NOTÍCIAS
29/09/2017 | 18h30

Autopeças

BorgWarner amplia produção de correntes no Brasil

Capacidade já foi duplicada para 1 milhão de peças por ano


PEDRO KUTNEY, AB

Lentini, da divisão Morse System da BorgWarner: produção acelerada de correntes de sincronismo
Inaugurada há apenas cinco meses, a linha de produção de correntes de sincronismo da BorgWarner em Itatiba (SP) já duplicou sua capacidade de 500 mil para 1 milhão de unidades/ano. Com a introdução de novos motores no País que usam corrente (em vez da correia dentada de borracha) para reduzir consumo e aumentar a durabilidade, os pedidos das montadoras começaram a se multiplicar. Este ano a divisão Morse Systems, responsável pela fabricação de todos os elementos do sistema de sincronização, deve entregar 150 mil kits (inclui corrente, tensor, polias e braços) e em 2018 o volume projetado é de 550 mil, um crescimento de 266%.

“Muitas montadoras reconhecem as vantagens da corrente em seus novos projetos, por isso decidimos investir na fabricação no Brasil e já aumentamos a capacidade de produção”, explica Wilson Lentini, gerente geral da divisão Morse Systems no Brasil. O maior cliente é a Fiat, que usa as correntes fornecidas pela BorgWarner nos motores Firefly 1.0 três-cilindros e 1.3 quatro-cilindros, lançados em 2016 e utilizados atualmente no Mobi, Uno e Argo. A Renault também começou a comprar o componente para aplicação no seu tricilíndrico 1.0 que equipa o recém-lançado Kwid.

“Ainda não podemos dizer quem são os próximos, mas no ano que vem de dois a três novos motores devem usar nossa corrente”, revela Lentini. Um dos potenciais é a Hyundai, caso decida fazer seus motores no Brasil, porque a BorgWarner fornece correntes para a montadora na Coreia, que já vêm montadas nos propulsores para equipar os modelos da marca vendidos no mercado brasileiro.

“Com as encomendas que já temos e outras em processo de cotação, é possível que até 2019 estejamos usando toda a capacidade de produção de correntes em Itatiba”, projeta Daniel Luchete Roque, gerente de contas da Morse System. “Existe demanda crescente para localizar componentes, pois ninguém gosta de viver com variação cambial”, diz.

Roque destaca que a adoção de correntes de sincronismo em novos projetos é uma tendência global. Todos os motores de alta performance já usam, mas há alguns anos a tecnologia está sendo empregada também em carros populares de entrada, como é o caso do Kwid. “Especialmente em motores três-cilindros, que costumam apresentar níveis maiores de ruído e vibrações, a corrente atenua isso”, explica Roque.



BAIXO RUÍDO, SEM MANUTENÇÃO

Apesar de mais caras, as correntes apresentam vantagens sobre as correias dentadas de borracha: o atrito é 25% menor, o que reduz consumo, ruídos e vibrações, e o item é projetado para durar a vida inteira do motor, sem necessidade de manutenção – desde que seja mantido o nível adequado de óleo e que as trocas do lubrificante sejam feitas regularmente no período certo e com o produto especificado pelo fabricante do veículo. “Já foram abertos motores com mais de 1 milhão de quilômetros sem nenhum desgaste da corrente ou dos componentes do sistema”, destaca Lentini.

“Por causa dessas características (durabilidade e preço maiores), normalmente as correias de borracha são indicadas pelo departamento de compras da montadora e as correntes são colocadas no projeto pela engenharia”, diz Roque. Todo o fornecimento é direto para as linhas de produção de veículos. A BorgWarner não trabalha diretamente no mercado de reposição com correntes de sincronismo: “Por contrato só fornecemos para os fabricantes, que em caso de necessidade abastecem as concessionárias para eventuais reparos. Mas isso é raro, o volume é muito pequeno, para um ou outro caso de substituição, porque a corrente não precisa de manutenção”, reforça.

No mundo a empresa tem três concorrentes no segmento, mas no Brasil é a única que produz localmente o componente. Lentini afirma que as correntes feitas em Itatiba têm cerca de 60% de nacionalização. Mas todos os elos e pinos vêm de fábricas da própria empresa na Itália, no Japão e nos Estados Unidos. “São elementos feitos por estampagem de alta precisão, em processo que a BorgWarner quer manter dentro de casa para garantir a qualidade”, informa o executivo.

Localizada na mesma planta onde também funciona a unidade de turbocompressores da BorgWarner, a linha de produção da Morse System em Itatiba é altamente automatizada, com máquinas feitas pela própria empresa. Poucas pessoas trabalham no local, com funções primárias de abastecimento de peças e de montagem dos kits finais. Segundo Lentini, a unidade é flexível e está pronta para fabricar qualquer tipo de corrente de sincronismo de motor.

Outro produto da Morse Systems que poderá ser feito no Brasil é o variador de fase, para motores com comando variável de válvulas. Existem estudos para produzir o componente em Itatiba a partir de 2019. A divisão da BorgWarner, a mais antiga do grupo com 130 anos, tem também no portfólio correntes para transmissão automática, mas para essas ainda não há plano de produção local.

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 15/11/2017
Mudança na mobilidade domina discussões do Congresso SAE Brasil

Esta coluna é apoiada por:

Documento sem título
Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
DE CARRO POR AÍ | 17/11/2017
Chineses entregam operação brasileira à administração dos brasileiros
INOVAÇÃO | 25/10/2017
Indústria precisa questionar qual será o seu papel no futuro
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
AUTOINFORME | 09/11/2017
Luguez firmou parceria com o governo de Ohio
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes
Novas palavras, expressões e siglas podem levantar dúvidas sobre o futuro