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Internacional | 19/03/2018 | 19h50

Acea pede a negociadores do Brexit atenção ao setor automotivo

Uma das preocupações é se os veículos aprovados pelo Reino Unido ainda poderão ser vendidos na UE após o Brexit e vice-versa

REDAÇÃO AB

Com o acordo entre a União Europeia e o Reino Unido sobre a transição do Brexit (saída do Reino Unido do bloco econômico), a Acea, associação que reúne as fabricantes de veículos na Europa, está chamando a atenção dos negociadores para tratar com atenção as questões específicas para o setor automotivo “a fim de evitar implicações que potencialmente podem causar situações desastrosas em toda a cadeia de suprimentos”, defende a Acea em um comunicado divulgado na segunda-feira, 19. Uma das principais preocupações para a indústria europeia é se os veículos aprovados pelas autoridades do Reino Unido ainda poderão ser vendidos nos mercados da União Europeia e vice-versa após o Brexit, cujo tempo de transição deve durar um ano. Nesta mesma data, os negociadores do Brexit disseram ter acertado o período de transição, que começará a valer a partir de 29 de março do ano que vem, data da separação, até 31 de dezembro de 2020.

A legislação da UE exige que os veículos sejam testados por um serviço técnico para verificar o cumprimento das normas ambientais e de segurança e da UE, antes de serem colocados no mercado em qualquer parte da União Europeia, conhecidas como “aprovações de tipo”.

“É essencial que os fabricantes possam manter as aprovações de tipo válidas na UE e no Reino Unido a partir de 30 de março de 2019, independentemente de onde a aprovação foi emitida”, disse o secretário-geral da Acea, Erik Jonnaert. “Estamos, portanto, convidando a Comissão Europeia a esclarecer como as aprovações existentes podem ser transferidas de uma autoridade da UE27 para o Reino Unido e o contrário”, completou. Segundo o secretário, a Acea também recomenda que a UE e o Reino Unido reconheçam mutuamente as aprovações de veículos de cada um após Brexit, algo que só seria possível se o Reino Unido permanecer plenamente alinhado com toda a legislação da UE.

Outro ponto de interrogação é se o mercado de veículos do Reino Unido, o segundo maior da União Europeia, ainda será incluído na conta para atingir os alvos de CO2 prevista até 2021. Para monitorar a conformidade a fim de atingir os novos objetivos de emissões, o desempenho de CO2 de carros novos está sendo rastreado usando dados de registro de todos os países da UE, incluindo os do Reino Unido. Uma vez que o Reino Unido deixa a UE, não estará mais sujeito aos alvos de CO2. Em teoria, o requisito de incluir dados do Reino Unido nos cálculos de CO2 da frota também expirará.

“Excluir os dados do Reino Unido dos cálculos atuais de CO2 deixaria um tempo muito curto e limitado para que a indústria europeia se ajuste às estratégias de conformidade para alcançar os rigorosos níveis previstos para 2021”, alerta Jonnaert.

Neste ponto, Acea defende que seja mantido o sistema como é hoje, com a conformidade global da frota sendo baseada sobre os dados de CO2 dos 27 Estados-Membros da UE, mais o Reino Unido. Além disso, a entidade aponta que dado que as operações comerciais da indústria automotiva são baseadas em entregas simples do tipo just-in-time e just-in-sequence, qualquer novo controle aduaneiro como resultado do Brexit aumentaria o custo, causaria atrasos e ameaçaria a produtividade, o que poderiam até levar a paralisações de linha de montagem em último caso.

“Se o Reino Unido decide permanecer numa união aduaneira com a UE seria, naturalmente, uma solução eficaz para permitir o comércio livre de mercadorias entre as duas partes”, explica Jonnaert. “Mas, independentemente do cenário de Brexit, é essencial que as autoridades da UE e do Reino Unido já comecem a se preparar para simplificar os procedimentos aduaneiros e reforçar a capacidade aduaneira, caso contrário, veremos graves congestionamentos terrestres e marítimos nos dois lados do canal, uma vez que o Reino Unido já decidiu sair da União Europeia.”

Por fim, ele cita que a aplicação potencial das tarifas de importação, de 10% para os automóveis e de 10% ou 22% para os veículos comerciais, num cenário chamado por ele de precipício seria extremamente onerosa para os fabricantes e consumidores de automóveis.



Tags: Brexit, setor automotivo, Acea, Reino Unido, União Europeia, UE.

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