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Produtos novos favorecem exportação da FCA
Ketter ao lado do mais novo produto de exportação da FCA Brasil, o Fiat Argo

Indústria | 01/06/2017 | 20h00

Produtos novos favorecem exportação da FCA

Fábricas brasileiras do grupo aumentam as vendas externas

PEDRO KUTNEY, AB

Os novos produtos introduzidos nas fábricas brasileiras da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) nos últimos dois anos, com qualidade global, começam a render dividendos internacionais, com sensível aumento de exportações. Este ano 42 mil Jeep Renegade produzidos em Goiana (PE) devem seguir para o México. O Fiat Argo fabricado em Betim (MG) e lançado esta semana (leia aqui) também já tem agenda de comércio exterior: a estimativa é vender de 10 mil a 12 mil deles na Argentina, outros 8 mil/ano no México e mais 8 mil entre os principais mercados sul-americanos, como Colômbia, Peru, Chile, Paraguai e Uruguai.

“São oportunidades que se abrem quando fazemos produtos bem feitos, sem discussões quanto à qualidade ou segurança”, destaca Stefan Ketter, presidente da FCA América Latina e também chefe global de manufatura do grupo, que nos últimos dois anos inaugurou a fábrica de Goiana e modernizou Betim – que completou 40 anos em 2016. Ambas as unidades receberam investimentos bilionários que hoje as deixam em pé de igualdade com as melhores práticas mundiais, para fazer produtos com padrões globais de qualidade, que encontram demanda em mais mercados.

“As exportações (de veículos feitos no Brasil) cresceram 50% nos últimos dois anos, mas e daí? Quase tudo foi para Argentina. Exportar para um só mercado não é uma estratégia consistente. Temos de ter uma agenda intensiva para no mínimo dobrar as exportações com produtos competitivos”, avalia Ketter. Para ganhar novos mercados, o executivo enfatiza que e fundamental produzir aqui com qualidade igual ou superior de países desenvolvidos.

Com fábricas sofisticadas e produtos modernos, Ketter conta que a demanda externa pelos produtos feitos em Goiana (Fiat Toro e os Jeep Renegade e Compass) já é grande e deverá crescer em Betim também a partir de agora. Entre as novas oportunidades de exportação, o executivo cita a grande demanda global pelo Jeep Compass, além do Brasil fabricado no México, na China e a partir deste mês na Índia. “Como México e China não conseguem dar conta de toda a demanda, principalmente da Europa, o polo de Goiana poderá eventualmente suprir essa necessidade”, prevê Ketter. (A planta indiana, em princípio, irá exportar para mercados com mão direita de direção, como África do Sul e Reino Unido, entre outros, e assim não competiria com as outras unidades que já fazem o Compass).

ROTA 2030

Ketter avalia que o novo programa de política industrial em gestação no governo, conhecido como Rota 2030, deverá dar maio capacidade de competir globalmente à indústria automotiva no Brasil. “É um trabalho completo, um estudo muito bem feito sobre a realidade da indústria nacional, todos os pontos relevantes para fortalecer o setor estão lá. E não é uma parceria política. Todos os presidentes das montadoras (instaladas aqui) debateram tema a tema e encaminharam uma proposta de consenso”, disse.

O executivo cita como exemplo dos temas em discussão no Rota 2030 a globalização do uso do etanol, uma tecnologia já amplamente dominada no Brasil. “Já existe aqui uma matriz energética sustentável. Só isso já nos deixa melhores que muitos países, já atingimos níveis de emissões que alguns têm meta de chegar só em 2020. Os signatários da COP 21 também se comprometeram a usar biomassa e já temos isso aqui em larga escala. O País não deve jogar fora essa vantagem”, destaca.

Para Ketter, com o Rota 2030 o Brasil tem chance de criar uma agenda de integração com o resto do mundo e de liderar a América do Sul. “O País não deve ficar só ligado ao Mercosul, que é importante, mas é ‘uma laranja já espremida’, é preciso ir além”, diz.

PROGRAMA PARA AUTOPEÇAS

Sobre o setor de autopeças, que hoje têm dificuldades para suprir a indústria automotiva nacional com componentes para produzir veículos com padrão global, Ketter diz que o Rota 2030 trata dessa questão com a proposta de “enviar uma mensagem de escala” aos fornecedores, “para que sejam criados clusters de produção de certas peças com quantidade competitiva”. Segundo ele, até agora essa mensagem era isolada, fixada no pedido de uma montadora para seu fornecedor. A ideia é que mais fabricantes de veículos, juntos, passem as informações sobre o que e quanto vão precisar comprar ao longo de um período, para dar maior segurança de demanda às fábricas de autopeças.

“Existem bons fornecedores brasileiros, mas sabemos que muitos estão à beira do abismo. Para esses existe necessidade de se criar um Refis (refinanciamento de dívidas tributárias) e linhas de crédito, para que eles possam se recuperar e voltar a produzir de forma saudável”, sustenta Ketter.



Tags: FCA, Fiat Chrysler Automobiles, FCA Latam, exportação, indústria.

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