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12/05/2017 | 19h46

Negócios

Empresas enfrentam desafio de monetizar serviços de mobilidade

Montadoras e startups buscam fórmulas para rentabilizar novos negócios


GIOVANNA RIATO, AB

As empresas ligadas ao setor automotivo já de ajustam para, no futuro, entregar serviços de mobilidade, não simplesmente produtos. A mudança, no entanto, pode ser mais desafiadora do que parece. Esta foi uma das conclusões dos debates do Growth, Innovation and Leadership Summit, o GIL 2017, realizado em São Paulo, que reuniu representantes de montadoras, da prefeitura da cidade e de startups que oferecem serviços de transporte.

Mesmo com grande aceitação pelo mercado de suas soluções, as empresas ainda enfrentam dificuldade para monetizar o negócio. Este é o caso da 99, plataforma brasileira de transporte individual, da BlaBlaCar, sistema de caronas com mais de 40 milhões de usuários no mundo, e da Flapper, que oferecer viagens compartilhadas em jatos e helicópteros. Apesar de já terem público, estas startups ainda não alcançaram o ponto de equilíbrio com suas receitas e, por enquanto, sustentam suas operações com o capital de investidores.

“Estamos criando uma base robusta de usuários para então entender o melhor caminho para monetizar”, fala Frédéric Ollier, gerente de desenvolvimento de negócios da BlaBlaCar. O desafio de tornar rentável soluções de mobilidade compartilhada não é novo. Durante o debate, os participantes citaram o exemplo dos ônibus urbanos que precisam ser altamente subsidiados pelo poder público para seguir em funcionamento, já que a tarifa paga pelos passageiros não é o suficiente.

MONTADORAS TENTAM LUCRAR COM SERVIÇOS

Enquanto startups voltadas à mobilidade tentam entender suas possibilidades no mercado, as montadoras se movem para abocanhar este mesmo filão – ainda que ele não seja lucrativo por enquanto. “Desde 2011 nós não somos mais uma montadora, mas uma empresa de soluções de mobilidade”, enfatiza Henrique Miranda, gerente de conectividade e mobilidade da BMW no Brasil. As receitas, no entanto, seguem vindo do bom e velho negócio de vender carros.

Desde 2014 a companhia entrega o recurso ConnectedDrive em todos os veículos emplacados no Brasil. Na prática, um chip instalado no interior do veículo garante desde serviços como chamadas de emergência, até comodidades como concierge. Tudo para melhorar a experiência do consumidor no interior do veículo. O objetivo da BMW é gerar receitas a partir disso, mas por enquanto o recurso é oferecido gratuitamente. “Por enquanto estamos investindo, oferecendo todo o pacote ConnectedDrive gratuitamente por três anos”, conta.

Ele diz que agora, em 2017, vencem as primeiras assinaturas feitas em 2014. “Estamos estruturando uma loja on-line onde o cliente vai poder comprar os serviços”, conta, ainda incerto sobre o potencial de gerar receitas com a solução.

A Volkswagen é outra empresa que faz tentativas na área de serviços da mobilidade no Brasil. A empresa promoveu grande reestruturação no ano passado e criou a área digital e de novos modelos de negócio, comandada localmente por Fabio Rabelo. A missão dele é justamente identificar oportunidades e segmentos de atuação. O executivo evita detalhar o assunto, mas fala que uma opção interessante para as montadoras pode ser firmar parcerias com as startups de mobilidade e empresas de tecnologia.

“Nada disso é o nosso core business, mas precisamos cada vez mais destes recursos e eles também precisam dos nossos. Os motoristas parceiros da Uber, por exemplo, precisam de carros, que é o que fabricamos”, diz. Ele aponta que a indústria está se esforçando para entender estes novos caminhos. Aparentemente, até que eles estejam claros, as montadoras devem seguir usando o modelo de negócio antigo para financiar o novo.

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