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11/07/2017 | 18h50

Indústria

Thyssenkrupp reduz o foco no aço para agregar valor a componentes e serviços

Companhia reinventa modelo de negócio e nacionaliza direção elétrica


GIOVANNA RIATO, AB | De Campo Limpo (SP)

Hiesinger: mudança no modelo de negócios
“A digitalização não é um movimento só para empresas de software e startups. Essa mudança só vai dar certo se as empresas tradicionais também abraçarem.” Este é o ponto de vista de Heinrich Hiesinger, CEO global da Thyssenkrupp que visita o Brasil para reunião anual com a liderança da empresa no País na terça-feira, 11. Desde que chegou na companhia, em 2011, ele capitaneia a atualização do modelo de negócio, que agora acompanha o novo e amplo universo aberto pela digitalização. “Estamos deixando de focar tanto na produção de aço para nos concentrar mais em serviços e tecnologia”, diz.

Segundo ele, o insumo responde hoje por apenas um quarto do faturamento da empresa, enquanto a entrega de tecnologia por meio de componentes e serviços é responsável por 75% das receitas. “A engenharia hoje exige digitalização”, diz o executivo. Neste contexto, diz, a empresa já está familiarizada com recursos como internet das coisas, mobile, big data e cloud computing. São novidades já aplicadas tanto na gestão quanto nas operações da empresa, que apostam no conceito de indústria 4.0 - uma delas é a fábrica brasileira de Campo Limpo, em São Paulo (leia aqui).

Para ele, o desafio de ser uma grande companhia, com 160 mil funcionários no mundo, está justamente em ter de assumir a liderança de uma transformação que ninguém sabe ao certo onde vai dar. “Precisamos identificar as coisas antes dos outros e saber para onde ir”, conta. Para ganhar agilidade, o executivo impõe outro ritmo à empresa, que ele garante estar menos hierárquica e mais colaborativa, com a liderança organizada por tarefas. “Precisamos contratar pessoas com novas aptidões e ter flexibilidade. Apostamos no conceito fail fast”, conta, citando um dos mantras do Vale do Silício: errar e corrigir rápido.

Hiesinger destaca que, além de uma tendência, a digitalização tem impacto no bolso: é uma forma de garantir melhor atendimento com redução de custos e melhoria na qualidade, enumera.

DIREÇÃO ELÉTRICA NO BRASIL

O executivo aproveitou a visita ao Brasil para confirmar que a companhia vai fabricar sistemas de direção elétrica no País a partir de 2018, conforme a empresa já adiantou (leia aqui). A produção vai acontecer na planta da divisão Steering em São José dos Pinhais (PR), que já produz soluções para montadoras como Fiat, Volkswagen, Renault e General Motors. A empresa não revela, no entanto, quais são os clientes para o novo produto.

A nacionalização é parte de estratégia global da Thyssenkrupp, que em 2015 fechou contratos para entregar 3 milhões de sistemas de direção elétrica por ano em todo o mundo. Com os acordos, que somam € 4.5 bilhões, a empresa atenderá diversas montadoras. Segundo a fabricante, a tendência é de que estes negócios se intensifiquem com a demanda por redução de combustível e aumento da automação da condução.

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