Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Tiggo2, o primeiro Caoa Chery, aposta em preço para ganhar espaço
Tiggo2: o primeiro Caoa Chery

Lançamentos | 28/03/2018 | 19h15

Tiggo2, o primeiro Caoa Chery, aposta em preço para ganhar espaço

SUV compacto pode incomodar concorrência com duas versões de R$ 60 mil e R$ 66,5 mil

PEDRO KUTNEY, AB

Com ganhos significativos de qualidade e aparência, o Tiggo2 representa a evolução dos carros chineses e da fabricante Chery. Produzido no Brasil, na fábrica de Jacareí (SP) inaugurada pela montadora em 2014, o SUV compacto que deveria ter sido lançado há mais de um ano no mercado brasileiro representa mais do que evolução, mas também o renascimento da operação que desde seu início nunca conseguiu decolar de fato no mercado brasileiro. O carro é o primeiro Caoa Chery, lançado após a associação com o Grupo Caoa no ano passado (leia mais aqui). É, portanto, o abre-alas da nova estratégia para refazer a história da marca chinesa no País – ou melhor, da agora marca sino-brasileira.

A receita usada para isso já é bastante conhecida: oferta de conteúdo maior por preço menor do que a concorrência. Assim o Tiggo2 dois chega com pacote bastante completo em apenas duas versões, Look por R$ 59.990 e ACT por R$ 66.490, o que segundo cálculo da Caoa Chery coloca a opção de entrada R$ 10 mil abaixo do Renault Duster Expression, o SUV nacional de pequeno porte mais barato do mercado atualmente. E o Tiggo2 de topo, o ACT, com quase 20 itens a mais na lista de equipamentos, ainda custa R$ 3,5 mil a menos que o Duster.

“Enxergamos que existia um espaço de preço entre alguns hatches do mercado e um SUV de entrada como o Duster. É aí que queremos encaixar o Tiggo2”, diz Marcio Alfonso, nomeado novo CEO da Caoa Chery.



Como resultado prático dessa estratégia, a projeção é vender de 8,5 mil a 9 mil Tiggo2 até o fim deste ano, o que representa perto de 60% dos 15 mil veículos que a Caoa Chery espera emplacar em 2018 para conquistar 0,6% de participação do mercado brasileiro – o que será um avanço expressivo em comparação com o market share de 0,17% e apenas 3,7 mil carros vendidos pela Chery no Brasil em 2017. Além do Tiggo2, estão previstos outros três lançamentos da marca no segundo semestre, que ajudarão a compor as vendas com os outros modelos ainda fabricados em Jacareí, Celer e QQ. Todos os três que vão chegar até o fim do ano serão produzidos aqui, um em Jacareí e dois na fábrica da Caoa em Anápolis (GO), onde o grupo também produz modelos Hyundai.


Design externo do Tiggo2 é agradável, não chama a atenção, mas não afugenta

PÓS-VENDA PARA VENDER MAIS



Parte importante da estratégia para recriar o interesse pela marca no Brasil está na maior especialidade e vantagem da Caoa, a experiência em montar redes de distribuição. O Tiggo2 começa a ser vendido em 25 concessionárias, a maior parte já trabalhava com a Chery. A estimativa é abrir mais 30 novos pontos de venda e serviços da nova marca até o fim do ano. Alfonso calcula que 40% deles deverão ser do próprio Grupo Caoa, que inaugurou este mês em São Paulo a primeira loja Caoa Chery, com padrão visual próprio. O objetivo também é fortalecer o pós-venda com preços mais baratos: o pacote de manutenção até 60 mil km para o Tiggo2 custa R$ 2.759, contra média de R$ 3 mil da maioria dos concorrentes.

“O que faz o cliente voltar para a marca é como ele foi atendido depois da compra. O Grupo Caoa vem fazendo um trabalho reconhecido nesse sentido com as outras marcas que representa (Hyundai, Ford e Subaru) e vamos aplicar os mesmos padrões aos clientes da Caoa Chery”, garante Alfonso – que além de CEO da nova empresa mantém o cargo de diretor de engenharia do Grupo Caoa. “No fim essa transformação no atendimento vai aumentar o valor de revenda dos carros da marca”, diz o executivo.

Em resumo, a ideia é começar tudo de novo, com oferta novos produtos que oferecem design atraente e mais qualidade por preço abaixo da concorrência, ao mesmo tempo em que se monta uma rede de distribuição robusta para assegurar bons serviços.

“Sabemos que não temos o mesmo tempo de mercado dos concorrentes, por isso precisamos de uma estratégia forte de preço e pós-venda”, resume Henrique Sampaio, gerente de marketing da Caoa Chery.



BOM COMEÇO COM O TIGGO2




Sem luxos, interior é bem acabado

O Tiggo2 é um bom começo para a estratégia de crescimento da Caoa Chery. Com desenho traçado por designers europeus que recriaram a imagem da Chery, o SUV compacto tem aparência agradável, que se não arrebata olhares, também não afugenta. Por fora e por dentro, transmite boa sensação de qualidade standard, sem luxos – e sem as indigências de acabamento muito comuns a veículos nacionais e chineses. Em todas as versões, os bancos são revestidos com mistura de tecido e couro sintético. O conforto acústico também foi bastante melhorado em relação a outros Chery, e os plásticos usados no interior não têm mais o odor desagradável do passado.

Na comparação direta com o Duster, o Tiggo2 tem acabamento melhor e mais equipamentos, só perde (não por muito) em espaço para os passageiros traseiros. Apesar da aparência compacta, o Tiggo2 tem dimensões generosas, com 4,2 metros de comprimento, 1,57 m de altura, 1,76 m de largura e entre-eixos de 2,55 m, além de bom porta-malas que acomoda 420 litros de bagagens.

O novo SUV usa motor flex 1.5 16V que gera até 115 cavalos e torque de 14,9 kgfm abastecido com etanol, ou 110 cv e 13,8 kgfm com gasolina. É 22 cavalos menos potente que o Duster 1.6, mas não fica devendo em desempenho. Não é nada de mais, nem de menos. A motorização é justa. Por enquanto só há opção de câmbio manual de cinco marchas, mas já está prometida versão com transmissão automática para breve, ainda este ano. Na estrada, o Tiggo2 vai bem, é estável, não assusta, tem boa aceleração.



A versão mais básica, Look, já vem bastante bem equipada com rodas de liga leve 16”, direção hidráulica (um pequeno demérito na comparação com a assistência elétrica), acionamento elétrico de travas, retrovisores e vidros (que também levantam ou abaixam pressionando o controle remoto da chave), ar-condicionado e rádio com entrada USB. O pacote de segurança básico inclui os obrigatórios por lei freios com antitravamento e distribuição eletrônica (ABS/EBD) e dois airbags frontais. O carro também conta com sistema de Isofix de ancoragem de cadeiras infantis.

Por R$ 6,5 mil a mais, o Tiggo2 ACT, topo de linha, agrega controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração, assistência de partida em rampa, teto solar (pequeno) com acionamento elétrico e sistema multimídia com tela tátil de 8 polegadas, que pode se conectar ao smartphone por Bluetooth ou cabo USB via Android Auto ou Apple Car Play. O único opcional do Tiggo2 é o teto bicolor em preto, que custa R$ 1,5 mil extras, para combinar com o resto pintado em azul, branco ou prata, três das cinco cores disponíveis para o modelo.





Tags: Caoa Chery, Tiggo2, lançamento, SUV, estratégia, mercado.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência