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25/07/2017 | 20h12

Lançamentos

Ford renova EcoSport para ser líder outra vez

SUV chega recheado de equipamentos e com preços menos caros


PEDRO KUTNEY, AB | De Recife (PE)

A Ford caprichou na renovação do EcoSport para tentar retomar a liderança entre os utilitários esportivos no Brasil, perdida em 2015 – primeiro para o Honda HR-V, depois para o Jeep Renegade e para a série de outros lançamentos da mesma categoria que inundou o mercado brasileiro. Com sensível melhoria de acabamento interno, adição de muitos equipamentos desde a versão mais básica e a prática de preços relativos menos caros que o da vasta concorrência, a montadora tenta agora reinventar o carro projetado pela subsidiária brasileira que inventou o segmento de SUVs compactos e que fez sucesso instantâneo no País desde o lançamento da primeira geração, em 2003, com 1 milhão de EcoSport já produzidos em Camaçari (BA), 600 mil deles comprados por brasileiros, o resto exportado para países latino-americanos. “Colocamos o modelo em um novo patamar. Da mesma forma que criamos o segmento lá atrás, agora estamos recriando”, resume Natan Vieira, vice-presidente de vendas e marketing da Ford América do Sul, ele mesmo um dos participantes da equipe do projeto no início dos anos 2000.

“A partir do que ouvimos dos clientes do próprio EcoSport, mexemos em quase tudo no carro para refinar o projeto e dar a ele o melhor custo-benefício e o maior conteúdo da categoria”, garante Vieira. Os executivos da Ford evitam fazer projeções de venda do utilitário esportivo renovado, mas acreditam que as modificações feitas e calibração de preços dão nova força ao EcoSport, em dose suficiente para recuperar a liderança do segmento que dominou no País por 12 anos. “Vamos ser novamente um dos líderes”, confia o vice-presidente. Para isso, a expectativa é vender em torno de 4,5 mil carros/mês, o mesmo patamar de quando o SUV da Ford foi líder pela última vez, em 2014, e mais que o dobro do nível atual – no primeiro semestre os emplacamentos caíram para 14,2 mil unidades e o EcoSport foi apenas o quinto SUV mais vendido do País, em recuo natural e esperado, pois o mercado já esperava a chegada do novo modelo.

O diretor de marketing e vendas da Ford, Antonio Baltar Jr., lembra que o EcoSport teve como poucos carros a capacidade de mudar a indústria com seu conceito inédito de SUV urbano compacto, que de imediato agradou ao cliente brasileiro e latino-americano, além de inaugurar um novo processo produtivo em Camaçari, onde os fornecedores participam diretamente da montagem dos veículos feitos lá. Em 2012, o lançamento da segunda geração globalizou o pequeno utilitário esportivo projetado pela engenharia brasileira da Ford, que hoje é vendido em 144 países e montado em seis fábricas no mundo: China, Índia, Rússia, Venezuela e Romênia, além do Brasil.

O problema para a Ford é que os concorrentes também enxergaram a oportunidade trazida pelo segmento, o que mais cresce no Brasil e no mundo – representa 17% do mercado brasileiro (13% se entrarem na conta só os pequenos) e a expectativa é chegar a 21% até 2020; contra 27% na Eurora no mesmo intervalo de tempo e 30% na Ásia e América do Norte. “Hoje é o segmento mais competitivo do mercado brasileiro, porque quase todos fizeram lançamentos”, destaca Baltar, apontando que atualmente o EcoSport já tem sete concorrentes diretos no País: Honda HR-V, Renault Captur e Duster, Chevrolet Tracker, Jeep Renegade, Hyundai Creta e Nissan Kicks. “Temos uma competição muito dura a ser batida”, reconhece. “Mas temos de defender a posição do EcoSport e por isso recriamos o carro com o melhor pacote do segmento.”



MODERNO E COMPLETO, MAS COM ESTEPE EXTERNO

A globalização fez bem ao EcoSport, pois para ser vendido em mais de uma centena de mercados foi necessário subir a barra para níveis globais de qualidade, conforto, sistemas de segurança ativa e passiva e conectividade. Pode-se dizer que por fora o SUV da Ford recebeu uma leve reestilização, especialmente no design dianteiro, o carro ficou mais sóbrio e elegante, está agora em linha com a identidade visual global da marca.

As grandes diferenças em relação ao EcoSport lançado em 2012 estão do lado de dentro, embaixo do capô, com novo e mais eficiente conjunto de motor e câmbio, no bom volume de tecnologia embarcada e no interior bem melhor acabado em todas as cinco versões – finalmente uma montadora entrega ao cliente brasileiro que paga mais de R$ 80 mil por um SUV compacto o painel com revestimento emborrachado. Os assentos foram melhorados, alongados, abraçam os ocupantes na dianteira, fazendo da posição de dirigir um posto agradável e confortável, em uma condução que se mostra segura e estável.

A exceção dessa globalização é o “puxadinho de design” tipicamente nacional do estepe pendurado na traseira para o Brasil e mercados latino-americanos, algo já eliminado no carro que será vendido na Europa, Ásia e América do Norte, onde a legislação permite o uso de kit de reparo rápido ou do estepe menor. A Ford justifica dizendo que a roda aparente tornou-se parte da identidade do modelo e os clientes aqui gostam assim. Pode ser para parte dos compradores, mas aqui o pneu sobressalente do lado de fora é uma solução para lidar com o “pecado original” do EcoSport, que nasceu compacto e com pouco espaço de porta-malas – e continuará assim até que alguém resolva mudar isso na próxima geração. Ao menos agora o compartimento que acomoda 356 litros ganhou um assoalho com três níveis de altura nas versões FreeStyle e Titanium, para acomodar melhor objetos. Com bancos traseiros rebatidos, o espaço chega a 1.178 litros.



O nível de silêncio a bordo e conforto dos bancos comprovam o bom trabalho realizado na cabine do EcoSport. Agora no centro do painel, encaixada como um tablet, “flutua” uma tela colorida sensível ao toque (de 8 ou 6,5 polegadas, dependendo da versão) que faz a interface com o sistema de infoentretenimento Sync 3, de série em todas as cinco versões do SUV, com sistema de som, monitoramento do veículo e navegação por GPS. Faz conexão direta com o smartphone por meio de Apple Car Play ou Android Auto – aliás, o celular agora tem um espaço sob medida no console central, bem ao lado de duas entradas USB iluminadas.

O novo EcoSport também é completo em sistemas de segurança – cinco estrelas são quase certas nos futuros testes do Latin NCAP. Todas as versões vêm de série com sete airbags (dois frontais, duas cortinas, dois laterais e um para o joelho do motorista), freios com ABS, controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração, incluindo função anticapotamento e assistência de partida em rampa. A direção com assistência elétrica progressiva é bastante efetiva, leve para as manobras e firme na mão em velocidades de estrada.

Embaixo do capô o EcoSport 2018 traz boas novidades, a começar pelo novo, potente e econômico motor flex 1.5 três-cilindros de 137 cavalos (com etanol), por enquanto importado da Índia, mas que deverá ser feito no Brasil na fábrica de motores da Ford em Taubaté (SP) a partir do ano que vem (leia aqui). A versão topo de linha Titanium usará o renovado Duratec 2.0 flex com injeção direta de 176 cavalos (etanol), este trazido do México. Em ambos os casos, são os 1.5 e 2.0 aspirados mais potentes disponíveis no mercado brasileiro. Também é nova a caixa de câmbio automática de seis marchas, fabricada pela Ford na China e, brevemente, no México. Ela substitui a problemática transmissão de dupla embreagem Powershift, que recebeu dos clientes brasileiros diversas reclamações de mau funcionamento não resolvido mesmo após muitas visitas às concessionárias (leia aqui).

O EcoSport incorpora ainda tecnologias que trazem mais economia, como grade frontal ativa (que fecha quando não há necessidade de arrefecimento do motor para melhorar a aerodinâmica e reduzir o arrasto) e monitor de pressão dos pneus. Estes dois dispositivos também garantem bônus para atingir mais facilmente as metas de eficiência energética prescritas no Inovar-Auto, com direito a desconto de um ou dois pontos porcentuais no IPI em caso de superação – a Ford já conseguiu desconto de um ponto desde o ano passado por ter conseguido se antecipar ao objetivo (leia aqui).

SEM OPCIONAIS E PREÇOS MENOS CAROS



Todas as cinco versões do EcoSport 2018 têm pacotes completos, não há opcionais para nenhuma delas. A Ford ajustou as opções e os preços dessa forma para bater de frente com a concorrência, especialmente Honda HR-V e Jeep Renegade, sempre oferendo mais equipamentos, que quando precificados representam diferenças a favor do EcoSport que vão de R$ 3 mil a R$ 20 mil, dependendo da versão e comparação.

Veja abaixo todas as versões, preços e equipamentos incluídos

SE Manual R$ 73.990 // SE Automático R$ 78.990 (motor 1.5 3C 137 cv)
Direção elétrica, ar-condicionado, acionamento elétrico de travas, retrovisores e vidros, computador de bordo, alarme volumétrico, sensor de estacionamento, dois ganchos Isofix para cadeiras infantis, abertura elétrica do porta-malas, faróis de neblina, faróis com temporizador (“Follow me Home”), rodas de liga leve de 15”, pneus 205/65 R15, bagageiro de teto, sistema de som com seis alto-falantes e controles no volante, banco do motorista com ajuste de altura, volante com ajuste de altura e profundidade, avisos de portas abertas e faróis acesos, sete airbags, controle de estabilidade e tração com sistema anticapotamento (AdvanceTrac com RSC), assistente de partida em rampa, sistema multimídia Sync 3 com tela 6,5”, sensor de pressão dos pneus, sensor de estacionamento traseiro, grade dianteira com controle ativo, rodas de liga leve de 15”. Com a transmissão automática, inclui teclas de troca no volante e piloto automático.

Segundo a Ford, todo esse conteúdo representa R$ 5 mil a mais em relação à versão SE da geração passada, mas aumentou o preço em R$ 1,2 mil. Jeep Renegade, Hyundai Creta e e Nissan Kicks têm valores de entrada pouco mais baratos, mas oferecem nível de equipamentos de menor.

FreeStyle Manual R$ 81.490 // FreeStyle Automático R$ 86.490 (1.5 3C 137 cv)
Além de todos os itens das versões SE, inclui sistema de infoentretenimento Sync 3 com tela de 8”, câmera de ré, ar-condicionado automático e digital, faróis com luzes diurnas de LED, tela multifuncional de 4,2” no painel, porta-malas com sistema inteligente de bagagem, bancos revestidos em tecido e couro com ajuste lombar para o motorista e rodas de liga leve de 16” com pneus 205/60 R16. Seu preço é R$81.490 com transmissão manual e R$86.490 com transmissão automática. Externamente, a versão FreeStyle é diferenciada pela grade dianteira, retrovisores e rodas na cor Dark London Grey.

A Ford cota em R$ 7 mil o preço do conteúdo acrescentado ao EcoSport FreeStyle, contra aumento de R$ 1,2 mil sobre a tabela anterior do modelo. A maioria dos concorrentes custa mais e todos oferecem menos equipamentos.

Titanium Automático R$ 93.990 (motor 2.0 4C 176 cv)
A versão de topo equipada exclusivamente com motor 2.0 e câmbio automático tem os mesmos itens das demais e adiciona teto solar elétrico, sensor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado, acesso inteligente com partida sem chave, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, espelho retrovisor eletrocrômico, faróis de xênon, rodas de liga leve de 17” com pneus 205/50 R17, som Sony Premium com nove alto-falantes, bancos de couro e grade dianteira cromada.

A Ford baixou de R$ 94.700 para R$ 93.990 o preço da nova geração do EcoSport Titanium, embora garanta ter incluído R$ 10 mil em equipamentos. Na comparação com o líder do segmento Honda HR-V topo de linha ELX 1.8, vendido por R$ 102,9 mil, além da diferença na tabela em si, o EcoSport traria vantagem de R$ 15 mil em conteúdo, segundo calcula a montadora.

A Ford programou a produção inicial do novo SUV considerando que 30% das vendas serão da versão mais cara, Titanium, 20% da mais barata SE e os restantes 50% da intermediária FreeStyle, sendo que 70% dos modelos vendidos deverão ser os equipados com câmbio automático. Até o fim de agosto o EcoSport 2018 estará em todas as concessionárias Ford no País, mas já tem pré-venda aberta pela internet. Quem fizer a reserva com antecedência tem taxa de financiamento de 0,99% ao mês e primeira revisão grátis. Para quem já é proprietário de um EcoSport (a Ford calcula que 50 mil clientes compraram mais de um desde o lançamento da primeira geração em 2003), poderá comprar outro com taxa zero.




Comentários: 1
 

Renato Alves Rodrigues
26/07/2017 | 10h32
Bonito carro, porem eu como consumidor jamais trocaria uma HRV ou Renegade por um ford Ecosport, carro de médio porte com motor de carro popular. Pagar 74K por um motor 1.5 o que é isso, Brasil vamos acordar e parar de comprar carros populares a preço de carros de luxo.

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