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Indústria | 24/01/2018 | 20h21

Aos 60, Toyota comemora bom momento no Brasil

Empresa completa seis décadas da primeira operação fora do Japão
PEDRO KUTNEY, AB

No mesmo ano em que se completam 110 anos da imigração japonesa ao Brasil, a Toyota celebra 60 anos de sua jornada internacional, que começou em 23 de janeiro de 1958 com a inauguração, em São Paulo, de sua primeira operação fora do Japão. Fundada apenas 20 anos antes, a empresa já era líder de vendas de veículos no mercado japonês, com 40% de participação, e escolheu o emergente território brasileiro, em época de incentivos à instalação do setor no País, para começar sua trajetória global, que hoje contempla fábricas em 28 países, um dos maiores sucessos da história da indústria automotiva mundial. Aqui, depois de muito tempo adormecida, a Toyota acordou na virada do século e atualmente vive seus melhores momentos na região.

“Nosso plano de investimento de R$ 1,6 bilhão para fazer o Yaris e novos motores no Brasil demonstra o quanto acreditamos no País e queremos continuar a crescer aqui”, diz Steve St. Angelo CEO da Toyota América Latina.



O sempre animado americano, que assumiu a direção da empresa na região há quatro anos, quebrou o paradigma da tradicional sisudez japonesa e replica aqui o processo de transformação que a corporação vem aplicando, realinhando o rumo para ser mais global, aberta e moderna. Após revolucionar a maneira de produzir veículos com criações como lean manufacturing, kaizen, kanban, just-in-time – que por meio da disciplina com método jogaram produtividade e qualidade para níveis jamais imaginados pelos inventores do automóvel –, agora CEO mundial Akio Toyoda diz querer desafiar o impossível novamente, transformando a companhia que herdou de fabricante de veículos em fornecedor de mobilidade eficiente, pela via da eletrificação (leia aqui).

“No Brasil não será diferente”, avisa St. Angelo, enquanto confirmou que o primeiro passo regional dessa estratégia global será o desenvolvimento, no Brasil, do primeiro carro híbrido elétrico com motor a combustão flex gasolina-etanol. Segundo ele, os testes já estão em andamento e até março os primeiros resultados devem ser apresentados (leia aqui). “Será o híbrido mais limpo do mundo”, antecipa – as primeiras estimativas da Toyota dão conta de emissões de apenas 25 gramas de CO2 por quilômetro rodado com etanol, em medição “do poço à roda”, que considera desde a produção do biocombustível até sua queima no motor e a reabsorção do gás de efeito estufa pela própria plantação de cana-de-açúcar.

BONS RESULTADOS



Ao mesmo tempo em que celebra o passado de 60 anos no País e planeja seu futuro, a Toyota comemora alguns de seus melhores resultados no Brasil e América Latina. Com 419 mil veículos entregues aos clientes em 40 países da região (exceção do México) em 2017, a divisão contribuiu com 17% do crescimento global da companhia, o maior porcentual entre todas as divisões no mundo, levando ao plano de adotar um até hoje inédito terceiro turno de trabalho em algumas de suas fábricas brasileiras (leia mais aqui). No Brasil a marca vendeu 190 mil unidades, cresceu 5% sobre 2016, marcando seu segundo ano consecutivo de expansão no País e registrando o segundo melhor desempenho neste mercado (só perde para os 195 mil veículos emplacados em 2014).

“Nossas fábricas estão operando em capacidade total em dois turnos, por isso estudamos introduzir o terceiro turno”, afirma Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil.



Ele refere-se às plantas do interior paulista em Indaiatuba, que fabrica o Corolla, e Sorocaba, onde são produzidos Etios hatch e sedã e que começará a fazer o Yaris a partir de junho, após investimento de R$ 1 bilhão. As duas em 2017 alcançaram o recorde de produção da Toyota no País, de 197 mil veículos. “Este ano deveremos crescer 5% e chegar a 200 mil”, projeta Chang.

Além das duas unidades de montagem de veículos, a fábrica de motores de Porto Feliz também opera a pleno vapor, recebe R$ 600 milhões para produzir novos propulsores, possivelmente 1.8 e 2.0 que se juntarão aos 1.3 e 1.5 já em linha. Em São Bernardo do Campo, onde a Toyota começou a produzir o Bandeirante em 1962, são fabricadas peças de motores, inclusive virabrequins exportados para o Corolla nos Estados Unidos.

A boa performance comercial da Toyota no Brasil está diretamente ligada à crescente boa reputação da fabricante. De acordo com pesquisa interna da companhia, a lealdade dos brasileiros à marca cresceu de 46% em 2012 para 68% em 2017 – considerando clientes que trocam um Toyota por outro. “É o segundo maior nível do mundo, à frente até dos Estados Unidos (63%) e só atrás do Japão (77%)”, destaca St. Angelo.

Entre os bons resultados de 2017, Miguel Fonseca, vice-presidente executivo de vendas da Toyota do Brasil, destaca as vendas do Corolla, que com 66 mil emplacamentos dominou 47% do segmento de sedãs médios e, com preços superam os R$ 100 mil, em dezembro foi o quarto carro mais vendido do País. A Hilux produzida na Argentina, com 32% de market share e 35 mil unidades, liderou pelo segundo ano consecutivo as vendas de picapes médias, com alta rentabilidade. O compacto Etios hatch e sedã chegou aos 73 mil vendidos, cresceu 8% sobre 2016 e teve seu melhor ano desde o lançamento em 2012, “graças principalmente ao Ciclo Toyota, que representou 40% das compras do modelo, em troca programada que aumentou a lealdade dos clientes”, lembra Fonseca.

Até as vendas do híbrido Prius começaram a avançar rápido após o lançamento da nova geração do modelo no País, em 2016. As 2.407 unidade emplacadas em 2017 representaram crescimento de 500%. “Com o melhor entendimento sobre o carro e sua tecnologia a tendência é crescer mais nesse segmento ainda nascente aqui”, avalia Fonseca. “O Brasil sofre as mesmas pressões do resto do mundo e também terá de adotar medidas para reduzir emissões. Achamos que o híbrido flex é a melhor solução para dar competitividade internacional ao País”, defende o executivo.

Ainda falta à Toyota melhorar sua participação no segmento de SUVs, o que mais cresce, atualmente só atendido no topo pelo SW4 que vem da Argentina (derivado da Hilux) e pelo RAV4 importado do Japão, do RAV 4, agora com preço reposicionado em duas versões 4x2 de R$ 130 mil ou R$ 140 mil. Estava nos planos trazer o compacto C-HR híbrido, mas a avaliação é de que, por enquanto, o custo não compensaria o esforço. Os planos de um SUV Toyota nacional só devem começar a se concretizar quando a empresa completar 61 anos no Brasil.

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DA HISTÓRIA DA TOYOTA NO BRASIL



1958
• A Toyota inaugura escritório em 23 de janeiro no centro da cidade de São Paulo, sua primeira operação fora do Japão.
• Em dezembro, também em São Paulo, no bairro do Ipiranga, começa a trabalhar a primeira linha de montagem dos kits CKD (Complete Knock-Down) das partes importadas do Land Cruiser, que no Brasil recebeu o nome de Bandeirante.


A primeira linha de montagem do Bandeirante em 1958 no bairro do Ipiranga, em São Paulo, o modelo na fábrica de São Bernardo em 1962 e o encerramento da produção, em 2001

1962
• Em terreno comprado um ano antes, começa a ser produzido na fábrica de São Bernardo do Campo o Bandeirante nacional (SP), que foi fabricado lá durante 40 anos.
• Em 1999 é alcançada a marca de 100 mil unidades fabricadas e em novembro de 2001 a produção é encerrada. A unidade passa a fabricar autopeças para a própria Toyota.

1998

Inauguração da linha de produção do Corolla em Indaiatuba, em 1998, nova geração em 2002 e marca de 1 milhão produzidos, em 2017

• Em setembro começa a operar a segunda fábrica da Toyota no Brasil, com a produção do sedã Corolla em Indaiatuba (SP), que recebeu investimento de US$ 150 milhões em terreno de 1,5 milhão de metros quadrados adquirido em 1996.
• Dois anos mais tarde foram investidos outros US$ 300 milhões para a modernização e ampliação. Em março de 2017, a unidade comemorou 1 milhão de Corolla produzidos, o sedã médio mais vendido do País atualmente.

2005
• Inauguração do Centro de Distribuição de Guaíba (RS), em área construída de 2,5 mil metros quadrados, que serve de portal das operações logísticas da Toyota entre o Brasil e a Argentina, para recebimento e adaptação dos utilitários Hilux e SW4 e de peças de reposição produzidas na planta de Zárate (Argentina).

2012

Akio Toyoda inaugura a fábrica de Sorocaba em 2012 para produzir o compacto Etios

• Com investimento inicial de US$ 600 milhões anunciado em 2010, começa a operação da terceira unidade fabril brasileira, em Sorocaba (SP), para produzir compacto Etios em versões hatchback e sedã.
• A capacidade de 74 mil veículos por ano foi expandida para 108 mil e a planta recebe investimentos adicionais de R$ 1 bilhão para a produção do Yaris a partir de junho de 2018.

2013
• Começam as importações do Prius, primeiro automóvel híbrido de produção em massa do mundo.

2015

Projeto SBC Reborn, lançado em 2015, revitalizou a planta de São Bernardo do Campo, com criação de um centro de desenvolvimento e design e um centro de visitas

• Em fevereiro é lançado o projeto SBC Reborn, com aporte de R$ 70 milhões para revitalização da planta de São Bernardo do Campo. A sede administrativa da Toyota é transferida de São Paulo para o ABC paulista. É adotado o terceiro turno no setor de forjaria, que produz peças para abastecer a fábrica de motores em Porto Feliz (SP). Em agosto de 2016 é inaugurado o primeiro Centro de Pesquisa Aplicada e de design da fabricante na América Latina, para integrar atividades relacionadas à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e fornecedores. Em agosto de 2017 o projeto foi concluído com a abertura do Centro de Visitas da montadora.
• Em dezembro de 2015 é inaugurado o novo centro de distribuição com capacidade para 40 mil veículos na área portuária de Suape, região metropolitana de Recife (PE), com investimento de R$ 2,4 milhões e área total de 23 mil metros quadrados para aprimorar a operação logística da empresa na região Nordeste.

2016
• Em maio é inaugurada a fábrica de motores em Porto Feliz (SP), que recebeu investimentos de R$ 580 milhões para produzir os propulsores Dual VVT-i 1.3 e 1.5, de quatro cilindros, flex fuel e gasolina, que equipam o compacto Etios vendido no Brasil e países da América Latina.
2017
• Em abril, menos de um ano após sua abertura, a fábrica de motores bateu a marca de 100 mil unidades produzidas. Em setembro, a Toyota firmou compromisso de investir mais R$ 600 milhões para ampliar a planta para a fabricação de propulsores para outros automóveis da marca produzidos no País a partir do segundo semestre de 2019.



Tags: Toyota Brasil 60 anos, aniversário, indústria, fábricas.

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