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12/09/2017 | 18h48

Comerciais

Caminhões: meta de eficiência energética esbarra em montadoras

Rota 2030 pode demorar 10 anos para definir limites de consumo e de emissões


GIOVANNA RIATO, AB

O Rota 2030, novo conjunto de regras para a indústria automotiva, vai impor metas de eficiência energética não só para veículos leves, mas também para caminhões e ônibus. Esta promessa do programa, no entanto, deve demorar algum tempo para se concretizar aparentemente por resistência das montadoras. “A ideia que está em discussão é começar as medições depois da implementação do Euro 6 (prevista para 2022) para, em 2027, definir metas a serem alcançadas no fim da década”, conta Luis Afonso Pasquotto, presidente da fabricante de motores diesel Cummins e do Simea, simpósio de engenharia da AEA (Associação de Engenharia Automotiva) que acontece entre 12 e 13 de setembro em São Paulo.

O executivo reconhece que a demora de 10 anos apenas para definir as metas é um tanto exagerada. “Há um consenso de trabalhar com um software europeu para aferir a eficiência dos pesados, já que a maior parte das fabricantes é desta região. A questão é que uma série de empresas, como a Cummins, sugeriu a implementação mais rápida de um sistema simplificado, dos Estados Unidos, para que a gente comece antes e depois refine, mas há certa polemica em torno disso”, conta, sem entrar em detalhes.

Não é a primeira vez que fabricantes de veículos viram obstáculo para a elaboração de metas de eficiência energética no Brasil. Em 2012, quando o Inovar-Auto estava em gestação no governo, pessoas envolvidas no desenho do programa confirmaram que as montadoras tentavam barrar o avanço da exigência de redução do consumo e das emissões dos carros. Hoje a eficiência energética é vista como uma das grandes vitórias do Inovar-Auto, que termina no fim de 2017. Dados indicam que, por causa da legislação, o consumo de combustível dos carros vendidos no Brasil diminuiu 15% nos últimos cinco anos (leia aqui).

Comentários: 2
 

Almir
13/09/2017 | 09h09
O texto é tendencioso visto que não menciona o atraso de 2 anos do governo para produção e distribuição do Diesel S10 necessário para a meta anterior de redução de emissões. As montadoras já detém a tecnologia, visto que os programas no governo brasileiro são cópias dos já implantados na Europa. A restrição das montadoras deve-se em partes para a questão de aumento de preço dos veículos.

Alexandre
18/09/2017 | 10h05
A ausência de metas para os pesados até hoje não impediu que o consumo de combustível dos caminhões diminuísse em cerca de 10% nos últimos 10 anos. O consumo de combustível tem influência direta e significativa nos custos operacionais de um caminhão, de forma que o próprio mercado exerce grande e crescente pressão sobre os fabricantes por maior eficiência. A preocupação das montadoras é que a imposição de metas venha a criar uma situação em que o cliente se veja obrigado a pagar por tecnologias nas quais ele ainda não está disposto a investir. Quanto ao prazo, tome-se como referência o fato de que estas metas estão em discussão na Comissão Ambiental da União Européia desde 2007, pelo menos, e nenhuma meta será estabelecida antes de 2023, ou seja, pelo menos 4 anos após a introdução do software de simulação e da aferição de emissões em aplicação real do veículo. Não é algo trivial e não pode ser encarado de forma simplista.

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