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13/11/2017 | 17h46

Negócios

Renschler vê VWCO como marca global

Em rota internacional, e-Delivery elétrico pode chegar à Europa


PEDRO KUTNEY, AB | De Porto Alegre (RS)

Cortes e Renschler ao lado do projeto brasileiro e-Delivery
Em visita ao Brasil, Andreas Renschler, CEO da Volkswagen Truck&Bus, afirmou que vê grande potencial de transformar a VWCO em marca global, especialmente depois do recente lançamento da nova família Delivery. “Vemos a Volkswagen Caminhões e Ônibus com importância tão grande quanto as outras fabricantes do grupo, MAN e Scania, e nos próximos anos a marca deverá elevar substancialmente suas exportações. Isso já acontece na América Latina, mas também deve haver expansão para outros mercados, como África e até Europa em certos casos”, disse o executivo em breve entrevista durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, o EEBA 2017, que acontece segunda e terça-feira, 13 e 14, em Porto Alegre (RS).

“Para exportar à Europa existem certas restrições, principalmente quanto à legislação de emissões Euro 6 em vigor atualmente. Mas o Delivery é um produto que pode entrar em alguns mercados europeus, principalmente no sul do continente”, avalia Renscheler. Por isso, outra aposta é que a versão elétrica do caminhão, o e-Delivery, tem potencial para ganhar clientes na Europa, onde a eletrificação avança mais rápido. O modelo 100% elétrico foi apresentado mês passado em encontro do grupo VWT&B na Alemanha, logo depois no Brasil durante a Fenatran e também está em exposição no EEBA 2017, na sede da Fiergs. No início de 2018 os dois protótipos construídos do e-Delivery serão colocados para rodar em testes na frota de distribuição de bebidas da Ambev na cidade de São Paulo. A intenção é lançar comercialmente o veículo em 2020. “Ele é muito apropriado para entregas urbanas a clientes finais. Acho que tem boas chances na Europa”, diz o executivo.

“Em passado recente, cerca de 85% das vendas de caminhões Volkswagen eram no Brasil, só 15% fora do País. Com a internacionalização da marca esse porcentual de exportações deve crescer para 30% a 35%”, reforça Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, dona oficial da marca VWCO. “Vamos fazer o processo de internacionalização em três fases: primeiro, queremos crescer onde já estamos, principalmente nos países latino-americanos, depois vamos explorar novos mercado e, por fim, tentar entrar em países desenvolvidos”, acrescenta Cortes.

ABERTURA COMERCIAL

Também presidente para a região da América Latina da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), entidade que veio oficialmente representar no EEBA 2017, Renschler defendeu a maior abertura do mercado brasileiro e a assinatura do tratado de comércio entre Mercosul e União Europeia, negociado há cerca de 20 anos sem evoluções. “O Brasil não é um mercado aberto e isso tira sua competitividade, porque se protege o que já está no mercado e não se acompanha a velocidade das inovações. Este é um problema para o País, que vive o dilema entre abrir sua economia e proteger a indústria local. A questão é quanto tempo se leva para ser competitivo. Se não começar a abrir, não haverá evoluções e a competitividade internacional continuará baixa”, defende. “Claro que o Brasil está melhor do que há 30 anos, mas tem muito a evoluir, veja o exemplo da lei de informática, só depois da abertura o setor evoluiu”, recorda.

Para Renschler, o e-Delivery demonstra a capacidade de evolução da indústria nacional e é uma tecnologia viável. Falando sobre o caminhão pesado elétrico que a Tesla deve apresentar nos próximos dias, o executivo foi prático: “Claro que poderia fazer caminhões pesados com autonomia de centenas de quilômetros, mas somos companhias diferentes. Não fazemos veículos para demonstração. Fazemos coisas que os clientes podem usar. Quer um caminhão com célula de combustível? Nós podemos fazer, mas quem pagaria milhões de euros por ele?”, alfineta.

Nesse sentido, o executivo avalia que a eletrificação é só parte da solução para reduzir emissões, que passa também pela adoção de combustíveis sintéticos como o e-gas e o e-diesel, produzidos a partir de hidrogênio, e biocombustíveis como o etanol, biodiesel e biometano. “O Brasil tem grandes chances de liderar esse processo no mundo devido à sua fartura de recursos para produzir etanol, biodiesel ou mesmo biogás”, afirma.

NAVISTAR

Sobre como deverá evoluir a parceria com a norte-americana Navistar, que no ano passado vendeu 16% de participação à VWT&B, Renschler diz que o objetivo central foi entrar no mercado dos Estados Unidos. “É o mais rentável do mundo. Temos de estar lá. Depois vamos ver gradualmente como a sociedade pode evoluir. Já estamos desenvolvendo transmissões e ônibus escolares elétricos. Nossa ideia é aumentar ao máximo as sinergias, o que envolve também a produção de partes dentro e fora do grupo”, disse, em referência à fábrica de motores da Navistar no Brasil, a MWM, que já produz e fornece motores MAN. “Não sabemos ainda como vai ficar no Brasil, mas isso será decidido aos poucos, conforme a parceria evoluir”, explica.

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