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21/07/2017 | 19h00

Mercado

Volkswagen quer voltar ao segundo lugar no Brasil em 2018

Para David Powels, objetivo é resultado e posição dominante


PEDRO KUTNEY, AB

Powels: em busca de resultados positivos e retomada de participação no mercado brasileiro
* Texto atualizado em 31/07 às 19h30 com informações recebidas da Volkswagen, incluídas ao fim da matéria

A Volkswagen traçou estratégia para retomar o segundo lugar em volume de vendas do mercado brasileiro de veículos em 2018. Essa é a intenção, segundo David Powels, presidente da montadora no Brasil e América do Sul. “O objetivo não é a liderança, mas o resultado (financeiro) positivo e sermos dominantes, em primeiro ou segundo. Acho que o terceiro lugar é muito fraco para a Volkswagen, que merece mais”, diz o executivo. Desde 2014 a marca baixou para a terceira colocação no ranking nacional e assim permanece até o fim do último semestre, segundo dados de emplacamentos.

Powels viu a empresa que hoje comanda na posição que acha mais apropriada (segundo lugar) entre 2002 e 2007, quando trabalhou como vice-presidente de finanças da Volkswagen do Brasil, período em que também entregava lucros à matriz na Alemanha – ou seja, cumpria ambos os objetivos. Naquele ano em que chegou aqui, a marca alemã perdeu para a Fiat a liderança de vendas que manteve por décadas, desde os anos 1960, mas conseguiu se segurar na vice-liderança até o fim de 2013. No ano seguinte, 2014, caiu para a terceira colocação do ranking e lá permanece com perdas sucessivas de participação.

Outro dado negativo enfrentado por Powels desde o seu retorno ao País, em 2015, é que a última linha do balanço da subsidiária ganhou a coloração vermelha de prejuízo – e assim deve ficar este ano também. “Todo mundo faz prejuízo no Brasil hoje, não dá para lucrar com esse mercado como está”, resume.

Com a renovação completa do portfólio de produtos da Volkswagen na região, programada para acontecer nos próximos três anos entre o fim de 2017 até 2020, Powels avalia que a marca voltará gradualmente à sua posição de maior dominância no mercado brasileiro, ocupando uma das duas colocações do alto do ranking nacional de emplacamentos. “Com os lançamentos que vamos fazer já a partir de novembro, quando chega o novo Polo, logo depois com o Virtus e (os importados) Tiguan de sete lugares e novo Jetta, temos condições de voltar ao segundo lugar em 2018”, diz.

Powels projeta que a Volkswagen pode vender perto de 300 mil veículos no Brasil este ano. Se isso acontecer, será mais que o dobro dos 125 mil vendidos no primeiro semestre, ou aumento de cerca de 30% em comparação com os 228 mil de 2016 – quando a montadora foi bastante prejudicada pela disputa comercial com o fornecedor de estruturas dos bancos e deixou de produzir 150 mil carros no ano. Com o problema resolvido, a estimativa é que a produção vai passar dos 400 mil este ano, para atender também as exportações, que já somaram quase 90 mil só nos primeiros seis meses do ano.

A confiança na volta do crescimento da marca no Brasil é refletida no número de concessionárias da marca, que com 545 pontos de venda (controlados por 237 grupos) segue sendo a maior rede do País. Powels diz que não há planos de reduzir este número: “Para o mercado de hoje é muito grande, mas não para o futuro, quando vamos voltar a crescer”, afirma.

PLANOS

Segundo planos já divulgados (leia aqui), a ofensiva de lançamentos da Volkswagen no Brasil prevê a produção do novo hatch Polo, a ser lançado em novembro, e do sedã derivado Virtus no início de 2018 na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo. A estes dois, sobre a mesma plataforma MQB-A0, deve se juntar um SUV pequeno, cujo nome especulado pela imprensa é T-Cross. Em Taubaté fica concentrada a fabricação de Up!, Gol e Voyage – estes dois últimos modelos ficam deslocados em meio às renovações. “Não vou responder isso”, diz Powels em resposta à pergunta sobre o qual é o futuro do Gol.

Já a planta de São José dos Pinhais, no Paraná, receberá nos próximos dois anos um outro SUV a ser feito sobre a plataforma MQB do Golf (possivelmente chamado T-Roc) e uma nova picape, que a VW esconde se vai ou não substituir a Saveiro. “Não sei, pode ser que sim ou que não”, desvia Powels. Ele é bem mais assertivo sobre o futuro do Golf no País, admitindo que as vendas do segmento de hatches médios caíram demais, mal chegam a 2% do mercado brasileiro atualmente. “Vamos ver como fica, se continuar assim com vendas muito baixas poderemos interromper a fabricação”, revela, mas assegura que ainda não há uma decisão tomada nesse sentido. Também está em estudo a produção de mais um SUV na Argentina (leia aqui), que certamente abastecerá o Brasil.

Sobre o futuro do Golf, a Volkswagen enviou nota afirmando que mesmo com o mercado em baixa o carro segue sendo fabricado normalmente no País, sem previsão de interrupção e com reestilização já programada para breve. “O Golf continuará a ser produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR). O modelo é o mais vendido pela Volkswagen no mundo e referência de tecnologia e esportividade também no mercado brasileiro. O Golf inaugurou a produção da plataforma MQB no País na fábrica paranaense, onde no segundo semestre será iniciada a fabricação do modelo com atualização no design e evolução em itens de tecnologia”, diz o comunicado enviado pela empresa.

Comentários: 1
 

Renato Ferrari
25/07/2017 | 15h44
Como disseram na matéria existem 545 pontos de vendas controlados por 237 grupos. Na minha região num raio de 120 km todas concessionárias são do mesmo grupo com assistência técnica desqualificada e falta de peças de reposição pois tem que fazer a logísticas entre as concessionárias do grupo, daí fui para outra marca não teve jeito cansei dos transtornos.

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