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Renault começa a fazer blocos e cabeçotes de motor no Paraná

Indústria | 06/03/2018 | 19h15

Renault começa a fazer blocos e cabeçotes de motor no Paraná

Nova planta de injeção de alumínio recebeu investimento de R$ 350 milhões

PEDRO KUTNEY, AB | De São José dos Pinhais (PR)

Ao lado das fábricas de automóveis, comerciais leves e de motores, a Renault inaugurou na terça-feira, 6, a quarta planta industrial dentro do Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), que este ano completa 20 anos de operação. Com investimento de R$ 350 milhões – parte dos R$ 750 milhões anunciados em agosto passado para ampliar a produção de motores na unidade –, começou a funcionar a Curitiba Injeção de Alumínio (CIA), em área construída de 14 mil metros quadrados, onde poderão ser produzidos até 250 mil cabeçotes e 250 mil blocos por ano.

Os dois componentes até então eram importados do Japão para os motores SCe, que desde 2016 equipam versões dos carros da marca feitos no Paraná. Depois de fundidos e tratados na CIA, os blocos e cabeçotes seguem para a fábrica ao lado, a Curitiba Motores (CMO), que tem capacidade para usinar e montar 600 mil unidades/ano. A CMO recebe outros R$ 400 milhões para elevar sua produtividade.

A produção local da CIA vai abastecer inicialmente a produção do motor SCe 1.6 de quatro cilindros, usado em versões dos modelos Captur, Duster, Oroch, Sandero e Logan, além de ser também exportado às fábricas da Argentina e Colômbia. Ficou para depois a nacionalização dos blocos e cabeçotes para a versão 1.0 três-cilindros do SCe, que equipa Kwid e opções mais baratas do Sandero e Logan.

“Escolhemos fazer [blocos e cabeçotes] só para o 1.6 primeiro porque é o mais utilizado”, explica Luiz Pedrucci, presidente da Renault do Brasil. O modelo SCe 1.6 representa 60% da produção da CMO. Somando com o 1.0, em 2017 a unidade produziu 280 mil motores, 40% deles exportados.

“Temos estudos para fazer também os componentes do 1.0 aqui, mas ainda não temos clareza para decidir esse novo investimento, não sabemos ainda como vão ficar as regras do Rota 2030. Enquanto essas definições não acontecem, vamos esperar, porque não podemos correr o risco de escolher a tecnologia errada e investir errado”, afirma Pedrucci.

O SCe 1.6 é um projeto que veio da Nissan, sócia na Aliança Renault-Nissan. A japonesa usa em seus modelos Kicks, March e Versa motor similar que é montado em Resende (RJ). Contudo, no momento Pedrucci diz que não haverá sinergia entre as empresas, os blocos e cabeçotes da CIA serão usados só para a Renault. “Mas com capacidade instalada poderemos no futuro desenvolver essa colaboração se houver necessidade”, pontua.

CICLO DE INVESTIMENTO PARA A RELARGADA


O investimento na produção de motores faz parte de um ciclo de recursos aplicados no complexo da Renault no Paraná iniciado em 2010, que totaliza perto de R$ 3 bilhões até agora, envolvendo também a ampliação da cadência produtiva da linha de veículos de passeio para 60 unidades por hora desde 2013. Em 2017 a fábrica contratou mais 1,2 mil pessoas e reabriu o terceiro turno, para fechar o ano com 253 mil unidades produzidas, ainda com folga para a capacidade máxima de 320 mil/ano.

“Fechamos o ciclo de investimentos mesmo com as dificuldades que enfrentamos no País. Mas acreditamos e agora estamos melhor preparados para a relargada do mercado e a Renault deve crescer mais este ano”, afirma Pedrucci.



“Conseguimos atingir participação inédita de quase 8% (7,7%) no Brasil no ano passado e estamos no caminho para chegar à meta de 10% até 2022. No início deste ano já demos conta de produzir 10 mil Kwid que precisávamos para limpar a fila de espera pelo carro e atender as exportações”, disse o executivo. Ele acrescenta ainda que “o investimento feito na CMO é porque acreditamos na expansão das vendas no Brasil e das exportações, principalmente para Argentina e Colômbia, que também estão crescendo”.

Pedrucci reconhece que produzir os blocos e cabeçotes no Paraná reduz os custos da operação, mas não diz quanto. A iniciativa também recebe incentivos fiscais do governo estadual, no âmbito do programa Paraná Competitivo, que entre outros benefícios prevê diferimento do recolhimento do ICMS.

“Desde que a Renault começou a fabricar no Brasil, há 20 anos, investimos cerca de R$ 7 bilhões para fazer da unidade brasileira uma planta estratégica não apenas para o País, mas para toda a Região Américas. A inauguração da CIA traz uma dose extra de eficiência ao nosso negócio, permitindo que alcancemos resultados ainda melhores”, afirma Olivier Murguet, presidente da Renault para a América Latina. Ele estima que este ano as vendas da marca na região podem crescer cerca de 25%, levando em conta o avanço dos mercados na Argentina e Colômbia. Segundo Murguet, os modelos Renault vendidos nos países latino-americanos têm 95% de integração local, com componentes produzidos no Brasil, Argentina, Colômbia e Chile – neste último a empresa produz caixas de câmbio.

FUNDIÇÃO MODERNA E PRODUTIVA


Para fazer localmente seus blocos e cabeçotes a Renault investiu em uma fábrica-modelo, adotando as melhores práticas em injeção de alumínio da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi no mundo, mas a CIA é a única linha de injeção de cabeçote no Grupo Renault. O trabalho para a construção da nova unidade industrial teve a participação de quase 2 mil pessoas que integram equipes da Aliança em 11 países.



A planta é altamente automatizada, tem mais máquinas e robôs do que gente trabalhando. São 100 empregados em dois turnos de produção e 165 máquinas provenientes de países como Japão, Coreia, França, Espanha, Alemanha e Brasil. Cerca de 60 trabalhadores passaram por aproximadamente 18 mil horas de treinamento, em visitas técnicas a fornecedores e a outras unidades industriais na América, na Europa e na Ásia.

A produção do bloco é composta por quatro etapas: fusão, injeção de alta pressão, acabamento e tratamento térmico. A injeção do alumínio no bloco é totalmente robotizada. O metal é injetado a uma velocidade de 200 km/h, com pressão de 900 bar. O processo utilizado usa pouco lubrificante, apenas 22 ml por peça, contra até 12 litros utilizados em métodos de produção tradicionais. Além da economia do insumo, o resultado é um ambiente mais limpo, sem fumaça, e maior velocidade na fabricação.

A qualidade dos blocos e do cabeçotes é conferida na própria CIA, em seu laboratório metalúrgico, onde são realizados diversos testes, incluindo tomografia computadorizada industrial, o primeiro deste porte em uma montadora na América do Sul. A máquina executa a análise das peças em três dimensões e é utilizada para controle de qualidade e pesquisa e desenvolvimento.

Já a produção do cabeçote é composta de cinco etapas: fusão, sopro de machos de areia, injeção de baixa pressão, acabamento e tratamento térmico. O processo, segundo a Renault, é inorgânico, isento de fumos e emissões de carbono, o que contribui para a qualidade do ar no ambiente.

Para ser mais eficiente em consumo energético, nova fábrica da Renault do Brasil é recoberta por telhas translúcidas que aproveitam a luz natural, e a iluminação é composta 100% por lâmpadas de LED, mais duráveis e econômicas. Essa medida reduziu em 5% o consumo de energia elétrica na comparação com uma planta de igual área. A mesma redução de 5% foi obtida no gasto de gás natural, graças à adoção do processo de pré-aquecimento das barras de alumínio com o reaproveitamento do calor dos fornos.



Tags: Renault, Curitiba Injeção de Alumínio, CIA, blocos, cabeçotes, indústria, investimento.

Comentários

  • FábioColla

    Ótimamatéria Pedro, bem detalhada !

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