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Tecnologia | 01/06/2017 | 19h14

Montadora que não investe em Big Data tem 50% de chance de sumir

Frost & Sullivan aponta que empresas precisam estruturar estratégia digital para sobreviver
GIOVANNA RIATO, AB

No Brasil há quatro anos, o indiano Yeswant Abhimanyu percebe certa resistência das companhias automotivas para estruturar programas de inovação. Ele é gerente da área de mobilidade da Frost & Sullivan para a América Latina e avisa, no entanto, que a atualização é um caminho essencial. “Não dá para adiar ou não fazer. A cadeia produtiva do setor precisa se digitalizar se quiser sobreviver”, determina. Ele aponta que uma montadora que não tem estratégia consistente de Big Data tem 50% de chance de desaparecer nos próximos 15 anos.

“Com a crise nas vendas as empresas decidiram se concentrar na operação. Isso pode acontecer por um ano, mas depois elas vão precisar correr atrás da estratégia digital. Não existe a opção de passar mais tempo focados apenas na operação”, diz. Segundo a consultoria, a atualização deve passar por todos os pontos: a indústria, os carros oferecidos no mercado, a abordagem no varejo e o modelo de negócio, que sai de produto para a oferta de mobilidade como serviço (leia aqui). Segundo ele, o movimento precisa acontecer global e localmente.

Toda essa estrutura só vai parar de pé com uma boa estratégia de Big Data e Analytics, alerta. “Não estou falando da análise pontual de dados para atuar de forma reativa. É preciso integrar tudo e construir um fluxo de informações capaz de antecipar tendências.” Ele cita o exemplo dos aplicativos de mobilidade, como Uber e 99. “Estas empresas sabem com precisão o horário e o trajeto que o cliente faz para se deslocar. Ao agregar estas informações aos dados das montadoras, seria possível entender necessidades e antecipar soluções”, analisa.

Abhimanyu conta que, ao menos por enquanto, as companhias instaladas no Brasil se concentram apenas em ações isoladas, como o lançamento de um veículo conectado, por exemplo, no lugar de estruturar uma estratégia completa com executivos responsáveis por conduzir estas iniciativas internamente. Na visão dele, é a digitalização que vai levar valor ao cliente nos próximos anos e, consequentemente, garantir a saúde financeira do negócio.

Ele cita o exemplo da General Motors que se empenha para atualizar sua estrutura globalmente. A companhia criou a marca de carros compartilhados Maven e já começa testar o negócio no Brasil com funcionários (leia aqui). “Eles deixaram de se preocupar tanto com market share. Não querem mais ser os primeiros do mundo em volume, mas sim oferecer as soluções mais adequadas”, resume Abhimanyu. Ele lembra do fatídico erro estratégico da Kodak, que decidiu se apoiar nos louros de vitórias do passado, não via a evolução chegar e foi da liderança à falência.

Tags: estratégia, inovação, digitalização.

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