NOTÍCIAS
15/10/2017 | 14h00

Comerciais

Mercedes-Benz quer crescer 20% com o mercado

Focada nos pesados, montadora também quer manter a liderança em 2018


SUELI REIS, AB

Crescer 20% com o mercado e segurar a liderança de vendas mantendo 28% de participação nas vendas de caminhões acima de 6 toneladas de PBT. Esta é em suma a meta de Mercedes-Benz para 2018, assegurando que o desempenho do setor aponta para viés positivo no ano que vem. O foco será o segmento pesado ou extrapesado, como as próprias montadoras costumam denominar, e a estratégia não é à toa: é o único segmento que apresentou crescimento, pelo menos até o fechamento do acumulado entre janeiro e setembro na comparação com mesmo período do ano passado, com vendas 7% maiores, para 12,5 mil unidades.

“Pelo nível de consulta que temos visto, o extrapesado descolou [do ambiente político ruim] e começou a andar sozinho. É um bom sinal, normalmente é o segmento que puxa o mercado: é o primeiro que sente [a queda], mas também é o primeiro que volta”, explica o vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços para caminhões e ônibus, Roberto Leoncini, ao analisar o cenário atual do mercado de caminhões.

Embora o setor ainda registre queda de 9% das vendas de caminhões no acumulado até setembro, para Leoncini, este é um sinal extremamente positivo, considerando que a queda já foi da ordem de 30%. Para 2017, ele afirma que este último quadrimestre será melhor, se manter o ritmo verificado em setembro, quando as vendas de caminhões atingiram média mensal de vendas de 210 unidades/dia útil, a melhor média mensal do ano e dos últimos 14 meses. “Se isso continuar, devemos crescer um pouco mais do que 2016”, se arrisca. “No mercado em geral, acredito que deve haver um empate com 2016, com 47 mil ou 48 mil unidades, sempre considerando os segmentos acima das 6 toneladas, mas vai depender do último trimestre”, aponta. “O que está claro é que o negócio descolou da manchete do jornal”.

Leoncini argumenta que o otimismo da empresa ao projetar que o mercado vai reagir em 2018, com crescimento previsto em 20% sobre o resultado de 2017, está baseado em fatores que influenciam diretamente a roda da economia e na estabilidade de alguns desses indicadores econômicos. Ele cita a expansão das vendas no varejo nacional, cujo aumento está previsto em 3% para 2018, bem como a redução de índices importantes como a taxa de desemprego (-0,1%, para 12%), taxa de inadimplência de PF (-0,1%, para 5,4%) e a taxa de inadimplência das empresas (-0,9%, para 4,3%). “Também há mais confiança do consumidor. Definitivamente, começa uma tendência de crescimento do mercado e isso implica em mais transporte de mercadorias.”

“A tomada de decisão por renovação de frota está começando a acontecer, não em toda a potencialidade que tem para isso, mas já se iniciou um processo”, conta Leoncini. “Grandes frotistas do extrapesado, por exemplo, estão cotando volumes entre 10 a 50 unidades, mas se olhar o potencial e o que tem que fazer para renovar a frota, ele tem que renovar com 100, 150 caminhões. Esse momento pode ser que aconteça em 2018, agora, neste ano, não acontece.”

Também há ainda sinais de retomada em segmentos que podem começar a alavancar os segmentos médios e semipesados, indicando alguma movimentação neste fim de ano, com grandes concorrências do setor de bebidas. Já nos setores onde o caminhão pesado/extrapesado é atuante há maior movimentação. Leoncini diz que eles vão continuar puxando as atividades em 2018, a maioria ligada ao agronegócio, mas também há movimentos nos setores como a cana, mineração, madeira. Embora a construção civil seja muito importante, está tudo parado. Mas há coisas que começam a acontecer na mineração, com retomadas de projetos, abertura de novas minas. Atenta também no segmento de off-road, a montadora acaba de fechar a venda de 50 unidades do Actros 4844 8x4 basculante para a operadora Fagundes Construção e Mineração, da região Sul. Os modelos são importados da Alemanha.

Leoncini indica que apesar de estar somente no início da retomada, a montadora continua estudando a questão do preço para o cliente. “Definitivamente, a indústria – e não estou falando só de Mercedes-Benz – precisa ir para um outro patamar de preço. Por mais que temos feito o esforço dentro de casa, os níveis de preço estão incompatíveis com os níveis de custo; tem que ter uma recomposição do preço, claro, sempre entendendo a situação do transportador e a situação do frete.”

MUDAR FEZ BEM À MERCEDES-BENZ

Sobre sua participação de mercado, que em setembro fechou em 28,5%, a Mercedes-Benz faz questão de destacar seu avanço após adotar nova postura de ir ao cliente e ouvir sobre suas necessidades, o que trouxe inovações e novas soluções em produtos e serviços. “Estávamos certos em mudar a postura de nos aproximar mais dos clientes, dos motoristas. A Mercedes-Benz não vem fazendo voo de galinha em termos de participação do mercado, temos mantido a liderança nos últimos doze meses e no acumulado. Nos dá tranquilidade de continuar trilhando nesse caminho que está dando certo. É o que vem trazendo consistência, apesar de o mercado não estar em um volume satisfatório: nenhuma montadora gosta de ver esses 29 ou 30 mil de mercado total”, afirma.

No segmento pesado/extrapesado, a montadora registra avanço importante, de 6 pontos porcentuais em 4 anos, passando de 19% em 2013 para 25,4% no acumulado deste ano até agora. “Com essa mudança de postura e de produtos, fica claro que o mercado responde ao que a Mercedes-Benz está entregando hoje. Mas esta ainda não é a posição que a M-B quer; tem competência para muito mais do que isso, tem produto e posicionamento para ser líder de mercado e é isso que a M-B quer. O mercado vai crescer 20% em 2018, é com esse número que estamos fazendo contas, falando com concessionários e preparando as equipes. É um número que vamos perseguir e logicamente, se o mercado crescer 20%, a Mercedes vai acompanhar e continuar com essa posição de líder, com 28,5 ou 28,7% também em 2018, crescendo em todos os segmentos em que atua, incluindo o off-road, onde já temos 60% de market share.”

Para continuar nessa toada, a montadora aposta todas as suas fichas nesta Fenatran, onde está mostrando sua linha de caminhões 2018, que entre as novidades destaca o novo Accelo com cabine estendida e o novo Axor com piso plano e pacote Econfort. “Estamos focados na consistência da nossa estratégia que não é só produto, é entregar e saber o que o cliente quer.”

“A Fenatran vai ser um momento decisivo em termos de projetar volumes de vendas do mercado para 2018. É uma feira forte e pode ser esse divisor de águas; é onde os clientes vão sentar para falar de renovação de frota para 2018”, comenta o executivo sobre a feira. “O certo é que ninguém vai ampliar frota, a não ser que esteja ‘tomando’ tonelagem de outro transportador. Se a economia crescer 1% (PIB, projeção 2018), vamos ter aumento de carga e esse transportador tem que renovar, senão, o custo dele vai inviabilizar a operação. Todas as empresas ligadas ao agronegócio são as que renovam levando em conta o custo da operação.”

Ele ainda revela que a Mercedes-Benz tem o sentimento de arrependimento de não ter participado da última edição, em 2015 (quando DAF e Volvo foram as únicas montadoras presentes no evento). “Por isso, vamos fazer uma volta de gala.”

A cobertura de Automotive Business é patrocinada por Carcon Automotive e Automechanika Frankfurt.

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 22/11/2017
Frota brasileira de 42 milhões exige controle apropriado

Esta coluna é apoiada por:

Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
AUTOINFORME | 09/11/2017
Luguez firmou parceria com o governo de Ohio
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes
Novas palavras, expressões e siglas podem levantar dúvidas sobre o futuro
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
DE CARRO POR AÍ | 17/11/2017
Chineses entregam operação brasileira à administração dos brasileiros
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
INOVAÇÃO | 25/10/2017
Indústria precisa questionar qual será o seu papel no futuro