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12/05/2017 | 16h15

Comerciais

Marcopolo renova fôlego em ônibus urbanos com Torino S

Encarroçadora prevê economia de 5% a 10% no custo total da operação


SUELI REIS, AB | De Xerém (RJ)

Torino S é a nova aposta da Marcopolo para crescer no mercado de ônibus urbanos (Foto: Julio Soares)
Como forma de recuperar sua participação no mercado de ônibus urbanos, a Marcopolo apresenta a nova versão Torino S, de Soluzione, em alusão às soluções voltadas ao baixo custo de manutenção e operação que o veículo pretende proporcionar ao cliente. Baseado no Torino G7, lançado em 2013, a nova versão S recebeu cerca de trinta modificações a fim de facilitar na rapidez da manutenção em benefício do bolso do frotista.

“O Torino S representa uma solução para que as empresas possam ser mais rentáveis”, afirma o diretor de operações comerciais e marketing, Paulo Corso, durante a apresentação do modelo na fábrica da Marcopolo Rio, antiga Ciferal, localizada em Xerém, na região de Duque de Caxias (RJ). “Analisamos os hábitos de compra dos principais clientes brasileiros e buscamos a padronização de componentes e opcionais, reduzindo o tempo para a entrega do produto. Este é, neste momento, um importante diferencial, pois faz com que o cliente coloque o novo veículo em operação mais cedo”, explica Corso. “São alterações que para nós não significam muito, mas para o operador faz toda a diferença. Embora ele não seja mais barato que o Torino normal, deve trazer uma economia entre 5% e 10% no custo total da operação.”

Serão 24 diferentes configurações para os cinco principais modelos de chassis urbanos vendidos no Brasil, de 11,2 m até 13,2 metros de comprimento e que são responsáveis por 80% da fatia do mercado de urbanos no País, sendo os Mercedes-Benz OF 1519, OF 1721 e OF 1721 L e os Volkswagen VW 15.190 OD e VW 17.230 OD. A meta da empresa é a venda de 1 mil unidades neste ano e que o produto represente de 60% a 70% das vendas para o segmento.

Para isso, a Marcopolo revisou toda a sua estrutura de produção, para torná-la mais eficiente e rápida a fim de entregar o novo produto na metade do tempo de um modelo tradicional. Além disso, a unidade Rio está dedicando uma linha exclusiva para a fabricação do Torino S. “Após a compra, há uma demora de uns 60 dias para o cliente receber o veículo pronto. Com a linha dedicada a esse produto na fábrica, uma vez entregue o chassi, com 30 dias o cliente estará com o seu ônibus.”

Segundo o diretor de operações industriais da Marcopolo Rio, Lusuir Grochot, houve pouco investimento para pequenas alterações em uma linha dedicada, que estava parada devido à ociosidade do setor, que gira em torno dos 70%. “Nesta linha, testamos e validamos todos os processos, baseado no sistema lean, e investimos no treinamento dos funcionários para que todos os 700 empregados hoje pela Marcopolo Rio tenham capacidade de fazer o Torino S quando sua demanda começar a subir.”

O balanceamento de produção está preparado para até 10 carrocerias por turno em uma única linha de montagem.

RESPIRO

O Torino S com uma linha dedicada de produção dentro da fábrica da Marcopolo Rio deve trazer um respiro para a operação local. Isso porque atualmente a unidade registra 40% de sua capacidade utilizada, que é de 30 veículos por dia. “Em tempos bons, o que não faz muito tempo, entre 2012 e 2013, chegamos a fazer 28 carros por dia. Hoje este número é de sete/dia”, conta Paulo Corso. “Quando lançamos o Torino G7 [em 2013], o mercado estava no auge e hoje lidamos com uma queda de 70%”, lembra.

Corso aponta que o segmento de ônibus, especialmente o urbano, vem sofrendo há pelo menos quatro anos com a queda brusca do mercado. Em 2016, a unidade Marcopolo Rio ficou seis meses parada, com funcionários em layoff e PPE, esperando por uma reação.

“Com a demanda de hoje, o setor de ônibus está com fábrica sobrando no Brasil. No início deste ano, projetamos um aumento de 5% das vendas totais do mercado no País; as montadoras [de chassis] foram mais otimistas, prevendo 10% a mais do que em 2016. Mas o primeiro trimestre com um mercado ainda 30% menor é difícil prever. O ano não está perdido.”

Alguns fatores, segundo o executivo, estão indicando o retorno gradual da economia, caso da inflação que pode beirar os 4% este ano e a indicação contínua da queda da taxa de juros. Por outro lado, Corso avalia que o Brasil está quebrado e por isso não haverá no curto prazo investimentos significativos em outros modais de transporte de passageiros, como metrôs e trens, o que dá mais oportunidade para o mercado de ônibus.

Sua aposta em voltar a crescer no urbano está fundamentada não só no lançamento do Torino S, focado em menor custo operacional, mas também em seu resultado do primeiro trimestre que ficou aquém de sua margem histórica.

“Ficamos dois dos três meses parados por conta de férias coletivas, um mês em Caxias, um mês no Rio, resultando em perda de fatia. O segundo trimestre não vai ser ruim, estamos retomando a produção e devemos recuperar market share no urbano com o Torino S. Além disso, no segundo e terceiro trimestres temos emtregas importantes para o segmento rodoviário.”

A baixa demanda do mercado ainda reflete nas operações: a Marcopolo opera atualmente com 40% de sua capacidade instalada no Brasil. A fábrica de Caxias do Sul (RS), onde fica sua sede, está produzindo 10 ônibus por dia – a unidade possui capacidade para 27 unidades diárias. No segmento rodoviário, cujos produtos são fabricados apenas na unidade gaúcha, a empresa monta 17/dia atualmente, volume que já foi de 33 unidades/dia.

Já a unidade de Planalto (RS) deve ser transferida para um galpão dentro da fábrica da Neobus em Caxias do Sul (agora controlada da Marcopolo), que foi construído na época em que a empresa havia firmado um acordo com a Navistar e que não foi adiante.

Ao ajustar sua operação, a Marcopolo sinaliza melhora dos negócios para este ano: Corso revela que trabalha com manutenção de 20% a 25% de participação no mercado de micro-ônibus. No rodoviário, a empresa é líder, com maioria esmagadora de mais de 60%. “Acredito que poderá crescer e fecharmos nos 65%”, afirma.

Nos urbanos, o histórico da empresa é de uma participação em torno dos 30%, mas no primeiro trimestre deste ano essa fatia não passou dos 18%. Segundo Corso, o tamanho deste mercado era entre 16 mil a 17 mil unidades por ano (mercado total brasileiro). “Acredito que não vamos voltar [a este nível]; devemos voltar – e quando voltar – em algo entre 12 mil e 15 mil, acho razoável, mas o mercado está produzindo 5,6 mil no ano. É de fato muito pouco e estamos mal posicionados; se não chegarmos no índice histórico de 30%, devemos fazer neste ano entre 20% e 25%”.

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