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03/07/2017 | 20h05

Tecnologia

Continental agrega funções ao controle de estabilidade

Empresa testa sistemas integrados de frenagem eletrônica no Brasil


PEDRO KUTNEY, AB | De Várzea Paulista (SP)

Módulo de ESC: mais funções agregadas
A Continental tenta usar a adoção em maior escala no Brasil do sistema eletrônico de estabilidade, o ESC que começará a produzir em sua fábrica de Várzea Paulista (SP) a partir de 2019 (leia aqui), como porta de entrada para outras tecnologias avançadas de segurança veicular ativa, que já estão sendo adotadas na maioria dos países desenvolvidos. O engenheiro-chefe do centro de pesquisa e desenvolvimento de sistemas de freios da Continental, Fabricio Menezes, explica que um mesmo módulo pode agregar diversas outras funções além da atuação de estabilidade antiderrapagem.

Entre essas funções agregadas estão o controle de tração que evita o rolamento em falso das rodas por falta de tração em pisos molhados ou muito lisos, sistema anticapotagem, assistência de partida em rampa que trava os freios por cerca de dois segundos para facilitar a vida do motorista, assistente de frenagem de emergência que aplica força extra aos freios quando entende que o motorista precisa parar mas não pisou o suficiente no pedal, frenagem automática de emergência com a inclusão no sistema de radar ou câmera para detecção de obstáculos ou pedestres à frente do carro, que pode se transformar em controle autônomo de para-e-anda no trânsito, e até monitoramento indireto de pressão dos pneus por meio dos sensores de roda do ESC.

“Todas essas funções são extensões tecnológicas e integrações com outros sistemas dos carros, controladas pelos freios eletrônicos e seus sensores”, destaca Menezes, que já testa e demonstra a possíveis clientes no Brasil essas tecnologias no centro de P&D da Continental em Várzea Paulista. A área conta com um prédio novo inaugurado há cerca de dois anos dentro da área da fábrica, além de uma pequena pista de testes que funciona desde o fim de 2013 (leia aqui) com a expectativa de maior utilização desses sistemas no País.

Como cada módulo e suas funções precisam ser desenvolvidos para um carro específico, levando em conta parâmetros como peso, tamanho, potência e requisitos de cada fabricante, Menezes conta que o tempo médio de desenvolvimento chega a dois anos. “São muitas idas e vindas de um projeto, com milhares de especificações e mudanças no meio do caminho. Tudo isso toma tempo”, explica.

Um exemplo de integração de sistema de frenagem é o módulo MKC 1, que a Continental desenvolveu em sua sede na Alemanha e trouxe para testes e demonstrações no Brasil. Um único módulo instalado junto ao pedal de freio agrega o reservatório de fluído, cilindro-mestre, bomba de vácuo, servofreio e central eletrônica que pode integrar controle de estabilidade e tração, assistência de partida em rampa e frenagem automática de emergência, entre outras possíveis funções. Uma das vantagens é a redução de peso: o MKC 1 tem 6 kg, contra 9 a 10 kg de um sistema de freios com itens separados e suas tubulações. Outra função agregada é o controle de sensação do pedal, que pode ficar mais responsivo e esportivo ou mais suave e confortável, conforme o motorista quiser regular.

CONSCIENTIZAÇÃO POR MAIS SEGURANÇA ATIVA

“As pessoas ainda não compram segurança em veículos no Brasil, mesmo carros que vão mal em testes (de colisão feitos pelo Latin NCAP) continuam a ser vendidos sem problemas. Por isso a legislação é importante para a adoção dessas tecnologias aqui”, pondera Menezes. “Por isso, como desenvolvedor e fornecedor desses sistemas estamos participando das discussões em torno do Rota 2030, para que esses sistemas de segurança ativa possam ser adotados nos carros nacionais em um futuro próximo”, afirma o engenheiro, em alusão ao novo programa de desenvolvimento do setor automotivo nacional em gestão pelo governo e entidades representativas.

Menezes destaca que “é importante conscientizar o consumidor sobre a importância dessas tecnologias como aliadas para ajudar a baixar o elevado número de mortos e feridos no trânsito brasileiro”. Ele cita dados do DPVAT (o seguro obrigatório dos veículos no Brasil), que em 2014 contabilizou 55 mil mortos e 440 mil feridos com sequelas em acidentes de trânsito no País, com custo estimado em R$ 60 bilhões, ou 1,5% do PIB nacional.

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