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18/09/2017 | 14h49

Indústria

Brasil precisa atender norma global para exportar veículos

Principais mercados já se adaptam à nova medição de emissões WLTP


GIOVANNA RIATO, AB

Klizas, da Jato, alerta que exportar não será tão simples nos próximos anos
Se a indústria brasileira pretende seguir com a crescente exportação de veículos, será necessário adequar os produtos feitos aqui a padrões internacionais de eficiência energética e segurança. Entre as principais adequações, uma das mais importantes é a nova norma global de medição de emissões de CO2 dos veículos, chamada WLTP (Wordwide Harmonized Light Vehicle Test Procedure), que leva em conta maior número de fatores para aferir o consumo dos carros e definir a tributação. A partir da virada da década, todos os países membros da União Europeia e diversos outros vão passar a adotar esse tipo de medição mais precisa, e quem não desenvolver carros sob essa ótica corre o risco de ficar de fora desses mercados, conforme alertou Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics no Brasil, que abordou o assunto durante o Workshop Legislação Automotiva promovido por Automotive Business na segunda-feira, 18, em São Paulo.

As regras do WLTP entram em vigor em 2021 nos países que aderiram. “A Europa já entrou, seguida pela Turquia. Uma série de outros mercados importantes planeja a sua agenda para a WLTP, como China e Índia”, conta o consultor, deixando claro que os produtos que não se adequarem às normas terão participação internacional bastante restrita. Pelas regras, a tributação dos carros vai variar de acordo com o consumo, garantindo mais competitividade aos modelos econômicos.

Em resumo, a iniciativa vai harmonizar os parâmetros usados para medir consumo/emissões e definir tributação entre os países, mas torna mais refinado (e complexo) o teste veicular, que passa a levar em conta não só o powertrain, mas também o peso/massa do carro, resistência ao rolamento dos pneus e aerodinâmica. “Os resultados dos testes de consumo da WLTP podem ser alterados com simples variações de itens nos carros de uma mesma linha. Versões de duas ou quatro portas, por exemplo, poderão exigir testes separados”, alerta. Com isso, a análise será bem mais refinada do que o simples ciclo de bancada para aferir emissões feito atualmente.

Klizas aponta que o Brasil precisa ter esses aspectos em vista se quiser ampliar suas exportações nos próximos anos. “Subimos de patamar, mas não vamos conseguir ir muito além disso sem adequação às normas WLTP, que afetam todas as fabricantes em todo o mundo. Exportar não é tão simples”, resume.

BRASIL BUSCA REDUÇÃO DO CONSUMO E SEGURANÇA LOCAIS

O Rota 2030, programa de desenvolvimento para o setor automotivo que está em discussão entre governo e representantes da indústria, promete desenhar um caminho para que a produção nacional acompanhe a evolução global nos próximos anos. Por enquanto, não há qualquer notícia de que o programa aborde a WLTP. De qualquer forma, a promessa é que os carros brasileiros continuem avançando em eficiência energética.

O plano é definir quatro ciclos obrigatórios de cinco anos para redução do consumo de combustível e das emissões. Em paralelo, o País deve avançar em segurança veicular. Edison Orikassa, presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), apresentou no Workshop algumas tecnologias que devem entrar no cronograma da compulsório da indústria automotiva local até 2030.

Entre as iniciativas propostas, está o fortalecimento da estrutura das carrocerias para suportar impactos laterais, sistema de frenagem autônoma diante de obstáculo fixo ou móvel, utilização de sensores como radar e câmeras, além de itens mais conhecidos, como luz diurna (DRL). “Estamos estudando em quanto tempo e em qual ritmo podemos adotar essas novidades”, diz.

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