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22/08/2017 | 12h27

Mercado

Veículos leves só voltam ao pico em 2024

Projeção da IHS Markit para a América do Sul vê estabilidade no Brasil


SERGIO QUINTANILHA, PARA AB

Carlos da Silva, gerente de produção da IHS Markit (foto: Luis Prado)
A venda de veículos leves na América do Sul só voltará ao pico de 2012/2013 na metade da próxima década, em 2024. A previsão foi feita por Carlos da Silva, gerente de produção da consultoria IHS Markit, durante o Workshop Planejamento Automotivo 2018, realizado por Automotive Business em 22 de agosto no Sheraton WTC, em São Paulo. Francês com nome brasileiro e sotaque português, Silva disse que em 2024 a região passará da casa dos 6 milhões e chegará a cerca de 6,3 milhões no ano seguinte. O pico histórico foi de 5,9 milhões, em 2013.

Para o mercado brasileiro, as previsões da IHS Markit são um pouco menos otimistas. Segundo Carlos da Silva, as vendas de automóveis de passeio e comerciais leves ainda ficarão um pouco abaixo da casa de 3,6 milhões atingida em 2013, mas a tendência de crescimento será constante a partir de 2018. O Brasil responde por mais de metade dos licenciamentos da América do Sul e manterá esse patamar.

Os principais mercados da região também crescerão. Argentina e Chile deverão ter uma curva estável de aumento de vendas, enquanto Colômbia e Peru terão uma recuperação ligeiramente mais forte. Até a Venezuela, que vive gravíssima crise política e econômica, voltará a fazer parte do mapa de vendas da América do Sul, embora com pequena participação.

A IHS Markit prevê inflação contida, redução do nível de desemprego e um crescimento econômico entre 2% e 4% para o Brasil no período de 2018 a 2022. Já o dólar deve reverter a tendência de queda e voltar a subir, passando de R$ 4 a partir de 2020. O próprio Carlos da Silva, porém, salientou que o cenário econômico ainda é bastante nebuloso. “Não sabemos se o crescimento de vendas de 2017 é o início de uma boa trajetória ou se é uma recuperação pontual”, afirmou, apontando o patamar de 2,06 milhões de veículos leves como um número factível para este ano.

“Temos uma visão diferente porque poucos anos atrás todos viam um mercado de 4 milhões de veículos leves para o futuro”, observou. Porém, ele acredita que muitos consumidores que deixaram de trocar de carro em 2015 e 2016 voltarão a comprar em 2019. “Vemos um mercado mais estável para o futuro próximo”, diz Silva.

Apesar do cenário mais estável, na visão da IHS Markit haverá uma leve queda na produção da indústria automobilística brasileira no período de 2017 a 2024. Isso porque as exportações, que devem bater recorde em 2017, deverão se estabilizar. Carlos da Silva explica: “Não vemos o crescimento de 2017 como um indicativo de que haverá a mesma alta dos próximos anos. Haverá estabilidade e leve queda”. Por causa disso, somente em 2023 a indústria alcançará a marca de 80% de utilização da capacidade instalada, subindo para 82% em 2025.

MERCADO DE VEÍCULOS PESADOS

Se Carlos da Silva vê um peso importante nas exportações de veículos leves, seu xará Carlos Reis, presidente da Carcon Automotive, enxerga o contrário na indústria de veículos pesados. “O mercado interno é muito mais relevante para os caminhões do que suas exportações”, disse Reis no painel seguinte do workshop.

“É assim no mundo inteiro.” Por causa disso, a Carcon Automotive não vê grandes perspectivas para a indústria de caminhões e ônibus em curto prazo. Suas previsões são de que em 2017 a produção passará de 29% para 35% da capacidade instalada, número parecido com o de dois anos atrás (34%). Para se ter ideia, em 2011 a indústria chegou perto de utilizar 90% de sua capacidade instalada.

Numa comparação entre os primeiros sete meses deste ano com o mesmo período do ano passado, Carlos Reis disse que o Nordeste tem sido a região mais relevante para determinar a queda de venda de caminhões e ônibus no País (14,1%). Afinal, a região caiu 20,8% e representa 14,4% do mercado interno. A maior queda foi verificada no Norte (31,5%), mas a região representa apenas 5,1% do total. O maior mercado continua sendo o Sudeste (44%) e caiu 15,5%.

Numa análise mais detalhada das vendas de caminhões, Reis disse que os mercados de cada Estado vêm reagindo de forma diferenciada. Segundo os estudos da Carcon Automotive, o mercado de Mato Grosso melhorou por causa do bom desempenho da safra de grãos e o de Santa Catarina reage pelo crescimento da produção de carnes e do comércio varejista. Já as unidades da federação em baixa são Pernambuco, Piauí (queda nas vendas do comércio varejista), Distrito Federal (queda no setor de serviços) e Paraná (produção industrial caindo e preços do milho em baixa).

“Está havendo um armazenamento do milho e não comercialização, pois a saca que custava R$ 35 em 2016 caiu para R$ 17 este ano”, observou Reis.

Apesar disso, sua previsão é de que o emplacamento diário de caminhões chegue a 272 unidades em dezembro deste ano. Uma recuperação em relação aos 134 emplacamentos diários registrados em janeiro. Em 2015 essa média chegou a 375 em dezembro; em 2016 atingiu 297 unidades/dia.

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