NOTÍCIAS
11/07/2017 | 18h37

Negócios

Thyssenkrupp ganha eficiência com Indústria 4.0

Com tecnologia, planta da companhia em Campo Limpo exporta para EUA e Europa


GIOVANNA RIATO, AB | De Campo Limpo (SP)

Com quase 60 anos de história, a fábrica da Thyssenkrupp em Campo Limpo, no interior paulista, combina recursos de indústria 4.0 em suas linhas de montagem para manter a face jovem, apesar de ser uma veterana - foi a primeira planta da companhia fora da Alemanha. A unidade pertence à divisão de negócios de tecnologias de componentes e faz forjaria e usinagem de peças de suspensão, transmissão e motores para a indústria automotiva. “Temos muita capacidade produtiva aqui e precisamos investir em tecnologia porque é isso, ao lado do alto volume, que nos dá competitividade para exportar”, conta José Carlos Cappuccelli, CEO do complexo industrial.

Enquanto o mercado interno encolhe, a companhia investe na vocação da unidade para atender a demanda de outros países. Segundo o executivo, é possível fazer ali 750 mil virabrequins por ano. Ao contrário das várias fabricantes de componentes que amargam ociosidade elevada em suas operações locais, a Thyssenkrupp Campo Limpo opera em 2017 quase no topo de sua capacidade. “Algumas linhas voltadas ao mercado interno trabalham em um ou dois turnos, mas temos áreas voltadas à exportação que operaram 24 horas por dia, sete dias por semana”, conta.

Ele estima que devem ser feitos na planta este ano 700 mil virabrequins, 65% deste total destinado a outros mercados, como Estados Unidos e países da Europa, como a Holanda. “Parte deste volume vai direto para os clientes, mas também armazenamos componentes em nossos próprios centros de distribuição em outros países para que as operações de cada região façam as entregas. O importante é que eu consiga competir lá fora com a produção de países como China e Coreia”, aponta.

Ele avalia que o chamado custo-Brasil, com a conhecida alta carga tributária e dificuldades logísticas é compensado internamente na empresa com a eficiência da produção, flexibilidade nas linhas de montagem, pouco desperdício e qualidade elevada. Componentes de baixo volume de produção, em geral, são fabricados em áreas menos tecnológicas da planta, com mais operadores trabalhando. Há, no entanto, linhas que fazem grande número de componentes dentro do conceito de indústria 4.0, com rastreabilidade de cada peça, coleta de dados e comunicação entre as máquinas.

“Há 10 anos a nossa linha de virabrequins já foi instalada dentro do conceito de indústria 4.0. A questão é que, naquela época, sequer chegávamos a usar todas as possibilidades da tecnologia. Agora a internet industrial é algo acessível, que ganhou simplicidade”, conta.

CONTRATAÇÕES EM CAMPO LIMPO, DEMISSÕES GLOBALMENTE

A evolução dos volumes fabricados em Campo Limpo garantiu 400 contratações na planta este ano. Com isso, a unidade voltou a ter 2,5 mil funcionários, o mesmo número de de antes da crise. “Tínhamos demitido justamente 400 pessoas nos últimos anos”, conta Cappuccelli. A empresa soma agora total 8 mil funcionários no Brasil, distribuídos entre as várias divisões de negócio.

Este patamar, no entanto, pode mudar. A matriz da companhia anunciou plano para enxugar custos globalmente que passa por corte na estrutura de funcionários. Até 2020 a empresa pretende reduzir em 2,5 mil os 18 mil empregos em cargos administrativos que tem globalmente. Metade das demissões devem acontecer na Alemanha e, por enquanto, a companhia não detalha quais outras operações serão afetadas.

Desde 2012, o esforço da empresa para ganhar eficiência garantiu economia anual entre € 800 milhões e € 1 bilhão principalmente com melhoria no desempenho das unidades operacionais, aponta comunicado distribuído pela Thyssenkrupp. A nova investida para enxugar a estrutura pretende economizar mais € 400 milhões.

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 16/08/2017
Mercado deve melhorar no segundo semestre, até por novas ações de varejo

Esta coluna é apoiada por:

Documento sem título
Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
DE CARRO POR AÍ | 18/08/2017
Empresa monta novos planos para mercados emergentes
AUTOINFORME | 17/08/2017
Gastos com veículo vão muito além da prestação
INOVAÇÃO | 15/08/2017
Indústria automotiva precisa abrir os olhos para novas formas de trabalhar
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
Negócios | 08/03/2017
Tecnologia faz parte da receita para sair da crise
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes