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Balanço | 14/02/2018 | 18h10

Montadoras colocam mais dinheiro no Brasil em 2017

Em 2017, filiais receberam US$ 6,4 bilhões líquidos; remessas de lucros às matrizes foram de apenas US$ 232 milhões

PEDRO KUTNEY, AB

As montadoras de veículos colocaram mais dinheiro no Brasil em 2017 do que tiraram. Com prejuízos ou lucros baixos e muitos investimentos prometidos a realizar, as matrizes precisaram injetar recursos bilionários nas subsidiárias brasileiras, na forma de investimento estrangeiro direto (IED) no capital das subsidiárias brasileiras e empréstimos intercompanhias, que juntos somaram fluxo líquido de US$ 6,4 bilhões, fruto de US$ 12,4 bilhões que aportaram nos caixas das empresas aqui e de US$ 6 bilhões que foram remetidos para pagar operações passadas de IED e financiamentos internos em moeda estrangeira, segundo números fechados do ano passado divulgados pelo Banco Central este mês.

As remessas de lucros e dividendos às matrizes no exterior voltaram a crescer, invertendo o fluxo de consecutivas quedas profundas verificadas desde 2014. Esses valores remetidos pelos fabricantes de veículos no Brasil mais do que dobraram em 2017, de US$ 86 milhões em 2016 para US$ 232 milhões entre janeiro e dezembro do ano passado. Contudo, apesar do substancial aumento porcentual, de 167% entre um ano e outro, o montante continua bem abaixo dos lucros bilionários enviados de 2000 até 2013, é uma minúscula fração do recorde de US$ 5,7 bilhões remetidos só em 2011 (veja o quadro abaixo).



O investimento estrangeiro direto (IED) dos fabricantes de veículos multinacionais em suas subsidiárias brasileiras caiu bastante de 2016 para 2017, de US$ 6,6 bilhões para US$ 3,95 bilhões, em retração de 40%. Mas as remessas para pagar o IED recebido continuam em níveis baixos. Embora tenham crescido 160%, de US$ 10 milhões para US$ 26 milhões de um ano para outro, as amortizações são frações ínfimas dos aportes.

A conta corrente externa das montadoras instaladas no Brasil teve movimentações bem mais altas no ano passado na modalidade de empréstimos intercompanhias: entraram no caixa aqui estratosféricos US$ 8,48 bilhões, e saíram US$ 6 bilhões para pagar empréstimos passados. Ou seja, no balanço entre recebimentos e quitações, liquidamente US$ 2,47 bilhões ficaram no País enquanto em 2017, enquanto em 2016 esse saldo foi negativo em US$ 712 milhões, com remessas de US$ 5,95 bilhões contra aportes recebidos de US$ 5,24 bilhões (veja no quadro abaixo os valores líquidos de IED e o saldo de empréstimos intercompanhias entre os fabricantes de veículos no Brasil e suas matrizes no exterior).



Fabricantes de veículos no Brasil também realizam investimentos e empréstimos intercompanhias, caso das poucas empresas brasileiras do setor com subsidiárias em outros países, ou de filiais de companhias estrangeiras no País que injetam capital em outras filiais da mesma região, como no caso do Mercosul, em montadoras instaladas na Argentina, por exemplo. Mas esses valores têm sido muito baixos.

Em 2017, o investimento estrangeiro direto feito por montadoras a partir do Brasil somou apenas US$ 11 milhões, em queda de 88% sobre os US$ 92 milhões de 2016. Em contrapartida, os regressos desse IED também caíram de um ano para outro, de US$ 330 milhões para US$ 153 milhões, retração de 53,6%.

Já os empréstimos intercompanhias de fabricantes de veículos no Brasil para outras subsidiárias totalizaram US$ 71 milhões, valor 13,4% inferior aos US$ 82 milhões de 2016, enquanto foram recebidos em amortizações US$ 61 milhões, alta expressiva de 126% em comparação com os US$ 27 milhões do ano anterior.



Tags: Remessas de lucros, conta corrente externa, montadoras, indústria, Banco Central.

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