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18/10/2017 | 23h49

Tecnologia

FCA cria simulador de condução para baixar custos de desenvolvimento

Estimulada pelo Inovar-Auto, companhia investiu R$ 18 milhões no SIMCenter


GIOVANNA RIATO, AB

Montadora quer simular até mesmo o vento no rosto nos testes no SIMCenter
A FCA (Fiat Chrysler Automobiles) aproveitou o Inovar-Auto para subir o patamar de sua área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e instalou na PUC Minas um simulador de condução inédito no Brasil, o SIMCenter. Segundo a companhia, é o primeiro dispositivo com tecnologia tão avançada a chegar ao Hemisfério Sul. A ideia é garantir experiência ao volante equivalente a de uma estrada real. “É uma matrix”, comenta Vinicius Leal, gerente da área de suspensão da montadora. A novidade foi inaugurada na quarta-feira, 18. O uso do dispositivo será compartilhado com o curso de engenharia da universidade, com metade do tempo destinado à empresa e outra metade garantida à PUC.

A experiência digital tem potencial para aumentar a velocidade da engenharia nacional da FCA, que estima que, com o equipamento, poderá reduzir em alguns meses o desenvolvimento de um carro novo - e isso garantirá economia de alguns bons milhões de reais. O software do simulador é abastecido com a modelagem numérica e geométrica de cada componente do carro. Com esses dados, o equipamento é capaz de simular a performance do automóvel com determinado componente ou configuração, como um pneu ou ajuste de suspensão.
Assim, são geradas informações para nortear o trabalho dos engenheiros da companhia e simular a experiência ao volante. “A qualidade também melhora, porque o simulador torna viável o teste de um número maior de componentes, com agilidade e menos custo”, diz Leal. Apenas depois da simulação virtual, a companhia fará um protótipo físico do modelo, com precisão bem maior para testes em estradas de verdade.

INVESTIMENTO DE R$ 18 MILHÕES MOTIVADO PELO INOVAR-AUTO

A gestação do projeto começou há três anos, quando a companhia buscava meios de atender às metas impostas pelo Inovar-Auto de investimento em pesquisa e e desenvolvimento - as empresas inscritas no regime automotivo se comprometeram a fazer aportes mínimos na área. “Sem o programa provavelmente a FCA não teria instalado essa tecnologia no Brasil neste momento”, admite Leandro Quadros, engenheiro de produto da companhia. A fabricante aplicou R$ 18 milhões no projeto, financiados pelo BNDES. “Analisamos a legislação e entendemos que a intenção ali não era simplesmente estimular as empresas a fazer melhoria contínua, mas sim a subir de patamar e inovar. Fomos atrás disso”, diz.

Quadros conta ter buscado as mais avançadas referências globais. “Visitamos os simuladores mais avançados e agora temos no Brasil um dos sistemas mais realistas do mundo”, afirma. Com suporte da equipe da Alfa Romeo (uma das marcas do grupo) na Itália, o projeto foi capitaneado pelo time brasileiro de dinâmica veicular, responsável por trabalhar o desenvolvimento do chassi do veículo, além da direção, freios e sistemas de controle, como ABS e ESC. “Com o avanço do projeto, percebemos que as possibilidades vão muito além deste departamento”, conta o especialista.

Segundo a companhia, é possível testar desde o design interno de um carro, passando pelo comportamento do condutor com medições precisas de seu nível de atenção e olhar, até a simulação de uma estrada antes que ela seja construída. Assim, dali podem sair soluções de engenharia de tráfego, de interação do carro com o meio ou do homem com a máquina.

TECNOLOGIA E COLABORAÇÃO COM A ACADEMIA

Longe de ser uma obrigação do Inovar-Auto, a decisão de instalar o SIMCenter dentro de uma universidade foi totalmente da FCA, diz Leandro. “Entendemos que este é o melhor formato para aproveitar todo o potencial da tecnologia. Garantimos espaço para fazer os nossos desenvolvimentos, mas também para que outros temas sejam avaliados ali. Podemos participar do que for interessante para a companhia e desenvolver talentos dos cursos da instituição que poderão entrar para o nosso time no futuro.”

A empresa buscou uma relação de ganha-ganha e parece efetivamente ter encontrado. O sistema que acaba de ser inaugurado atrai a atenção de qualquer estudante de engenharia. Por outro lado, a FCA fomenta e fica próxima do ecossistema de inovação. “A universidade é um ambiente fértil. Algumas tecnologias são muito futuristas e, em uma empresa, pode ser difícil avançar em projetos sem aplicação imediata. Por isso a parceria é tão importante para nós”, avalia o executivo.

UM CARRO NA MATRIX

O SIMCenter é equipado com uma tela em curva que garante a simulação de ângulo de visão de 230 graus para o motorista. Para a inauguração da tecnologia, a FCA carregou o sistema com os dados do Jeep Renegade 1.8 Flex. A carroceria do dispositivo é justamente a do modelo, mas o software pode ser atualizado para que sejam testados ali os mais diversos veículos, de compactos, a esportivos, passando inclusive por caminhões - mediante algumas adaptações.

A sensação ao dirigir é bastante verossímil, com exceção dos freios, que ainda não estão calibrados com tanta precisão e demoram a responder. É um ajuste que a empresa deve fazer em breve. Há planos ainda de simular até o vento no rosto para o motorista, tornando a experiência ainda mais real. A condução é supervisionada por engenheiros em uma sala de controle. Ali eles recebem todos os dados, a telemetria complexa da condução necessária para o desenvolvimento de um automóvel.


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