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26/10/2017 | 21h10

Indústria

FCA atinge meta de consumo, mas fica sem desconto extra de IPI

Montadora agora aguarda Rota 2030 e novo desafio para até 15% de economia


MÁRIO CURCIO, AB | De Tuiuti (SP)

A FCA Fiat Chrysler conseguiu cumprir a meta de redução de consumo de 12% imposta pelo programa Inovar-Auto e está certa de que haverá mais desafios com a nova política industrial Rota 2030: “Acreditamos que o novo programa vai estabelecer algo entre 10% e 15% de redução de consumo”, afirma o gerente de plataforma fuel safe, Sandro Soares.

Ele admite que a Fiat não buscou a redução de 15,4% no consumo, necessária para a obtenção de um ponto porcentual de abatimento no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), “porque haveria um balanço negativo, o investimento necessário seria maior que o retorno”. Isso ocorre porque a redução de consumo é aferida a partir de todos os carros vendidos pela montadora e, no caso da FCA, entram nessa conta os veículos pequenos e atualizados mas também modelos maiores e naturalmente mais gastões, nacionais e importados.

Vale dizer que Audi, Ford e Nissan alcançaram essa meta em outubro de 2016 e por isso já vêm utilizando em 2017 o benefício do abatimento do IPI (veja aqui).

Em evento sobre eficiência energética realizado pela FCA, o executivo falou das tecnologias aplicadas ao modelo Argo e em outros carros do grupo. Entre os investimentos feitos no Brasil para atender às metas de eficiência energética impostas pelo Inovar-Auto está a reformulação da fábrica de motores, que consumiu R$ 1 bilhão.

No pequeno Fiat Mobi, lançado em abril de 2016, a empresa empregou R$ 1,3 bilhão. E o novo Argo custou mais R$ 1,5 bilhão. “Não consigo dizer quanto investimos somente em eficiência energética porque seria difícil separar isso da evolução do portfólio”, afirma Soares.

“Somente em pneus temos de lidar com o atrito com o solo, com o aro, com o ar externo e interno e também com a histerese (deformação) do material. Tudo isso são fontes de perda de energia que nos levam a procurar a ajuda dos fabricantes”, diz Soares, citando Bridgestone, Continental, Dunlop e Pirelli como fornecedoras do Argo.

O executivo informa que esses fabricantes atenderam não só aos requisitos de baixa resistência ao rolamento (e, portanto, de economia de combustível), mas também de conforto, segurança e dirigibilidade em diferentes condições.

A redução de consumo conseguida com o Argo e outros Fiat também ocorre a partir de componentes atualizados como eletroventiladores (ventoinhas) sem escovas e alternadores inteligentes, tudo para “roubar” menos energia do motor em funcionamento: “Todo novo carro exige entendimento com fornecedores como Magneti Marelli, Bosch, Denso ou Valeo, por exemplo, porque nem tudo o que precisamos são ‘itens de prateleira’, prontos para ser instalados”, recorda Soares.

Outros trabalhos para redução de consumo foram feitos a partir da utilização de maior quantidade de aços de alta resistência, que permitiram a produção de um automóvel mais leve e seguro. Segundo a Fiat, na comparação com o Punto, a carroceria do Argo pesa 42 quilos a menos, apesar de ser mais espaçosa. Ela também tem rigidez à torção 7% maior e utiliza suspensões 12,8 kg mais leves.

A utilização de apêndices aerodinâmicos, do sistema Start-Stop, do indicador de troca de marcha, da direção com assistência elétrica e de lubrificantes de motor e transmissão mais modernos e com menor viscosidade também contribuíram para a redução de consumo.

Veja a seguir os itens aplicados no Argo e a economia obtida*:

Motor 1.8 e novo câmbio – 5%
Pneus de baixa resistência ao rolamento – 4,5%
Aerodinâmica – 2%
Lubrificantes de motor e câmbio – 1%
Direção elétrica (em vez de hidráulica) – 1%
Start-Stop – 3%
Alternador inteligente – 1,5%
Troca de marchas no momento apropriado – 1,4%

*Resultados a partir da comparação entre o antigo Punto 1.6 Sporting e o Argo HGT 1.8, ambos com câmbio manual

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