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Retração argentina ameaça recorde de exportação

Indústria | 07/05/2018 | 18h05

Retração argentina ameaça recorde de exportação

Vendas externas seguem em alta, mas país vizinho é responsável por 75% das compras

PEDRO KUTNEY, AB

As exportações de veículos seguem na direção de bater o recorde no ano passado, mas a retração que começa a se desenhar na Argentina ameaça turvar esse horizonte, já que o país vizinho responsável por 75% das vendas externas brasileiras. Para combater a inflação crescente e desvalorização da moeda, o governo argentino elevou os juros da economia, o que poderá encarecer financiamentos e reduzir o apetite de consumo.

“Ainda é cedo para dizer o quanto a situação na Argentina vai impactar as nossas exportações, mas é preocupante essa volatilidade no nosso maior mercado externo. Ainda não tivemos nenhum cancelamento de pedidos, precisamos esperar uns dois meses para ver como fica o cenário”, avalia Antonio Megale, presidente da Anfavea.



Enquanto isso, os resultados apresentados até agora são os melhores possíveis. Segundo dados dos fabricantes associados à Anfavea divulgados na segunda-feira, 7, de janeiro a abril as exportações somaram 253,3 mil unidades, em alta de 7,5% sobre o mesmo período do ano passado – que foi recorde com 766 mil veículos exportados. “Para 2018 continuamos a esperar por resultado acima de 800 mil unidades, que será um novo recorde”, destaca Megale.



O mês passado, com 73 mil embarques contabilizados e alta de 19,5% sobre 2017, foi o melhor abril da história e o segundo melhor mês de exportação de todos os tempos.





- Faça aqui o download dos dados da Anfavea
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Este ano as exportações brasileiras de veículos já estão 100 mil unidades acima da média histórica de 153 mil anotada no primeiro quadrimestre dos últimos 10 anos. De janeiro a abril o volume de vendas externas corresponde a 26,2% da produção.

Em valores, no primeiro quadrimestre os fabricantes de veículos faturaram US$ 5,76 bilhões com as vendas externas de veículos completos, partes e componentes. O valor é 26% superior ao registrado no mesmo período de 2018. Do total, US$ 1,7 bilhão foram vendidos só em abril, nível 37% maior que o verificado em igual mês do ano passado.

PRODUTO MELHOR



Megale credita o bom desempenho das exportações ao maior foco que as empresas fabricantes deram ao mercado externo, “que tinha ficado esquecido em anos recentes”. Ele também destaca o aumento do nível tecnológico dos produtos trazido pelas exigências do regime automotivo, o Inovar Auto, que vigorou de 2013 a 2017.

“O Inovar-Auto elevou nosso nível tecnológico, o que nos permite competir em mais mercados internacionais”, disse Megale.



Ele defende a integração regional para o setor conquistar maior relevância internacional. “Temos de trabalhar para incluir o setor automotivo no Mercosul, com livre comércio, especificações comuns e regulamentação técnica única. Se quisermos ocupar uma posição importante na indústria automotiva mundial, temos de pensar em uma região integrada com produção complementar entre os países”, afirma Megale. “Não tem sentido negociar um acordo de livre comércio com a União Europeia e não ter isso no Mercosul”, pontua.

Apesar do crescimento recorde das vendas externas, o Brasil segue altamente dependente da Argentina, que fica atualmente com dois terços (75%) das exportações brasileiras de veículos. Os outros países compradores têm mercados menores e participam com porcentuais muito baixos: México 7%, Chile 5%, Uruguai 4% e Colômbia 3%. A Anfavea espera por novo impulso com a conclusão de mais acordos comerciais.



Tags: Exportação, Anfavea, Argentina, vendas externas, recorde, projeção.

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