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20/07/2017 | 19h20

Indústria

Volkswagen estuda fazer SUV na Argentina

Faz parte da estratégia para aumentar vendas na América do Sul


PEDRO KUTNEY, AB

Powels: trabalho para aumentar participação da VW na América do Sul
“Precisamos ter um produto mais relevante (produzido) na Argentina, de maior volume, para equilibrar melhor a troca comercial com o Brasil. Estamos estudando opções, é possível que seja um SUV.” Assim o presidente da Volkswagen do Brasil e América do Sul, David Powels, revela parte da estratégia da divisão sul-americana da montadora, formalmente criada sob o comando dele há menos de um ano, em outubro passado. A fábrica argentina da VW, herdada no fim dos anos 1990 da associação com a Ford na Autolatina, hoje só faz dois produtos, a picape Amarok e a perua Space Fox, ambos com baixos níveis de emplacamentos no mercado brasileiro (9,2 mil e 545, respectivamente, em 2016).

Com a reformulação de todo o portfólio de produtos na região sob seu comando prevista para acontecer até 2020 (leia aqui), o que implica também em adaptar cinco fábricas (quatro no Brasil e uma na Argentina) para os novos produtos, Powels também começa a colocar em prática a estratégia para ampliar a presença da Volkswagen na América do Sul. Fora dos mercados brasileiro e argentino, onde a marca já tem participação consolidada, existem na divisão 27 países com demanda potencial de 1,6 milhão a 1,7 milhão de veículos/ano. “É um número relevante e ainda muito pouco explorado por nós”, destaca. Mas já houve progresso de um ponto porcentual: a participação média da VW nesses 27 mercados avançou de 2,1% há um ano para 3,1% agora, bem perto da meta de 3,3% para este ano, na metade do caminho para os 7% pretendidos nos próximos 10 anos.

Este ano a Volkswagen projeta vender 430 mil unidades na América do Sul: “Algo como 300 mil no Brasil, 100 mil na Argentina e o resto nos demais 27 países da divisão”, calcula Powels. Será um expressivo salto de 28% em relação aos 335 mil de 2016, resultado que foi fortemente impactado pela disputa comercial com o fornecedor de bancos Keiper, do Grupo Prevent, que no ano passado paralisou por 11 vezes as linhas de produção da montadora no Brasil. “Deixamos de produzir cerca de 150 mil carros e isso prejudicou nossas vendas em toda a região. Mas isso já está completamente resolvido. Este ano passamos a comprar bancos da Anvian”, informa o executivo. (A empresa com sede nos Estados Unidos já era fornecedora na Europa e apressou a instalação de sua fábrica em Atibaia, SP, para atender a VW e outros clientes como GM, Renault e PSA Peugeot Citroën.)

EXPORTAÇÕES DO BRASIL E LINHAS CKD

Fora Brasil e Argentina, os mercados mais relevantes para a Volkswagen na América do Sul, com maior potencial de crescimento, são Uruguai, Colômbia, Chile, Peru e Equador – neste último Powels conta que foi instalada uma pequena linha de montagem CKD, com partes enviadas do Brasil. “Se for necessário poderemos no futuro alocar outras linhas CKD, mas não há planos concretos no momento”, diz. Segundo o executivo, essa é uma forma de contornar os problemas logísticos de exportação na região. “Outro desafio é harmonizar as regulamentações de emissões e segurança, que são muito diferentes entre os países”, acrescenta.

O Brasil seguirá sendo o principal mercado e polo exportador da Volkswagen na América do Sul. “A exportação sempre foi importante para a operação brasileira, mas isso cresce com a criação da divisão sediada aqui”, destaca Powels. Mais produtos exportáveis estão a caminho. A fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), será responsável por abastecer toda a região com o novo hatch Polo, que será lançado no País em novembro próximo, e também o sedã derivado Virtus, a ser apresentado no início de 2018. Da mesma forma, o novo SUV compacto previsto para ser produzido na Anchieta, a nova picape e outro SUV que serão introduzidos na planta de São José dos Pinhais (PR) deverão atender diversos mercados regionais. “Nosso foco de exportação para os novos produtos está nos países sul-americanos, mas o Virtus tem boas chances de ser vendido também para a Turquia e Norte da África”, revela.

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