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Caoa Chery será marca brasileira de carro chinês
Andrade e Chen na frente do Tiggo2, o primeiro a carregar a marca Caoa Chery: produção brasileira de carros chineses

Negócios | 29/03/2018 | 16h00

Caoa Chery será marca brasileira de carro chinês

Grupo Caoa começa a reestruturar operação com produção de mais modelos

PEDRO KUTNEY, AB

Empresa nascida no ano passado da fusão do Grupo Caoa com as operações brasileiras da chinesa Chery (leia mais aqui), a Caoa Chery começou a mostrar a que veio com o lançamento do primeiro carro produzido sob o guarda-chuva da sociedade sino-brasileira, o Tiggo2 apresentado na quarta-feira, 28 (leia mais aqui). A ideia é lançar produtos novos e mais atraentes, especialmente no segmento de SUVs, o que mais cresce, e assim conquistar gradativamente porções crescentes de mercado, 0,6% este ano (cerca de 15 mil unidades), chegar a 2% em 2020 e 5% até 2023. São porcentuais pequenos, mas que representam expressiva recuperação, tendo em vista que a Chery emplacou apenas 3,7 mil carros em 2017 e ficou com market share de 0,17%.

Os projetos dos veículos são chineses, mas a administração é do grupo brasileiro e Carlos Alberto de Oliveira Andrade (o nome completo por trás da sigla Caoa) não esconde sua ambição maior de fazer de seu novo empreendimento uma marca brasileira de automóveis.

“Temos 50% da empresa, mas a indústria é 100% nacional. Nunca tivemos isso antes, é a grande chance de ter uma marca brasileira de automóveis. Vou investir tudo que for necessário para tornar esse sonho realidade. Não é pelo dinheiro, mas por uma realização”, disse Andrade.



O empresário fez uma rara aparição e discurso diante de jornalistas durante o lançamento do Tiggo2, pela primeira vez no Brasil ao lado dos dois principais executivos da Chery, o CEO Anning Chen e o presidente de operações internacionais Pan Yanlong. Andrade aproveitou para apresentar a nova marca e suas ambições: “Com a Caoa tenho certeza que a Chery terá uma marca forte para ocupar importante colocação no mercado brasileiro”.

“A Chery quer se globalizar. Para isso precisa de bons produtos e boa distribuição. Já desenvolvemos bons carros, temos muitas opções. Agora com a experiência da Caoa vamos fortalecer nossa posição no País. É um momento importante. O mercado brasileiro está crescendo de novo e será fundamental para nossa expansão internacional”, afirmou Anning Chen, o CEO da Chery. O executivo chinês lembrou que mesmo antes da parceria a montadora sempre teve grandes expectativas com o Brasil, por isso nunca cogitou sair do mercado brasileiro e manteve os investimentos que incluíram a fábrica de Jacareí. “Isso não mudou”, reforçou.

Ungido pelo mercado como um dos maiores construtores de marcas automotivas no País, Andrade atualmente é o maior concessionário da Ford, Subaru, Hyundai e agora Caoa Chery. Ele afirma que já foi (e continua sendo) procurado por muitos fabricantes de veículos que querem compartilhar sua considerável força de vendas. “Há dois anos fomos procurados pela Chery que nos fez a proposta de representa-los no Brasil. O que me convenceu a aceitar o negócio foi a força estatal da companhia. O presidente chinês Xi Jinping em pessoa está empenhando em fazer a indústria do país se desenvolver internacionalmente, principalmente nos BRICS. Isso tornou possível essa associação”, conta Andrade.

O empresário garante que o negócio não causou nenhum ruído em sua antiga parceria com a Hyundai. Além de ser o maior distribuidor de carros da marca coreana no País, também é importador exclusivo e fabrica veículos Hyundai sob licença há 10 anos em sua fábrica própria de Anápolis (GO) – que este ano também começará a produzir dois Caoa Chery, que serão montados em linhas separadas e usarão a mesma cabine de pintura. “Não houve problema algum. A Hyundai até se aproximou mais de nós, porque é algo bom para parceiros que querem crescer juntos. E já existem outros nos procurando”, revela Andrade.

GESTÃO CAOA



Embora sejam oficialmente sócios em partes iguais, fica claro que os chineses entregaram a gestão do dia-a-dia do negócio ao grupo brasileiro, a começar pela nomeação do novo CEO da Caoa Chery, Marcio Alfonso, que já atuava como diretor de engenharia da Caoa. Alfonso tem grande experiência na administração de fábricas. Ele e Mauro Correia, atual CEO do Grupo Caoa, estiveram entre os coordenadores da equipe que construiu a planta da Ford em Camaçari (BA). “Os projetos da Chery serão desenvolvidos para o Brasil, com tecnologia chinesa e cooperação da nossa engenharia, que é tão boa quanto a deles na China”, diz Andrade.

“Somo sócios em partes iguais e a indicação de Márcio Alfonso para a direção da Caoa Chery é uma demonstração da nossa confiança nessa parceria. Mas será uma gestão compartilhada”, afirma o CEO Chen. Pelo lado da Caoa, Mauro Correia acrescenta: “Temos um conselho de administração misto, com três membros da Caoa e três da Chery. Mas o quadro de empregados é diversificado, na fábrica de Jacareí tem chineses e brasileiros que já estavam na operação antes (da fusão), agora teremos mais pessoas da Caoa. Preocupação não é com quem lidera, mas alcançar bons resultados para ambas as partes”, diz.

“Nosso objetivo é trazer nossas plataformas e tecnologias disponíveis, para transformar a Caoa Chery em uma marca de prestígio. Essa parceria é como colocar asas em um tigre, ao unir produtos de ponta com a experiência do Grupo Caoa no mercado brasileiro”, resume Chen.



O executivo ressaltou também que ambos os sócios têm grande experiência em sociedades bem-sucedidas. No caso da Chery, ele apontou parcerias no Irã, Egito e na própria China, onde mantêm uma joint venture para fabricação de modelos da Jaguar Land Rover. Pelo lado da Caoa, ele lembrou dos “sucessos históricos com outros sócios”, como Hyundai e Ford.

EXPORTAÇÕES



Outra possibilidade aberta com a parceria é a de transformar as fábricas de Jacareí e Anápolis em base de exportação de carros Caoa Chery para a América Latina. Não ficou claro, contudo, quais mercados poderão ser explorados pela sociedade e quais a Chery pretende manter para si. Correia não comenta o que foi celebrado em contrato nesse sentido pelas duas empresas, mas diz que as oportunidade serão negociadas caso a caso. “A parceria cria uma boa base produtiva de exportação, vamos fazer uma análise do que é possível”, disse.

“Ambas as partes têm essa ambição (de exportar), mas primeiro o objetivo é estabelecer o negócio no Brasil”, destacou Chen. “O Mercosul e a América Latina ainda são um grande ponto de interrogação. Mesmo com acordos comerciais vigentes na região, ainda é mais caro exportar do Brasil do que da China para esses países. Mas precisamos resolver isso, vamos estudar as possibilidade e ver o que é necessário fazer”, ponderou.


O topo da Caoa Chery: Márcio Alfonso, CEO da nova empresa; Pan Yanlong, presidente da Chery International; Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o próprio Caoa, presidente do conselho de administração do seu grupo; Anning Chen, CEO da Chery; Mauro Correia, CEO do Grupo Caoa; e Anselmo Borgheti, diretor de vendas e pós-vendas da Caoa



Tags: Caoa Chery, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, Anning Chen, indústria, investimento, lançamento Tiggo2, estratégia, mercado.

Comentários

  • Marcos

    CAOAChery apostando em SUV compacto.

  • JoseBonifáio da Rosa Wollenhaupt

    Ogrupo CAOA e muito representativo. Vão continuar a fabricação de carros da linha Chery como S18 ? Para aqueles que tem carros dessa fabricante chinesa e precisam peças de reposição vocês tem como atender se houver pedidos. Como procurar nas revendas autorizadas sem necessitar recorrer a importação? Abraço!

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