farão em 2018 volume 13,2% superior ao registrado em 2017.

Ainda que o resultado de maio tenha sido negativo, no acumulado dos cinco meses do ano a performance foi 12,1% melhor do que a de igual período do ano passado, com 1,17 milhão de veículos produzidos. O segmento de ônibus teve o maior avanço, de 55% para 11,9 mil chassis. Já os fabricantes de caminhões melhoraram em 40,1% o resultado, com 40,9 mil unidades. As montadoras de veículos leves aceleraram o ritmo em 11% e fizeram 1,12 milhão de veículos.

Megale lembra que a paralisação atrapalhou tanto o abastecimento de autopeças e componentes nas plantas quanto o escoamento dos veículos fabricados para as concessionárias. Por isso, o nível de estoques não sofreu baixa tão expressiva e encerrou maio com 207,2 mil unidades, o suficiente para 31 dias de vendas no ritmo daquele mês.

O nível de emprego nas montadoras teve leve aumento com a contratação de um total de 616 trabalhadores. Ao longo do ano o número de pessoas admitidas por montadoras no Brasil cresceu 4,2%, chegando a total de 132,3 mil funcionários. Medidas como layoffs, suspensão temporária do contrato de trabalho e PSE (Programa Seguro-Emprego) parecem ser cada vez menos necessárias. Apenas 1,6 mil pessoas permanecem com suas rotinas de trabalho afetadas por uma destas condições – este número já passou de 20 mil profissionais em períodos de crise mais aguda.



Assista ao balanço dos resultados da Anfavea:



Tags: produção de veículos, Anfavea, greve, caminhoneiros, resultados, indústria, fábricas.

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