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Compras das montadoras devem crescer de 15% a 20% este ano

Insumos | 16/04/2018 | 19h4

Compras das montadoras devem crescer de 15% a 20% este ano

Mas relação com fornecedores pede criatividade para redução de custos e desenvolvimento de novos componentes

SERGIO QUINTANILHA, PARA AB

O reaquecimento na produção de automóveis no País está fazendo os departamentos de compras das montadoras refazerem para cima o orçamento deste ano. O movimento foi confirmado por todos os fabricantes que participaram do painel sobre sobre acadeia de suprimentos do setor do IX Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business no WTC, em São Paulo.

As compras devem ter crescimento entre 15% e 20%, segundo os executivos que participaram do painel: Carlo Martorano (CNH Industrial/Iveco), Celso Simomura (Toyota), Ivan Witt (Caoa) e Roger Dias (FCA), com mediação do jornalista Pedro Kutney.

Em 2017, a indústria de autopeças vendeu às montadoras cerca de R$ 48 bilhões. Para este ano a previsão do Sindipeças é que os negócios fiquem em torno de R$ 55 bilhões. Os executivos foram unânimes ao afirmar que as compras aumentarão. Martorano disse que as fábricas da CNH e Iveco farão compras de cerca de R$ 3,5 bilhões: “Estamos falando de um crescimento de 15 a 17%.”

Simomura, da Toyota, revelou que no ano passado já houve crescimento de 23% e a previsão para 2018 é de 15% adicionais. “Nosso grande desafio é a nacionalização”, afirma o executivo. “Nossa planta de Porto Feliz contribuiu bastante para o crescimento de compras locais, pois produz os motores do Etios.” Segundo o executivo, entre outras adições de tecnologia, o modelo está ganhando controle eletrônico de estabilidade comprado de fornecedor no País, o que também ajuda a elevar a localização.

Representando o Grupo Caoa, que produz carros da Hyundai em Anápolis (GO) e da Chery em Jacareí (SP), Ivan Witt disse que o crescimento nas compras do grupo será de 30% com a chegada da Chery à administração. Ele comenta que a Caoa tem atualmente 170 concessionárias e está abrindo mais 30 somente para a Chery. Assim, a marca chinesa será responsável por 30% das compras.

Quanto à FCA, apesar da grande ociosidade da fábrica de Betim (MG), também comprará em grandes volumes, principalmente porque a planta de Goiana (PE) já opera em três turnos. Este ano a FCA deve totalizar R$ 18 bilhões em compras, com avanço de 15% a 20%.

FIM DO INOVAR-AUTO


Os quatro executivos também falaram sobre o fim do Inovar-Auto e a indefinição do programa Rota 2030. Para Roger Dias, da FCA, o Inovar-Auto teve grande influência nas compras, pois exigia investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ele, a indefinição momentânea sobre a nova política industrial para o setor prejudica o ritmo dos negócios. Witt, da Caoa, disse que o fim do Inovar-Auto desobrigou as montadoras a ter parceiros nacionais. Por isso, em muitos casos, o grupo está buscando fornecedores na China “porque o custo final do produto é menor, apesar do frete”.

Ele espera que o Rota 2030 seja definido logo. “É melhor trabalhar com o mercado onde se vende”, afirmou, por questões de segurança cambial e logística.

Martorano, da CNH/Iveco, lembrou que o Inovar-Auto foi importante porque o Brasil “passou a exportar tecnologia para alguns países”. Ele enfatizou essa questão, pois acredita que o País pode e deve ser mais criativo na busca da redução dos custos de produção. “Ainda estamos com o dogma de que para robotizar é preciso grande volume, mas nem sempre é assim”, observou.

FUNDO DE INVESTIMENTO


Quanto à criação de um futuro fundo de apoio ao desenvolvimento da indústria local de autopeças, uma das propostas aventadas pelo Rota 2030, os executivos foram unânimes em dizer que não aprovam. “Há necessidade, pois alguns fornecedores estão em dificuldade”, disse Simomura, da Toyota. “Mas é preciso fazer de forma que não aumente o custo. Dentro da Toyota temos o TPS, Toyota Production System, que permite que ajudemos os nossos fornecedores sem ser da forma monetária.” Witt, do Grupo Caoa, disse que a montadora enfrenta as mesmas dificuldades de financiamento dos fornecedores nacionais. “Não temos alguém no exterior para pedir ajuda financeira”, lembra. “Nossa parceria com a Chery não vai até o ponto de pedir dinheiro emprestado. Por isso preferimos investir em fornecedores estratégicos do que colocar dinheiro num fundo, que não sabemos como será administrado.”

Roger Dias, da FCA, concorda: “É fato que temos fornecedores em situação financeira complicada. A melhor opção é que cada montadora faça essa gestão e atue melhor onde tem necessidade. Um fundo comum é complicado.”

Witt, da Caoa, também fez questão de dizer que o setor precisa falar claramente com os sindicatos de que o perfil do empregado está mudando. “Não tem como incluir robôs na linha de produção sem impactar na mão de obra, que precisa estar mais qualificada”, disse. “Estamos há muitos anos falando na questão tributária, mas ela não muda nunca. Então precisamos tomar decisões concretas de redução de custo e isso passa pela automação.”

PROXIMIDADE COM FORNECEDORES


No fim do painel, os executivos disseram que existe muita pressão de preços e por isso, a criatividade na busca de redução de custos continua sendo um diferencial. Mas que as oportunidades estão abertas para a indústria de autopeças. Simomura, da Toyota, disse que a chegada do novo modelo Yaris trouxe sete novos fornecedores de peças e componentes para a marca, além dos 72 que já tinha.

“Mais fornecedores estão chegando porque o Yaris está aumentando nosso nível de nacionalização”, revelou. Ele até deu uma dica à plateia: “Estamos procurando novos parceiros para a questão de tecnologia do Yaris”.

O crescimento da indústria está criando o que Martorano, da Iveco, chamou de “problema bom”. O executivo revelou que o aumento de 30% na procura de caminhões fez a Iveco buscar fornecedores duas cadeias de produção abaixo nos Estados Unidos. “Por isso precisamos estar mais próximos da nossa cadeia, comunicar melhor e revisar semanalmente.”

Já a fábrica da FCA em Pernambuco está produzindo 930 carros/dia e só os 16 fornecedores levados para dentro do parque industrial podem não dar conta, pois atendem 60% da necessidade. “Nosso desafio agora é levar fornecedores não para dentro do parque, mas para áreas ao redor dele, dentro de Pernambuco”, disse Roger Dias.

Para Celso Simomura, a proximidade com a indústria de autopeças é uma necessidade vital para a Toyota, pois a empresa prega a produção just-in-time não só para ela, mas também para os fornecedores. “Na fábrica de Sorocaba, que produz o Etios, tivemos um ganho logístico enorme, pois 80% do volume de peças está ali. Além disso, dos 11 fornecedores que temos em Sorocaba, quatro fornecem também para a fábrica de Indaiatuba (onde é feito o Corolla)”, revelou.

Foi essa filosofia que levou a FCA a investir R$ 22 bilhões de 2012 para cá nas plantas de Goiana e Betim. “Hoje temos necessidade de envolver os fornecedores numa fase muito inicial do projeto”, comentou Dias.

No encerramento do painel, os executivos falaram sobre possíveis pressões de preço. Martorano, da CNH/Iveco, disse que “a pressão de preço continua muito forte”. Por isso, ele defende que a indústria de autopeças “desafie o status quo”, ou seja, que pense em novas alternativas. Simomura, da Toyota, disse que a proximidade com os fornecedores permitiu que 67% das propostas de engenharia dos fornecedores fossem implementadas e, por isso, a montadora conseguiu reduzir seus custos. Witt, da Caoa, afirmou que tem “pressão das commodities” e que “às vezes, o mais fácil é cortar o fornecedor”. Dias, da FCA, concorda que a pressão também é pelas commodities.

Tags: Iveco, Toyota, Caoa, FCA, Carlo Martorano, Celso Simomura, Roger Dias, Ivan Witt, Chery, robôs, compras, IX Fórum da Indústria Automobilística.


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