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PSA ainda perde dinheiro no Brasil, mas melhorou
Carlos Tavares, CEO do Grupo PSA: progressos na América Latina, mas rentabilidade segue baixa

Indústria | 22/02/2018 | 14h00

PSA ainda perde dinheiro no Brasil, mas melhorou

CEO da companhia garante lançamentos até 2023 e diz que precisa aumentar produtividade no País

PEDRO KUTNEY, AB

Há três anos a divisão América Latina do Grupo PSA voltou a dar lucro, mas o Brasil segue sendo o único país da região onde a companhia perde dinheiro. “Segue no prejuízo, mas (o resultado) vem melhorando”, pondera o CEO global Carlos Tavares, que assumiu a empresa à beira da falência quatro anos atrás e conseguiu recolocar o balanço no azul mais rápido do que o esperado. O executivo visitou a subsidiária brasileira esta semana, para conferir os progressos de perto, apenas 10 dias antes da divulgação oficial dos resultados da corporação em 2017, quando se espera por novos resultados positivos.

“Desde que assumi a companhia há quatro anos a melhoria na América Latina tem sido constante em termos de mercado e volumes ano a ano, mas apesar disso temos um modelo de baixa rentabilidade na região e isso nos deixa vulneráveis, com risco aumentado de ter de fazer cortes”, avalia Tavares. “Nossa frustração no momento é não ter uma cota de mercado e lucratividade mais elevadas, mas trabalhamos para superar isso com o empenho das equipes aqui que vivem lutando contra as adversidades, porque decidimos que estamos na região para ficar, porque vemos potencial de bons resultados”, completa.

Desde o último resultado positivo no mercado brasileiro, em 2011, as vendas de veículos das duas marcas do grupo no País, Peugeot e Citroën, despencaram de quase 176 mil naquele ano para 49,4 mil em 2017, queda de 72%, o dobro da retração média do mercado no mesmo período, de 36%. Graças à exportação, quase toda para a Argentina, a fábrica de Porto Real (RJ) produziu 96 mil unidades trabalhando em dois turnos contidos, pois a capacidade é de 150 mil/ano.

“Claro que merecemos uma cota de mercado maior no Brasil, mas não se paga empregados assim, mas com dinheiro que vem dos ganhos da empresa. E isso já corrigimos, recolocamos o lucro na frente da participação, hoje nenhum funcionário nosso vende um carro com prejuízo como antes, isso é só sangue, coloca o balanço no vermelho”, defende Tavares.



O executivo português, que era o segundo em comando da Renault antes de assumir o comando da PSA, mostrou ser um especialista em recuperar a rentabilidade de empresas. Com esse conhecimento de causa, ele é categórico em afirmar que participação de mercado só é importante quando vem acompanhada de lucro. “Deve haver um equilíbrio fundamental entre as duas coisas. Eu gosto de cota maior, foi por isso que decidi comprar a Opel, para aumentar de 11% para 17% nosso market share (na Europa), mas isso foi porque temos certeza que conseguiremos recuperar a rentabilidade da empresa, assim como fizemos na PSA, e ficar com 17% rentáveis, ou não valeria a pena”, diz. Ele recorda que quando assumiu a companhia francesa, em 2014, “a empresa estava praticamente falida e as pessoas ainda discutiam como ganhar mais mercado, mesmo que com mais prejuízo”.

NOVOS PRODUTOS, TALVEZ ATÉ OPEL


Para fazer a operação brasileira voltar a dar resultados positivos, a PSA preferiu ceder terreno, tirou de linha produtos deficitários, fez profunda reestruturação das redes de concessionárias das duas marcas, ajustou preços, mas devido à crise financeira que se abateu sobre a matriz na França, desde 2012, faltaram recursos para desenvolver carros novos e mais competitivos para a subsidiária brasileira. Esse cenário começou a mudar recentemente, com a volta dos bons resultados globais.

“Por isso garantimos até 2023 um consistente plano de lançamentos na região que devem nos devolver atratividade nos próximos anos”, afirma Tavares. Ele não quis revelar quantos carros do grupo deverão ser lançados na América Latina no período, mas os números indicam para algo em torno de duas dezenas. “Mas vamos estudar caso a caso; quando chegar na época de lançar um modelo programado, verificamos a situação naquele momento para saber se vamos em frente ou não”, realça.

E Tavares admitiu, pela primeira vez, que no plano de lançamentos para o Brasil e demais países latino-americanos poderão ser incluídos carros da marca recém-adquirida da GM na Europa. “Os modelos Opel estarão disponíveis se a direção da região achar que é viável”, afirmou. Portanto a decisão será de Patrice Lucas, que assumiu este mês o comando da divisão, no lugar de Carlos Gomes, que foi indicado para dirigir as operações na China. Atualmente, na América do Sul os carros Opel só são vendidos no Chile e possivelmente devem chegar aos demais mercados regionais após a substituição das plataformas usadas na região pela GM em veículos Chevrolet, como é o caso do Cruze montado na Argentina.

PRODUTIVIDADE


Resolvida a questão da falta de produtos competitivos, Tavares destaca que sempre existe mais produtividade a buscar. Ele cita o exemplo da Opel: “Quando se fala em reduzir gastos a primeira coisa que vem à mente é cortar salários e pessoal. Mas há muitos outros fatores a atacar. Veja o caso da Opel: os custos de produção na Alemanha hoje são o dobro dos que temos na França, mas os trabalhistas são iguais. Isso quer dizer que há muito por fazer em modernização de fábricas, negociação com fornecedores, aumento de eficiência produtiva”, afirma.

No caso brasileiro, o executivo diagnostica a baixa produtividade como principal dreno da competitividade. “Conseguimos colocar as fábricas de Porto Real e Palomar (na Argentina) para trabahar, mas ainda há muito gargalos. Um deles são os fornecedores, muitos se foram depois do período de crise. É preciso reconstruir a cadeia, levará algum tempo. Mas o importante é que estamos progredindo.”



Tags: Grupo PSA, PSA, Peugeot, Citroën, Opel, PSA América Latina, resultados, investimento, lucro, Carlos Tavares.

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