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Insumos | 25/08/2017 | 18h50

Ar-condicionado aumenta aquecimento global, alerta Chemours

Gás HFC usado no Brasil tem efeito estufa 1,3 mil vezes maior do que CO2

PEDRO KUTNEY, AB

O dióxido de carbono (CO2) expelido pelos escapamentos dos veículos está longe de ser o único entre os gases causadores de efeito estufa, responsáveis pelo progressivo aumento da temperatura do planeta, o aquecimento global. O gás de refrigeração HFC (hidrofluorcarbono) comumente usado no ar-condicionado de carros, caminhões e ônibus, quando vaza do sistema para a atmosfera, tem efeito estufa 1,3 mil vezes maior do que o CO2. “É algo que não está sendo levado em conta no Brasil. Não há nenhuma legislação em discussão aqui para substituir o HFC pelo HFO (hidrofluorolefina), que tem potencial muito menor de dano ao meio ambiente”, alerta Renato Giovani Cesquini, gerente de negócios no Brasil da unidade de fluorquímicos da Chemours, principal fornecedora mundial de gases de refrigeração – a empresa tornou-se independente há cerca de dois anos, após a cisão da divisão de especialidades químicas da DuPont.

O HFO vem sendo adotado desde 2011 de forma gradual. Por obrigação legal, atualmente os fabricantes de ar-condicionado automotivo e as montadoras na Europa, América do Norte e Japão abastecem 100% dos carros com o gás, que comparado com o CO2 tem efeito estufa quase equivalente – ou 1,3 mil vezes menor do que o HFC. A Chemours, que produz e fornece o HFO com nome comercial Opteon, estima que até o fim deste ano 50 milhões de veículos no mundo estejam rodando com o HFO em seus sistemas de climatização, o dobro de 2016. Essa frota tem potencial para reduzir emissões equivales à queima de 2,2 bilhões de litros de combustível por ano; ou algo como retirar das ruas 1,5 milhão de automóveis.

A evolução é rápida: até 2020 algo como 140 milhões de veículos já deverão usar o HFO e a utilização em larga escala do Opteon pode evitar o equivalente a 325 milhões de toneladas de CO2 emitidos até 2025, segundo estima a Chemours. Outra vantagem do HFO é que o gás tem ciclo de vida curto, permanece apenas 12 dias na atmosfera.

PREÇO INIBE ADOÇÃO DO HFO NO BRASIL

No Brasil carros importados já estão chegando com o HFO, mas os produzidos no País só usam o HFC. O motivo é a falta de legislação para ordenar a mudança e a grande diferença de preço entre os dois gases de refrigeração: enquanto o HFO custa perto de US$ 65 por quilo, o HFC sai quase sete vezes mais barato, US$ 7/kg. “Esse custo deverá baixar ao longo dos anos, mas isso não deveria ser obstáculo, tendo em vista o grande benefício trazido pelo HFO”, pondera Cesquini.

O executivo lamenta que até agora ninguém no governo ou entre os representantes do setor automotivo que discutem o Rota 2030, programa de desenvolvimento para a indústria automotiva em discussão para entrar em vigor em 2018, colocou em pauta a substituição do HFC pelo HFO para ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Não existe nenhuma proposta de regulamentação sobre o tema no Brasil”, diz.

EVOLUÇÃO

O HFO representa a segunda grande evolução dos gases de refrigeração. Até 20 anos atrás os sistemas de ar-condicionado utilizavam em larga escala o CFC (clorofluorcarbono), que tem o poder de destruir a camada de ozônio que protege a Terra de radiações solares. Em 1987, o Tratado de Montreal, com adesão de 150 países (inclusive o Brasil), instituiu o banimento gradual até 2010 do uso de CFC em todo o mundo. Foi assim que o HFC dominou a cena da refrigeração, com pouco dano ao ozônio, mas enorme potencial de efeito estufa.

Para lidar com o novo problema, em outubro de 2016 mais de 100 dos signatários do Protocolo de Montreal se reuniram em Kigali, Ruanda, para definir um programa de redução gradual do uso dos HFCs no mundo. Pelos cálculos dos especialistas, essa medida deve ajudar a conter o aumento da temperatura global em até 0,5⁰ C.

O caminho natural, portanto, é a adoção em escala cada vez maior do HFO nos sistemas de climatização, como solução já testada não agressiva à camada de ozônio e que reduz em 99,9% o efeito estufa em comparação com o HFC. De olho nesse futuro bastante próximo, a Chemours já anunciou investimento de US$ 300 milhões para construir em Ingleside, Texas, Estados Unidos, uma nova fábrica para produzir o seu HFO Opteon, que entra em operação antes do fim de 2018. Será a maior instalação do mundo para a produção desse tipo de gás refrigerante, que vai atender a demanda em países da América do Norte, América Latina e Europa.



Tags: Ar-condicionado, refrigeração, gás, HFC, HFO, CFC, CO2, Chemours.

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