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Volvo contrata e reabre 2º turno em fábrica de caminhões em Curitiba

Indústria | 21/02/2018 | 19h22

Volvo contrata e reabre 2º turno em fábrica de caminhões em Curitiba

Montadora prevê aumento de 30% das vendas no segmento acima de 16 toneladas

SUELI REIS, AB

Os ventos voltam a soprar a favor da Volvo no Brasil: o grupo anuncia a reabertura do segundo turno de trabalho em sua fábrica de Curitiba (PR), fechada na metade de 2015 e que começou a operar no início deste mês. Para isso, a empresa contratou 100 novos empregados no fim de 2017 e mais 150 em janeiro deste ano para dar conta do maior volume de produção previsto para 2018. O anúncio foi feito na quarta-feira, 21, pelo presidente do Grupo Volvo para a América Latina, Wilson Lirmann, durante a apresentação do balanço dos negócios de 2017 e projeções para 2018, em evento realizado em São Paulo.

Todos os novos funcionários foram contratados em regime temporário com duração inicial de doze meses. Eles passaram por treinamento e foram distribuídos entre o primeiro e o segundo turno a fim de não comprometer os processos e o ritmo da linha de produção de caminhões. As contratações aumentaram em 8% o número de funcionários na fábrica da Volvo, que agora conta com 3,4 mil trabalhadores. O quadro chegou a ser reduzido em 20% nos últimos dois anos, muitos em programas de demissão voluntária (PDV) adotado pela empresa para gerenciar o excesso de mão de obra e equilibrar a produção diante de uma demanda contraída.

Agora, segundo Lirmann, há um cenário positivo permeando o setor de veículos pesados que se consolidou no último trimestre do ano passado.

“Vivemos um momento de otimismo, com inflação sob controle, juros em queda, agricultura forte. Estes fatores estão refletindo no nível de confiança do empresário e do consumidor, ajudando na retomada da indústria, na diminuição do desemprego, trazendo mais renda, consumo e retomada de serviços”, afirma. O executivo ressalta que a Volvo espera de 2018 um ano melhor do que o anterior, o que motivou a expandir as operações na fábrica.

“Com este cenário positivo, esperamos um crescimento de 30% ou mais no mercado de caminhões acima de 16 toneladas”, projeta o presidente da Volvo.



Considerando o mercado total de caminhões, a montadora prevê que as vendas no Brasil devem crescer até 40%, para até 45 mil unidades contra as 32 mil emplacadas em 2017. Para Lirmann, está muito clara a necessidade de renovação de algumas frotas, que foram adquiridas em 2011, tempos de Finame PSI com juro negativo, uma vez que os custos operacionais com esses veículos estão aumentando.

Por outro lado, há uma preocupação sobre as variáveis que estão fora do controle da empresa, mas que influenciam o mercado, como o câmbio e o fato deste ser um ano de eleições presidenciais. “Dizemos que a economia descolou da política, mas há um limite para isso. Todos esses sinais são de uma recuperação cíclica, mas não podemos contar só com isso, precisamos melhorar o cenário macroeconômico como um todo e para isso há fatores que dependem de lideranças políticas”, assinala. Se este ano se estabelecer com uma retomada consistente, isso poderá gerar a prorrogação dos novos contratos de trabalho feitos pela empresa.

DEMANDA ALTA TAMBÉM NAS EXPORTAÇÕES



Parte do que alavancou o mercado de caminhões no último trimestre de 2017 é efeito da Fenatran, realizada em outubro passado. Segundo o diretor comercial de caminhões Volvo no Brasil, Bernardo Fedalto, a empresa teve nesta última edição sua melhor taxa de conversão na história do evento. A montadora também comemora o fato de ter encerrado 2017 como líder pelo quarto ano consecutivo no segmento em que mais atua, o de caminhões pesados acima de 16 toneladas, cujas vendas resultaram em 26,9% de participação neste mercado.

No total, a Volvo entregou pouco mais de 5,9 mil veículos no Brasil em 2017, um aumento de 6% sobre 2016. Considerando o resultado de América Latina, as vendas fecharam em 10,3 mil caminhões, o que representa um terço da capacidade da fábrica de Curitiba com apenas um turno. A fábrica vem recebendo parte do investimento de R$ 1 bilhão anunciado pela empresa no ano passado.

Fedalto comenta que 2018 começou de forma diferenciada para o Brasil: antes, o que puxava o segmento de caminhões pesados era somente o agronegócio, cujas movimentações não caíram abruptamente como nos demais setores da economia. “Agora há uma retomada em outros setores; é a primeira vez em anos que o PIB industrial está positivo, por exemplo. Há uma necessidade de transporte nos demais setores que começou a gerar essa retomada; esse efeito vem sendo sentido desde o fim do ano passado, o que vem gerando esse aumento das vendas de caminhões. Vale lembrar que o mercado de veículos comerciais é o primeiro indicador de melhora da economia”, destaca.

Além do mercado interno, as exportações também têm participação importante no aumento da produção previsto pela Volvo. A proporção atual está bastante equilibrada: de tudo o que produz em Curitiba (considerando apenas caminhões), 55% ficam no mercado brasileiro e os demais 45% vão para outros mercados da região. Argentina, Chile e Peru são os principais mercados.

A expectativa é de que também aumente a demanda nestes países: a empresa projeta aumento de 10% a 15% das vendas tanto no Chile quanto no Peru, e na Argentina, é esperado alta de 5% a 10%.

O mercado de ônibus também deverá ter um ano melhor, principalmente por causa das exportações. A Volvo computa que 75% dos chassis de ônibus que produziu no Brasil foram destinados a outros mercados latino-americanos. Segundo o presidente da Volvo Bus para a América Latina, Fabiano Todeschini, a expectativa é de que estes mercados da região gerem aumento na ordem de 10% a 15%, na soma de urbanos e rodoviários e sem considerar a demanda dos sistemas de BRT em Transantiago (Santiago, Chile) e Transmilênio (Bogotá, Colômbia).

“Para o Brasil, em termos de varejo, também consideramos este aumento de 10% a 15% das vendas neste ano, porém, se consolidarem os processos de licitação como os de São Paulo, Florianópolis e Recife, este índice vai além dos 15%”, afirma.



Tags: Volvo, caminhões, mercado, segundo turno, Wilson Lirmann.

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