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Brasil e México podem trocar mais, diz Deloitte
Alberto Torrijos, sócio-líder para o setor automotivo da Deloitte (foto: Luis Prado)

Indústria | 22/08/2017 | 17h20

Brasil e México podem trocar mais, diz Deloitte

Mercado mexicano é focado na exportação, mas carece de fornecedores

SERGIO QUINTANILHA, PARA AB

O mercado do México representa uma grande oportunidade para a indústria brasileira de autopeças. A constatação é de Alberto Torrijos, sócio-líder para o setor automotivo da Deloitte Consulting e palestrante do Workshop Planejamento Automotivo 2018, realizado por Automotive Business na terça-feira, 22, no Sheraton WTC, em São Paulo.

O executivo mostrou as principais diferenças do Brasil e do México no setor e também as preferências dos consumidores brasileiros com respeito às novas tecnologias. Torrijos foi categórico ao apontar os fornecedores locais como o maior desafio para a indústria mexicana.

“A capacidade de produção do México é 80% dedicada às exportações”, afirmou. Dos 3,5 milhões de veículos produzidos naquele país no ano passado, 2,8 milhões foram exportados. A Deloitte prevê uma produção de 4 milhões este ano, mantendo a proporção de veículos exportados. Dos 1,6 milhão de carros vendidos no mercado mexicano, 61% são dos segmentos de subcompactos (37%) e compactos (24%).

No Brasil, o panorama é muito diferente. Dos 1,8 milhão de carros produzidos em 2016, somente 400 mil foram exportados. Mesmo com a previsão da Anfavea de superar 700 mil veículos exportados este ano, a participação na produção ainda será pequena. Segundo Torrijos, o México importou 886,8 mil veículos do Mercosul na temporada passada, mas só 10% desses carros tinham o Brasil como origem. Em contrapartida, as exportações do México para o Brasil foram de 46 mil veículos.

CONECTIVIDADE

O líder da Deloitte mostrou uma pesquisa indicando que, na média, os consumidores brasileiros são um pouco mais abertos às novas tecnologias do que os mexicanos. Segundo o estudo, 61% dos brasileiros aceitam a automação básica (o que é um número inferior ao dos Estados Unidos e do Canadá).

Porém, quando se trata de automação avançada, os brasileiros são os mais receptivos (74%) e os canadenses, os mais resistentes (61%). Com relação aos carros semiautônomos e totalmente autônomos, o Brasil também é mais aberto, com 52% e 47%, respectivamente. Porém, essa expectativa é puxada principalmente pelas gerações Y e Z.

Torrijos afirmou que, na prática, os brasileiros dão muito mais importância a equipamentos de segurança pessoal do que a outras. A segurança digital, por exemplo, aparece somente como o quinto item mais importante, enquanto a conectividade vem em sexto. Quanto aos itens que valorizam a ecologia, aparecem somente na oitava e nona posições da lista dos equipamentos mais valorizados.

COMPARTILHAMENTO

Outra tendência do mercado mundial, o compartilhamento de carros, ainda é vista com reservas pelos brasileiros. Mas não todos. Torrijos mostrou que, na média, somente 36% dos consumidores consideram ter um carro compartilhado no futuro. Esse número cai para 24% quando são consideradas as pessoas mais idosas e da geração baby boom, continua baixo na geração X (32%), mas sobe para 43% perante os consumidores das gerações Y e Z.

Em relação aos desafios e oportunidades para os mercados mexicano e brasileiro, o executivo da Deloitte disse que o Brasil está atrás nos acordos setoriais e sugere que o País busque uma aproximação com o México na área de autopeças. Na visão dele, ambos precisam de infraestrutura e de melhor disponibilidade de mão de obra, mas destaca que os mexicanos vivem uma estabilidade política, enquanto o Brasil passa por uma crise.



Tags: Deloitte, Alberto Torrijos, exportação, Anfavea, conectividade.

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