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21/08/2017 | 15h36

Crédito

Financiamento de veículos deve superar R$ 90,6 bi este ano

Bancos de montadoras revisam projeção e apostam em alta de 10% nas concessões


REDAÇÃO AB

Com a melhora da perspectiva para a venda de carros este ano, a Anef, associação dos bancos de montadoras, revisou para cima sua projeção do total de crédito liberado para o financiamento de veículos em 2017, apostando em alta de 10,2% contra o aumento de 5,5% previsto no início de 2017. Pelos cálculos, a entidade prevê que serão liberados R$ 90,6 bilhões em novos contratos firmados em 2017 em comparação com R$ 82,2 bilhões em 2016.

“A venda de veículos vem registrando ligeira alta e o consumidor começa a esboçar mais confiança para investir em um bem de maior valor. Nossa expectativa é a de que teremos um segundo semestre melhor na comparação com o primeiro. Os números, no entanto, ainda serão tímidos em relação aos anos anteriores. A retomada será lenta, pois as pessoas ainda mantêm cautela antes de fechar um negócio”, analisa o presidente da Anef, Luiz Montenegro.

Apesar de prever valor maior de novos contratos este ano, os bancos das montadoras mantêm sua previsão de tímido aumento de 2,5% para o saldo de financiamentos, que deve encerrar o ano em R$ 166,7 bilhões sobre os R$ 162,7 bilhões do ano passado.

Além da expectativa positiva para o segundo semestre, a revisão também foi impulsionada pelo resultado do primeiro semestre, quando as liberações somaram R$ 45,8 bilhões, crescimento de 18,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado foi de R$ 38,6 bilhões. Destes, foram destinados R$ 44,9 bilhões para operações com CDC – crédito direto ao consumidor –, alta de 19,8% na mesma base de comparação, enquanto o leasing consumiu R$ 880 milhões, queda de 22,3%.

MODALIDADES

O financiamento via CDC é a alternativa mais procurada pelo consumidor na hora de adquirir um carro, respondendo por 47% das operações, mas as compras à vista atingiram recorde no primeiro semestre, chegando a 46% das vendas. Na sequência vêm os consórcios, com 5% das operações, e o leasing, com 2%.

No segmento de pesados, que inclui caminhões e ônibus, o Finame respondeu por 60% dos negócios no primeiro semestre, seguido pelos financiamentos via CDC, com 18%, compras à vista com 12%, consórcio com 6% e leasing com 4%.

Já os consumidores do segmento de motos estão optando preferencialmente pelo CDC. No primeiro semestre, a modalidade foi responsável por 36% dos contratos fechados, superando os 34% do consórcio e dos 30% das compras à vista.

No fechamento de junho, o saldo das carteiras somou R$ 161,6 bilhões, recuo de 4,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Desse total, os financiamentos respondem por R$ 157,7 bilhões e o leasing pelos R$ 3,9 bilhões restantes. O saldo de crédito para aquisição de veículos para pessoas físicas e jurídicas corresponde a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto). No mesmo período do ano passado, esse indicador era de 2,8%, representando recuo de 0,3 ponto porcentual. O volume representa 5,2% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 10,6% do total das operações de crédito com recursos livres.

Segundo a Anef, com base nos dados do Banco Central, a taxa de inadimplência no setor para as operações de CDC estão em queda, tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas. Para PF, o índice fechou em 4,4% na primeira metade do ano, 0,2 ponto porcentual a menos na comparação em doze meses; em PJ, o índice ficou em 3,3%, diminuindo em 0,1 ponto porcentual sobre o primeiro semestre de 2016.

No leasing, o número de pessoas físicas que estão deixando de quitar as parcelas também caiu. A taxa na carteira de CDC para pessoas físicas foi de 3,8%, menos 1,8 ponto percentual no comparativo anual. No segmento das empresas, o índice foi um pouco maior, de 3,9%, redução de 0,3 ponto porcentual.

Em junho, as entidades associadas à Anef cobraram juros de 20,98% ao ano e 1,6% ao mês, enquanto outros bancos privados e públicos trabalharam com índices médios de 24% e 1,81%, respectivamente. O prazo médio das concessões é de 41,9 meses, sendo que o prazo máximo oferecido pelos bancos continua em 60 meses.

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