NOTÍCIAS
12/09/2017 | 17h42

Indústria

Rota 2030: legislação sai ainda em setembro

IPI dos carros será definido por cilindrada, não por eficiência energética


GIOVANNA RIATO, AB

Em comunicado, o governo desmente as informações sobre o Rota 2030 dadas por Luiz Miguel Falcão à reportagem. Confira aqui.

O Rota 2030, como é chamado o conjunto de regras que vai guiar a indústria automotiva nos próximos anos, terá aspectos tributários definidos até o fim de setembro. “Em breve sairá a medida provisória com alterações legais e o decreto vem até o fim do mês”, conta Luiz Miguel Falcão, coordenador da secretaria de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Ele participou da abertura do Simea, simpósio de engenharia da AEA (Associação de Engenharia Automotiva) que acontece entre 12 e 13 de setembro em São Paulo.

Falcão está envolvido no desenho do programa e confirma que, a partir de janeiro de 2018, termina a cobrança do IPI adicional de 30 pontos porcentuais que serviu de base para a construção das regras do Inovar-Auto, que vale até o fim de 2017. Ele diz que a alíquota deve voltar a ser cobrada apenas com base na cilindrada do carro, não por eficiência energética, como se especulou anteriormente. “É uma ideia interessante, mas muito complexa porque estaria relacionada também ao volume de vendas dos carros. Por isso deve ficar para o médio prazo”, esclarece.

Cauteloso, ele evitou divulgar qualquer outro detalhe do programa, que já deve ter muitos aspectos definidos para a publicação neste mês, que será focada em aspectos tributários e, portanto, mais complexos. “Vamos seguir desenhando uma série de regras depois disso”, diz, citando os grupos de trabalho que reúnem governo e entidades como Sindipeças e Anfavea para definir as metas de eficiência energética, de segurança, de conteúdo tecnológico dos carros, além de ações para fortalecer a cadeia produtiva, entre outras.

SIMPLIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS E APOIO AOS FORNECEDORES

O coordenador do MDIC faz questão de enfatizar que o Inovar-Auto, apesar de ter fracassado em alguns aspectos - como o fortalecimento da cadeia de fornecedores, foi elaborado em outro contexto. “Tínhamos mercado crescente e cambio favorável à importação de carros. De qualquer forma, o programa elevou o patamar dos modelos nacionais”, lembra. Cinco anos depois, o cenário é bem diferente, com desafios como a contração das vendas, a sobra de capacidade produtiva em novas fábricas atraídas pelo Inovar-Auto e, com a crise, uma piora importante da situação financeira das fabricantes de autopeças.

“Certamente a retomada do mercado já melhoraria esse cenário, mas também há ações previstas dentro do Rota 2030”, conta. Entre as iniciativas está em negociação a simplificação dos impostos cobrados de fornecedores. O governo estuda isentar pequenas e médias empresas do pagamento de alguns tributos restituíveis. A alíquota seria cobrada diretamente de sistemistas e montadoras, sem prejudicar a arrecadação do governo nem o já apertado fluxo de caixa das fabricantes mais sensíveis da cadeia produtiva.

Outra medida que deve ser lançada com o programa é um modelo de cooperação entre montadora, sistemistas e o governo para oferecer consultoria às pequenas e médias empresas em gestão, custos, treinamento, entre outros aspectos. “Seria um suporte das grandes companhias para as menores, com os custos rateados e, portanto, acessíveis”, conta Luís Afonso Pasquotto, presidente da Cummins Brasil desta edição do Simea.

Comentários: 4
 

NPERES
13/09/2017 | 09h46
Perfumaria, só estão trocando os móveis de lugar. O Consumidor não tem mais como, e não quer, pagar toda a cadeia de custo na aquisição de um veículo: Ganhos excessivos de Montadoras/Sistemistas/Concessionárias, Impostos nos vários níveis de Governo, custo da documentação, manutenção periódica, Seguradoras, Combustíveis, etc. Alguém, ou todos, terá(o) que abrir mão; ou, morrerão abraçados nestes acordos seletivos, onde o Consumidor não tem participação. Não esqueçam da brutal mudança tecnológica que temos à frente.

Marcos
13/09/2017 | 11h26
Reclamamos da política com seus grupos e cartéis de usurpadores de dinheiro publico. Mas o que acontece com a cadeia automotiva no Brasil? A mesma coisa! Ninguém quer largar o osso, eficiência energética, no Brasil, se ocorrer somente lá para 2060.... é uma mina de dinheiro que ninguém quer fechar. Porém o grande público comprador destes veículos " poluentes " está ficando velho. A nova geração não tem tanto interesse no automóvel como em tempos anteriores.... ou a mudança começa já, ou a dor será maior no futuro. Temos na Europa fabricantes divulgando carros elétricos para 2020 já, que está aí batendo em nossa porta.. e no Brasil..... aqui para 2030.... assim sempre seremos terceiro mundo... aceita que dó menos!

rafael
14/09/2017 | 17h43
estranho.. alguns falando de lucros de montadoras quando todas estao apresentando perdas nos balanços e a cadeia produdiva totalmente quebrada.. se tem alguem ganhando dinheiro é o governo.

André lourenço
15/09/2017 | 17h44
Absurdo, apenas mais do mesmo, era era de carros 1.0 precisa ser extinto. Mas também o que quer colocando os cartéis para fazer um projeto de isenção pra eles, lógico que somente estão vendo seus próprios umbigos. Consumidor continuará pagando 4 vezes o valor justo de um carro, com 4 vezes menos qualidade, enquanto as montadoras ficam com seus lucros abusivos. Ridículo, não sei por que tive esperança que isso seria feito de maneira séria e honesta, visando a melhor qualidade e custo para os consumidores. Os políticos não são corruptos, toda a nação brasileira é!!! Malditos!!!

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 22/11/2017
Frota brasileira de 42 milhões exige controle apropriado

Esta coluna é apoiada por:

Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
AUTOINFORME | 09/11/2017
Luguez firmou parceria com o governo de Ohio
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes
Novas palavras, expressões e siglas podem levantar dúvidas sobre o futuro
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
DE CARRO POR AÍ | 17/11/2017
Chineses entregam operação brasileira à administração dos brasileiros
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
INOVAÇÃO | 25/10/2017
Indústria precisa questionar qual será o seu papel no futuro
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade