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Indústria | 23/04/2018 | 19h16

Fábricas premium podem fechar sem regime especial

Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz pedem Rota 2030 com isenção para importar peças

PEDRO KUTNEY, AB

Os quatro fabricantes de carros premium que instalaram fábricas no Brasil nos últimos anos pedem ao governo um regime especial de operação, ou poderão fechar essas unidades industriais. A principal demanda é a redução ou mesmo isenção do imposto de importação de peças para continuar montando esses veículos no País, pois a atual escala de produção não atrai fornecedores locais e torna mais cara a fabricação nacional com componentes importados.

O regime especial para esses fabricantes estaria contemplado no Rota 2030, programa de desenvolvimento do setor automotivo nacional que os fabricantes esperam ver aprovado ainda esta semana, após quase um ano de discussões e muitos adiamentos por desentendimentos entre os ministérios da Indústria, Fazenda e Presidência da República. Nesta terça-feira, 24, todos os presidentes de fabricantes de veículos instalados no Brasil têm reunião agendada em Brasília com ministros e o mandatário da República. Eles esperam que finalmente seja anunciada uma data para implantação do Rota 2030.

“Sem o Rota 2030 e uma regulação especial [para carros premium] será difícil continuar a produzir no Brasil com baixa escala de produção. Hoje, após o fim do Inovar-Auto, já é mais barato importar o carro pronto”, sinaliza Johannes Roscheck, presidente da Audi Brasil.



Roscheck, pronto para ir a Brasília nesta terça-feira, explica que o Inovar-Auto, que vigorou de 2013 a 2017, tornava possível a fabricação de baixa escala porque sobretaxava as importações de carros e exigia níveis mínimos de compras e operações industriais no País. Com isso, quem quisesse crescer no mercado brasileiro de veículos precisava, necessariamente, ter fábrica nacional.

Por isso Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz investiram juntas cerca de € 800 milhões para instalar linhas de montagem no Brasil, que entraram em operação entre 2014 e 2016. Com o fim do Inovar-Auto e a retração acentuada do mercado doméstico, perdeu-se qualquer benefício em se produzir no País com baixos volumes. No ano passado, nenhum dos quatro fabricantes atingiu sequer a metade da capacidade de produção instalada.

Em 2017 Audi montou apenas 6 mil unidades do A3 Sedan e Q3, cerca de um terço da capacidade total da linha em São José dos Pinhais (PR), que divide com a Volkswagen. “O mercado encolheu e a escala é muito baixa. Sem um programa específico para esse tipo de operação, a tendência no futuro é fechar”, admite Roscheck. “Mas não queremos isso, seria muito ruim parar de produzir aqui de novo”, acrescenta, em referência ao período de 1999 a 2006, quando a Audi produziu o A3 na mesma planta do Paraná.

Roscheck confirma que a principal demanda dos fabricantes de modelos premium para continuar a produzir no Brasil é a isenção ou desconto no imposto de importação de peças, que não têm fornecedores locais e com o câmbio no atual nível torna a operação muito cara. “É uma maneira de reduzir os custos de produção aqui”, diz.

“Outra política importante é criar de um mercado regional de exportação na América Latina, isso ajudaria a aumentar a produção. Hoje só vendemos no Brasil os carros produzidos aqui, porque o custo é alto e não há regras comuns entre os países. No Chile, por exemplo, é mais barato importar da Alemanha do que do Brasil”, lamenta o executivo.



Tags: Rota 2030, Inovar-Auto, Audi, BMW, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz, autopeças, produção, indústria.

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