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Autopeças: localizar depende de maior volume
Costa (ZF), Ferreira (CNH Industrial), Simomura (Toyota) e Pedro Kutney (Automotive Business). Foto: Luis Prado

Indústria | 22/08/2017 | 18h54

Autopeças: localizar depende de maior volume

Representantes de Toyota, CNH e ZF explicam o que têm feito nesse sentido
ERICA MUNHOZ, PARA AB

A nacionalização de alguns componentes e autopeças por sistemistas e fornecedores continua esbarrando num problema conhecido: sem volume fica inviável. Mas os três participantes do painel O Planejamento do Supply Chain 2018, do Workshop Planejamento Automotivo 2018, realizado por Automotive Business na terça-feira ,22, no Sheraton WTC, em São Paulo, permanecem otimistas com o futuro.

Eles acreditam que com a volta do crescimento da indústria é possível aumentar o conteúdo nacional. E para haver impulso significativo, algumas tarefas importantes precisam ser colocadas em prática, de maneira sustentável, iniciando pela formação de pessoas e seguindo para a viabilidade de programas que invistam em tecnologia de forma perene.

“Tecnologia ainda é um grande nó em função de volume. Por isso, precisamos de um fundo que dê suporte aos nossos parceiros, de modo a fazer com que nossa indústria seja robusta dentro do segmento”, avaliou George Ferreira, gerente de compras da CNH Industrial.

Para Celso Simomura, vice-presidente de compras, relações públicas, assuntos governamentais e engenharia da Toyota, é possível nacionalizar tudo, mas, mais uma vez, depende de demanda e, por isso, é preciso se preparar. “O compromisso com a tecnologia tem de ser de longo prazo, pois se torna inviável planejar algo sem uma visão mais longa. Se fizermos essa lição necessária, teremos efetividade, já que capacidade o Brasil tem, basta investir.”

Os fornecedores da base da cadeia de autopeças sofreram muito mais do que os sistemistas, cuja “saúde” difere de outros níveis. Entretanto, essa movimentação acabou criando uma seleção natural e, diante dos anos intensos de crise, acabou se mantendo quem estava mais preparado. “A cadeia ficou muito fragilizada e, mesmo agora, ninguém está preparado para sair correndo. No caso da ZF, os programas de suporte interno têm um peso significativo e, para nós, é a melhor maneira de manter a qualidade”, garantiu Tarcisio Costa, diretor de gestão de materiais da ZF América do Sul.

Na Toyota, de acordo com Simomura, os parceiros são tratados como “família Toyota” e o trabalho em torno deles é bastante intenso. Há um programa anual de fornecedores, no qual as questões de produtividade e qualidade são debatidas intensamente. “Ajudamos todos, mas também nos concentramos muito naqueles com maior dificuldade. Acreditamos que a Rota 2030 possa contribuir bastante, auxiliando na prática naquilo que já desenvolvemos internamente.”

ATENÇÃO A CADA FORNECEDOR

Como no caso da Toyota, além dos investimentos em tecnologia, o empenho de cada empresa para manter seus fornecedores tem sido determinante. Os três palestrantes do painel também concordaram que o Inovar-Auto auxiliou bastante nessa caminhada. Ferreira, da CNH Industrial, afirmou que o programa fortaleceu o segmento com conteúdo local.

“Já estamos com quase 90% do ciclo de investimentos de R$ 190 milhões finalizado, que beneficiou especialmente os segmentos de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, tudo para incentivar a nacionalização. Localizamos as transmissões manuais e automatizadas, entre outros itens.”

Já na ZF, o R$ 1,9 bilhão em compras deve crescer para R$ 2 bilhões em 2018. Entretanto, com 50% de componentes importados, que devem girar em torno de 50% a 52% no ano que vem. “Ainda não conseguimos fazer o fornecedor brasileiro atender mundialmente outras unidades do grupo. Os globais aqui instalados têm condições de atender lá fora, mas os nacionais não, em função, novamente, dos canais de tecnologia”, lamenta Costa.”

Inversamente na Toyota, a perspectiva é chegar ao fim de 2017 com 65% do orçamento de compras gastos com fornecedores instalados no Brasil. E para o próximo ano esse índice deve encostar em 70%. A explicação para esse crescimento, segundo Celso Simomura, foram os aportes feitos não apenas para nacionalizar conteúdo, mas também em outras áreas da empresa. “Investimos em nossos laboratórios de motores e de materiais e no centro de design sem depender da matriz, respaldados pelo Inovar-Auto. Foram iniciativas que motivaram a localização de peças e ferramentais. E também seguimos como diretriz o pedido da matriz de nacionalizar o máximo que pudermos. Isso explica nossa preocupação e o cuidado com os fornecedores.”

O crescimento do mercado na Argentina alavancou as compras da CNH Industrial a partir do Brasil, com total de R$ 5 bilhões em compras, alta moderada sobre 2016. Máquinas agrícolas e de construção, especialmente tratores e colheitadeiras, por conta do aumento da safra de grãos, foram determinantes na elevação dos números.

Tags: Autopeças, nacionalização, George Ferreira, CNH Industrial, Celso Simomura, Toyota, Tarcisio Costa, ZF.

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