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03/08/2017 | 22h10

Lançamentos

Kwid deve liderar vendas da Renault no Brasil

Montadora aposta em estilo de SUV e preço popular para ganhar mercado


PEDRO KUTNEY, AB

Após mais de um ano lançando pílulas sobre o seu novo modelo de entrada no Brasil, incluindo mostrar o carro em feições finais ao público em dois salões (São Paulo e Buenos Aires), divulgar preços, abrir pré-venda dois meses antes do lançamento oficial e veicular publicidade na TV para provocar o rival Volkswagen Up!, a Renault finalmente começou a distribuir o compacto Kwid à rede de concessionárias no País e entregar o produto aos primeiros clientes. A Renault não revela projeções, mas investe bastante para tornar o Kwid um dos carros mais vendidos do País.

Para isso a montadora lançou mão da estratégia de colar no Kwid imagem de SUV urbano popular (leia mais sobre as características do carro aqui), para assim explorar o estilo de veículo mais desejado atualmente pelo consumidor brasileiro com o preço acessível da categoria, que até agora só tinha ofertas acima dos R$ 70 mil. O Kwid se propõe a ser um SUV pela metade desse valor, com três versões de R$ 30 mil a R$ 40 mil.

O novo carro de entrada da Renault traz o conceito de SUV para uma categoria mais barata. Ao menos na pré-venda via internet aberta em junho, com pagamento de R$ 1 mil para reservar o Kwid, a estratégia funcionou: “O resultado foi quatro vezes maior do que esperávamos e 85% das pessoas que reservaram eram clientes de outras marcas”, afirma Luiz Pedrucci, novo presidente da Renault no Brasil, que dirigia a operação da fabricante na Colômbia e assumiu o novo posto há um mês.

PRODUÇÃO EM ALTA

Pedrucci não revela quantas unidades do Kwid já foram reservadas, “porque ainda não são vendas confirmadas”, mas confirma que a fábrica de São José dos Pinhais (PR) já começou a operar em três turnos, com a contratação de mais 600 empregados (além dos 700 que já haviam sido contratados em junho) para atender a demanda em alta pelo novo carro, que deverá ajudar a elevar a produção deste ano para mais perto de 200 mil unidades (contra 150 mil em 2016) e deixar a planta mais próxima de sua capacidade máxima de 320 mil/ano em 2017. Nessa conta também entram as exportações, que começam este ano para a Argentina e depois para outros mercados regionais. Por enquanto, na América Latina o Kwid será feito somente no Brasil.

O Kwid deve em breve se tornar o campeão de vendas da marca no País. “Ainda não sabemos se de fato será, mas a expectativa é vender mais do que o Sandero, que já é o quarto carro mais vendido aqui (este ano até julho, com 45,5 mil unidades emplacadas)”, argumenta Pedrucci.

Aqueles que reservaram o Kwid há dois meses começam a receber o carro este mês, mas quem fez a pré-compra mais recentemente só poderá girar a chave de seu veículo em novembro. “Trabalhamos com estoques mínimos para este modelo, só o necessário para demonstração nas concessionárias”, diz o presidente da Renault. Todas as vendas do modelo, ele explica, são feitas pela internet, tanto em casa ou como na concessionária.

Apesar da cautela em revelar projeções, fica claro que o Kwid carrega boa parcela da responsabilidade de aumentar a participação de mercado da Renault no Brasil. Hoje a marca é a sétima mais vendida com 7,34%. A meta é chegar a 8% nos próximos anos. Por isso o carro consumiu parte significativa do programa de investimento da empresa no País – que em 2011 partiu de R$ 1,5 bilhão para expandir a capacidade da fábrica, recebeu mais R$ 500 milhões em 2014 para o período até 2019, já incluindo a produção de Kwid e Captur, e nesta semana foram anunciados mais R$ 750 milhões na ampliação e modernização da unidade de fabricação de motores (leia aqui).

“Investimos todos esses recursos porque acreditamos que o mercado brasileiro vai crescer, tem potencial para isso”, afirma Pedrucci. A direção da Renault no País aposta alto na retomada com o Kwid, que como compacto popular trafega na faixa de mercado que mais caiu por falta de crédito, confiança, desemprego e debilidade financeira de seus compradores. Ainda assim, o segmento de entrada segue sendo relevante e responde por cerca de um quarto dos emplacamentos. Poderá avançar mais se voltar a atrair clientes de menor poder aquisitivo que buscam o seu primeiro zero-quilômetro, em um país que ainda tem baixo índice de motorização.

Assista abaixo entrevista exclusiva de Luiz Pedrucci, presidente da Renault do Brasil, sobre o Kwid


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