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22/08/2017 | 15h30

Autopeças

Sindipeças vê com cautela indicadores econômicos

Para a entidade, melhoras pontuais trazem pouca informação sobre o futuro


ERICA MUNHOZ, PARA AB

George Rugitsky é conselheiro do Sindipeças (foto: Luis Prado)
Alguns indicadores econômicos convergem para tornar 2017 um ano melhor e é possível que a ideia de a economia se descolar da política seja real. Ainda assim, as estimativas do Sindipeças, entidade que reúne fabricantes de componentes, permanecem conservadoras. “Estamos realmente torcendo para que as projeções da Anfavea, muito mais positivas, sejam mais realistas do que as nossas”, afirmou George Rugitsky, conselheiro do Sindipeças e palestrante do Workshop Planejamento Automotivo 2018, realizado por Automotive Business na terça-feira, 22, no Sheraton WTC, em São Paulo.

Para Rugitsky, as boas perspectivas para o fechamento deste ano se baseiam num primeiro trimestre com queda da inflação (que puxou para baixo também a taxa Selic) e na liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que alavancou a economia como um todo.

Mas, se tudo caminha bem, qual seria o motivo de tanto conservadorismo por parte da entidade? O conselheiro do Sindipeças é categórico em afirmar que tais eventos não se repetirão conjuntamente. “Temos boas estimativas pela frente, com a tendência de baixa da taxa de juros, com o equilíbrio da inadimplência, mas será preciso acompanhar tudo bem de perto e com muita calma,” afirma.

Motivos não faltam para uma postura cautelosa. Com anos de queda contínua, a indústria de autopeças se segurou nas exportações, mas isso não resolveu a questão da rentabilidade. No período, a base de fornecedores foi esfacelada e os investimentos ficaram muito aquém dos das montadoras. Mas, mesmo não sendo possível acompanhar a movimentação dos produtores de veículos, não houve problemas de abastecimento, segundo Rugitsky, porque a indústria local foi devidamente suprida.

A sofrida experiência também trouxe lições para o Sindipeças: “Agora precisamos investir na competitividade para nos inserirmos na cadeia global e não só na local, como tem sido até então. Após vivenciarmos a mais profunda crise em autopeças, sabemos que temos de construir uma nova base.”

Para 2018, com eleições, o fim do Inovar-Auto e início da Rota 2030, tudo remete, na opinião do executivo, a um grande ponto de interrogação. A boa notícia para o segmento é que a participação das exportações de veículos de passageiros, caminhões e máquinas agrícolas permanece com indicadores bastante positivos, auxiliando o setor. No acumulado até julho os embarques somavam 439,6 mil unidades, número recorde para o período.

“Neste momento não conseguimos fazer grandes projeções. O novo programa governamental é algo para longo prazo, terá de ser construído e revisitado constantemente porque a indústria automobilística muda em velocidade extraordinária. Então, deve, por obrigação, ser um programa que realmente ajude a indústria como um todo.”

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