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08/06/2017 | 18h06

Autopeças

Meritor eleva a produção e percebe sinais da retomada

Para a companhia, economia começa a se descolar do cenário político


GIOVANNA RIATO, AB

Depois das sucessivas baixas no setor de veículos pesados, a Meritor percebe que a curva de queda começa a se inverter. "Estamos no ponto de virada”, anuncia Adalberto Momi, que assumiu a diretoria geral da fabricante de eixos como sucessor de Silvio Barros (leia aqui). Prova desta mudança de ritmo, diz, é que a produção da fabricante de eixos cresceu 20% em maio na comparação com abril. “Foi o nosso melhor mês em dois anos. Agora precisamos correr atrás dos resultados do resto do ano”, aponta.

Luis Marques, diretor de marketing da companhia e responsável pelos negócios no aftermarket, defende que a projeção feita no meio do ano passado de que a produção cresceria 25% em 2017 não é assim tão descabida (leia aqui). “Muitos acontecimentos nos distanciaram deste resultado mas, naquele momento, este era o cenário. De qualquer forma, começamos agora a convergir para números mais positivos”, aponta.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2017, a produção da companhia avançou perto de 10% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Alguns dados positivos da economia puxaram o aumento, como o crescimento do PIB no primeiro trimestre e a safra recorde de grãos. Ainda assim, o que fez diferença mesmo foram as exportações, feitas de forma indireta, via montadoras, e a investida no aftermarket.

Uma das metas da companhia para os próximos três anos é dobrar a presença no mercado de reposição. “No ano passado o segmento contribuía com 12% do nosso faturamento. Este número já aumentou para 15% este ano. Queremos que seja cerca de 30%”, conta Marques. Segundo ele, com este movimento a região fica mais próxima do padrão global de empresa, que tradicionalmente gera 25% de seus negócios no aftermarket. O faturamento mundial da companhia chegou a US$ 3,2 bilhões em 2016, com entre 6% e 8% deste total gerado na operação da América do Sul, centralizada no Brasil: cerca de US$ 190 bilhões. A meta para este ano é chegar a US$ 3,5 bilhões.

ECONOMIA DESCOLADA DA POLÍTICA

Momi identifica outro fator que favoreceu o crescimento da produção até maio: “Sinto que, depois de tanto desgaste, a economia começa a se descolar da política. Os agentes econômicos estão tocando os negócios e avançando ainda que a situação do País não esteja resolvida”, descreve o executivo, que entende o movimento como positivo. “Tivemos que mostrar muita resiliência durante a crise e todo mundo está bastante desgastado. É importante sair deste ciclo”, avalia.

O diretor geral da Meritor entende que o caminho agora é de “recuperação lenta, mas sólida” dos negócios. Segundo ele, o agronegócio, com sucessivas safras recordes, tem sido o gerador de boas notícias para a economia brasileira neste período difícil. Agora, diz, chegou a hora de a indústria também se recuperar. “Temos trabalhado em um ou dois turnos de produção na fábrica de Osasco, dependendo da linha. Em períodos mais fracos, temos acordo com o sindicato para folgar às sextas-feiras. De qualquer forma, estamos com excedente de 10% na nossa mão de obra”, conta, apontando que a companhia emprega 840 pessoas entre a pranta paulista e a de Resende (RJ), instalada no consórcio modular da MAN.

A intenção passa longe de demissões ou do enxugamento do quadro. O excesso de trabalhadores é proposital, justamente para acompanhar uma aguardada retomada da demanda. “Hoje operamos com 60% de ociosidade da capacidade produtiva, mas é um número que já foi pior. Preferimos manter mais trabalhadores para garantir reação rápida quando for o momento.”

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