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Citroën e Sergio Habib rompem relação após 28 anos
Uma das concessionárias Citroën do Grupo SHC em São Paulo que deve encerrar a distribuição de carros da marca francesa

Distribuição | 20/03/2018 | 18h03

Citroën e Sergio Habib rompem relação após 28 anos

Maior concessionário da marca francesa no País vai fechar 12 lojas

PEDRO KUTNEY, AB

Após 28 anos como maior representante da marca francesa no País, o empresário Sergio Habib, e seu Grupo SHC, deixa de vender carros Citroën, com o fechamento de 12 concessionárias, conforme noticiou o UOL Carros na segunda-feira, 19. O destrato foi confirmado pela direção da fabricante de veículos do Grupo PSA, que não menciona os motivos do rompimento.

Segundo fontes ouvidas pelo UOL Carros, de um lado a Citroën começou a cobrar do Grupo SHC melhor atendimento nas concessionárias, em momento que a marca tenta recuperar sua reputação no mercado brasileiro, especialmente nos serviços de pós-venda. De outro lado, Habib não conseguiu apoio da fabricante para reestruturar sua rede, que vinha amargando prejuízos com a continuada queda nas vendas. Com falta de produtos adequados, a demanda por modelos Citroën seguiu recuando mesmo com o mercado em recuperação, com declínio de 8% em 2017 sobre 2016, e nova retração de 7% no primeiro bimestre deste ano em comparação com igual período do ano passado.

O Grupo SHC informou que solicitou a rescisão contratual com a PSA no último dia 9 de março e deverá encerrar a distribuição de veículos Citroën em 12 pontos e Peugeot em dois. No lugar da maioria das lojas, serão abertas concessionárias da chinesa JAC, também representada no País pela empresa de Habib.

A direção das marcas francesas confirmou a interrupção da operação comercial com o Grupo SHC, “que ocorrerá segundo prazos estabelecidos pela lei”, conforme comunicado oficial da empresa. Contando com as concessionárias de Habib, a Peugeot tem hoje 106 lojas e a Citroën 108, número que cairá para 104 e 96, respectivamente. Mas a montadora informa que os clientes não serão prejudicados, pois em todas as cidades afetadas já existem outros grupos distribuidores das duas marcas, que poderão, inclusive, abrir novos pontos. “Não temos intenção de redução da rede levando em conta esse processo e a recuperação do mercado brasileiro. É importante ressaltar que, uma vez encerradas as operações comerciais do Grupo SHC conosco, nossos clientes continuarão sendo atendidos normalmente por outros representantes de nossas marcas nas praças onde ele hoje atua”, afirma o comunicado oficial.

PIONEIRO DA CITROËN



Habib lançou a Citroën no Brasil em 1990, quando houve a abertura de importações de veículos e o empresário começou a trazer os carros da marca francesa, construindo então imagem de luxo e sofisticação que a fabricante nunca teve em qualquer outro lugar. Em 1998 a PSA Peugeot Citroën decidiu abrir sua fábrica brasileira e Habib foi alçado à presidência da divisão Citroën; cargo que, a despeito de conflitos de interesses, ele manteve ao mesmo tempo em que se intitulava como maior distribuidor Citroën do mundo, com 44 concessionárias que respondiam por mais da metade das vendas no mercado brasileiro.

Em 2008, após notícias mais tarde confirmadas de que seu grupo mantinha concessionárias de outras marcas, como Ford e Volkswagen, Habib deixou o comando da Citroën, mas continuou sendo nos anos seguintes o maior distribuidor da marca no País. E assim foi até decidir, em 2010, diversificar os negócios e lançar a chinesa JAC no Brasil.

O interesse pela Citroën foi diminuindo na mesma medida em que crescia a JAC, até que em 2012 veio a sobretaxação sobre veículos importados, fazendo desabar as vendas da chinesa. Ao mesmo tempo, as vendas da Citroën foram perdendo impulso, colocando mais pressão sobre as finanças do Grupo SHC. O número de concessionárias da marca francesa sob o comando de Habib foi caindo até chegar às 12 atuais.

No início de 2016, dentro da nova política do Grupo PSA, o empresário adicionou a sua rede no Rio de Janeiro duas lojas Peugeot, em endereços onde já existiam pontos da Citroën, que passaram a operar com uma parede divisória entre os showrooms na frente e a mesma oficina nos fundos. Parecia ser a retomada da relação, mas os acontecimentos recentes mostram que não houve melhora.



Tags: Citroën, Grupo SHC, Sergio Habib, distribuição, concessionário, rompimento de contrato.

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