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GM mostra investimento requentado em São Caetano

Indústria | 21/02/2018 | 16h36

GM mostra investimento requentado em São Caetano

Injeção de R$ 1,2 bilhão na planta faz parte de plano anunciado em 2015

PEDRO KUTNEY, AB

Para mostrar frutos ainda verdes de menos de 10% do programa de investimentos prometido para o Brasil, a General Motors reuniu na terça-feira, 20, seus principais executivos, imprensa e autoridades, como o governador de São Paulo e ministro interino da Indústria, em sua mais antiga fábrica no País, em São Caetano do Sul, que iniciou operações 88 anos atrás no polo automotivo do ABC Paulista. Tudo para apresentar o início das obras de modernização e ampliação da planta, que segundo a montadora envolve aporte de R$ 1,2 bilhão para construir uma nova área de produção e aumentar a capacidade da unidade de 250 mil para mais de 330 mil veículos por ano.

O mesmo investimento já havia sido detalhado por executivos da GM seis meses atrás em Brasília ao mandatário da República (leia aqui), junto com outros dois aportes: de R$ 1,9 bilhão na fábrica catarinense de Joinville para produzir novos motores e aumentar a capacidade de 120 mil para 420 mil unidades/ano (leia aqui) e de R$ 1,4 bilhão para fazer na gaúcha Gravataí nova família de veículos que substituirá os atuais Onix e Prisma feitos lá (leia aqui).

Somados, os três projetos anunciados em Gravataí, Joinville e São Caetano são investimentos requentados de R$ 4,5 bilhões, equivalentes a apenas um terço do programa de R$ 13 bilhões anunciado em 2015 pela montadora para cobrir o período 2014-2019, que já era uma extensão de R$ 6,5 bilhões adicionais aos R$ 6,5 bilhões prometidos de 2014 a 2016 (leia aqui). Com o agravamento da crise econômica e política no País, no início de 2016 o presidente mundial da companhia, Dan Ammann, chegou a dizer que novos investimentos no País estavam ameaçados (leia aqui), para um ano depois, em março de 2017, dizer que a empresa havia voltado a pensar em investir aqui (leia aqui).

MAIS ANÚNCIO DO QUE DINHEIRO



Na época do anúncio do programa de R$ 13 bilhões para o Brasil, os executivos da GM diziam acreditar que o mercado só voltaria a se recuperar em 2017, para voltar a crescer de forma sustentável em 2018 – o que efetivamente está acontecendo até o momento. Também disseram que a nova família de veículos globais para países emergentes começaria a apresentar seus primeiros produtos a partir de 2019 e os demais viriam um ano e meio depois, até 2020. Portanto, nada de muito diferente do plano original está em curso, mas por tudo que vem sendo detalhado pela empresa, há muito mais dinheiro anunciado do que efetivamente aplicado até agora.

A origem dos recursos para os investimentos no Brasil não foi divulgada, mas parece inverossímil que a empresa tenha caixa próprio para cobrir o montante bilionário anunciado, no momento não há nenhum grande contrato de financiamento com o BNDES (principal financiador do setor no País) e dificilmente virá algum da matriz, hoje mais preocupada em se livrar de subsidiárias deficitárias do que arriscar nelas – nos últimos três anos a GM anunciou a saída da Austrália, Rússia e Venezuela, vendeu à PSA a operação europeia concentrada na Opel e há indícios que pode sair da Coreia do Sul, onde irá fechar uma de suas fábricas que operava com 80% de ociosidade. Segue sendo um mistério, portanto, como a GM financia os empreendimentos brasileiros.

RENASCIMENTO DE SÃO CAETANO




Novo prédio vai abrigar parte da produção da GM no Complexo Industrial de São Caetano

A empresa informou por meio de comunicado que a modernização e ampliação da fábrica de São Caetano conta com o apoio da Investe São Paulo, agência de promoção de investimentos do Governo do Estado de São Paulo, principalmente na interlocução com a Secretaria da Fazenda para questões tributárias (leia-se incentivos fiscais).

“Os novos investimentos vão transformar o Complexo Industrial de São Caetano do Sul em um dos mais eficientes e avançados da indústria”, prometeu em comunicado Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul. A unidade atualmente é a que produz o maior número de modelos Chevrolet: em uma mesma linha são montados o sedã Cobalt, Onix Joy (a versão mais barata do hatch), a minivan Spin e a picape Montana (ainda montada sobre a base do já extinto Agile). Este mês a maior parte dos 9,3 mil empregados da fábrica estão em férias coletivas e a empresa aproveita o período para avançar com as obras.

Assim como acontecerá em Gravataí e Joinville, São Caetano será parte da rede de produção da GM no Brasil que vai receber, a partir de 2019, a nova plataforma global para países emergentes da fabricante, conhecida como GEM, que dará origem a novos motores (1.4 aspirado e turbinado de quatro cilindros e 1.0 de três) e carros: a nova geração de Onix e Prisma a ser produzida no Rio Grande do Sul e, no ABC Paulista, um sedã compacto mais moderno no lugar do Cobalt para competir com Fiat Cronos e VW Virtus, um SUV no lugar da minivan Spin e uma nova picape pequena para substituir a Montana, em tamanho crescido para acompanhar a nova tendência representada atualmente por Renault Oroch e Fiat Toro.

Segundo a GM, para fazer os novos produtos o Complexo de São Caetano do Sul vai receber novas tecnologias de manufatura inteligente (Indústria 4.0), incluindo prensas de última geração, solda a laser, novo sistema de montagem de motor e transmissão, novas injetoras de plástico e novo transportador de veículos na linha de montagem. O novo prédio da área de produção é construído com telhas translúcidas, luzes de LED com regulagem automática de intensidade e ventilação natural.

A GM também destacou a colaboração do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul para viabilizar a transformação da planta. “O suporte do sindicato foi fundamental na tomada de decisão sobre os novos investimentos, que vão colocar a fábrica de São Caetano do Sul em um novo patamar de competitividade”, afirma Marcos Munhoz, vice-presidente da GM Mercosul.



Tags: GM, General Motors, indústria, investimento, São Caetano do Sul.

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