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06/07/2017 | 19h06

Indústria

Produção de veículos crescerá 21,5% no ano, prevê Anfavea

Montadoras elevam projeção impulsionada por alta das exportações


SUELI REIS, AB

Com as exportações de veículos beirando volume próximo ao recorde do setor (leia aqui), a produção de veículos também deverá elevar seus volumes no ano, o que levou a Anfavea a revisar as projeções de desempenho. Se antes as fabricantes trabalhavam com número de 2,41 milhões de unidades, considerando leves e pesados, conforme previsão divulgada em janeiro, o que representava crescimento de 11,9%, desta vez as montadoras apostam na entrega de 2,61 milhões, uma alta de 21,5% sobre o volume de 2,15 milhões do ano anterior.

-Veja aqui os dados da Anfavea até junho
-Veja aqui outros dados de vendas, exportações e produção
-Veja outras estatísticas em AB Inteligência

“É um crescimento importante puxado naturalmente pelas exportações”, indica o presidente da Anfavea, Antonio Megale, na quinta-feira, 6, durante a apresentação do balanço do setor referente ao primeiro semestre.

Contudo, o volume de produção esperado para o ano não deverá despertar o que se poderia chamar de reação da indústria. Isto porque a capacidade instalada no Brasil beira os 5 milhões de unidades por ano, significando que hoje as montadoras trabalham com apenas metade de sua força de trabalho, resultando em 50% de ociosidade, sendo que para o setor de caminhões, este nível está em 80% “Ainda há um longo caminho a percorrer para chegar a níveis razoáveis [de ociosidade], que deve ser de 15%”, analisa.

Para o executivo, com esta nova previsão, a ociosidade deve baixar de 50% para 40% no fechamento do ano. Ele explica ainda que apesar das exportações estarem em alta, elas representam 30% da produção, sendo o mercado interno responsável pelo restante. “Embora o mercado tenha apresentado o primeiro sinal de reação, é um crescimento muito pequeno para reverter o quadro de alta ociosidade”, comenta.

Também por causa disso a indústria não espera elevar as contratações para dar conta das exportações, devendo apenas chamar de volta os trabalhadores afastados pelo PSE (Programa Seguro Emprego), o antigo PPE. Segundo a Anfavea, o setor encerrou junho com 9.754 pessoas no PSE e 2.788 em layoff, um total de 12.542 afastados. O setor contabiliza atualmente 121,6 mil empregados, 0,3% a menos do que em maio, revelando alguns ajustes. “Algumas empresas dispensaram, outras contrataram, com saldo de menos 300 postos de trabalho, mas este é um nível que julgamos adequado”, avalia Megale.

DESEMPENHO NO SEMESTRE

Ao longo dos primeiros seis meses do ano, as linhas de montagem entregaram pouco mais de 1,26 milhão de veículos, na soma de leves e pesados, volume 23,3% superior ao de mesmo período do ano passado. Este foi o melhor primeiro semestre desde 2015 em termos de produção. O aumento das atividades se deve à forte alta das exportações, mas também ao mix de produtos, explica Megale: “Houve uma ligeira mudança entre importados e produtos locais: a participação dos importados pelas montadoras caiu dois pontos porcentuais [de 10,3% para 10,1%]”.

Em todos os segmentos houve acréscimo de volumes no período: nos leves, o incremento foi de 23,7%, para 1,21 milhão de unidades, das quais 1,05 milhão de automóveis e 159,9 mil comerciais leves, alta de 25,4% e 13,2%, respectivamente. Nos pesados, a produção de caminhões subiu 15,3%, para 36 mil unidades, e a de ônibus se elevou em quase 8%, para quase 10 mil chassis.

Com isto, o estoque encerrou junho em 222,7 mil veículos, sendo 146,7 mil nas redes de concessionárias e 76 mil nos pátios de montadoras.

“Fechamos em um nível estável de 34, 35 dias [de vendas], considerando a média diária de junho, o que na nossa visão é um nível adequado, mas com as fábricas naturalmente ajustando para manter o ideal, que é de 30 dias”, explica Megale.


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