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Vendas de importados crescem, mas com limitações

Mercado | 07/03/2018 | 19h15

Vendas de importados crescem, mas com limitações

Sem sobretaxas nem cotas, sócios da Abeifa esperam aumento limitado por câmbio desfavorável

PEDRO KUTNEY, AB

Nos dois primeiros meses de 2018 foram emplacados no País 5.002 carros trazidos do exterior pelos associados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos, a Abeifa. Com o fim em dezembro passado da sobretaxa de 30 pontos porcentuais aplicada sobre o IPI de veículos importados de fora do Mercosul e México, para importações acima da cota máxima de 4,8 mil unidades por empresa, as vendas dos importadores ligados à Abeifacresceram quase 38% no primeiro bimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2017.

O porcentual de crescimento é alto, mas a base de comparação é baixa, pois há um ano o Inovar-Auto ainda limitava severamente os negócios do segmento. Agora, apesar do fim das restrições tributárias, a limitação é outra: o mercado ainda segue travado pelo câmbio desfavorável, aliado ao imposto de importação de 35%. Com isso, os preços aumentam e contêm as vendas dos importadores em patamares mais baixos, direcionados mais a nichos onde há pouca competição com os fabricantes nacionais, como o de carros esportivos, sedãs médios e grandes, crossovers e SUVs de grande porte.



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“Com o fim do Inovar-Auto, as alíquotas do IPI voltaram ao que eram antes do programa e não existem mais cotas limitadoras. Mas os carros importados ainda pagam o imposto de importação mais alto possível, de 35%, e o câmbio agora está em R$ 3,25. Por isso não conseguimos baixar os preços e os importadores ficam com o negócio limitado”, avalia José Luiz Gandini, presidente da Abeifa.



Com cenário de imposto alto e câmbio desfavorável, Gandini sustenta que as vendas dos associados da Abeifa em 2018 não devem superar 40 mil unidades, o que significa crescimento de 34,5% sobre o baixo volume de 2017, quando as empresas importadoras venderam apenas 29.751 carros.

“Acredito que essa projeção seja até um pouco otimista, pois não dá para repassar aos preços toda a variação do dólar. Com isso ficamos limitados a alguns nichos de produtos mais caros, de menor volume de vendas”, destaca o presidente da Abeifa. “É impossível imaginar que sem as limitações do Inovar-Auto vamos voltar aos níveis de 2011, antes do programa, quando o câmbio era de R$ 1,67 e os associados venderam quase 200 mil veículos (199.422)”, recorda.

SETOR ENFRAQUECIDO



Outro fator apontado por Gandini para manter em baixa as vendas de importados é que “o setor precisa se reorganizar, em 2011 os associados tinham 850 concessionárias e hoje têm 450, quem conseguiu sobreviver ao período do Inovar-Auto precisou reduzir muito de tamanho; por isso hoje não temos mais a mesma penetração, vamos ter de reestruturar a rede antes de pensar em grande crescimento”. O dirigente lembra ainda que os concessionários que vendem carros estrangeiros de luxo precisam investir em lojas maiores e mais sofisticadas, pois atendem consumidores mais exigentes, e no momento não têm esses recursos para investir.

Gandini cita ainda outros dados que expressam a redução do setor no período do Inovar-Auto: seis anos atrás as empresas sócias da Abeifa eram responsáveis por quase 6% das vendas de veículos no País e no ano passado esse porcentual caiu para 1,37%. Dos 35 mil empregos diretos de 2011, restaram 14 mil atualmente. No mesmo intervalo, os US$ 4,1 bilhões pagos em impostos pelos importadores foram reduzidos a US$ 400 milhões em 2017.

Em fevereiro, o total de 2.577 veículos emplacados pelos importadores da Abeifa, apesar de significar crescimento de 52,8% sobre o resultado do mesmo mês de 2017, representou apenas 1,69% do mercado doméstico de veículos leves no período, quando foram emplacados 151.690 automóveis e utilitários.

Somando todos os veículos importados vendidos no Brasil em fevereiro, incluindo também os trazidos pelas montadoras, o número de emplacamentos foi de 18,3 mil unidades, com crescimento de 26,5% sobre o mesmo mês de 2017 e participação de 11,7% no total de vendas. Os associados da Abeifa participaram com 14,3% das importações totais no mês.



ROTA 2030 NÃO ATRAPALHA NEM AJUDA



O novo programa de desenvolvimento do setor automotivo nacional que deveria substituir o Inovar-Auto, o Rota 2030, em discussão desde maio do ano passado e diversas vezes adiado, na avaliação de Gandini tem poucas chances de ser aprovado este ano e deverá ter pouca influência para os importadores.

“Nós apoiamos o programa, defendemos a política industrial que contempla a qualidade e a competitividade setorial, isso é importante para direcionar os investimentos das montadoras, mas sua aprovação ou adiamento não deve afetar nossos negócios. Participei de muitas reuniões no ano passado para discutir o Rota 2030, por tudo que ouvi e foi negociado, ficou claro que não haverá mais sobretaxação nem limitações de cotas, isso já foi condenado pela OMC”, afirma.

Apesar de pessoalmente duvidar da aprovação do Rota 2030 ainda este ano, Gandini defende que algo precisa ser feito para preservar as conquistas do Inovar-Auto, como os ganhos de eficiência energética, segurança e incorporação de tecnologia aos carros fabricados no Brasil. “O País não pode perder isso e ficar desatualizado. Os veículos fabricados aqui hoje têm tecnologias que antes só os importados tinham”, reconhece. “Mas também é importante manter a competição com os importados, para não voltar ao tempo em que um (VW) Santana era carro de luxo vendido por US$ 50 mil no Brasil.”



Tags: Abeifa, importadores, importações, veículos importados, resultados, mercado, projeção, Inovar-Auto.

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