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05/05/2017 | 18h30

Indústria

Governo quer incentivo à eficiência e autopeças

Nova política industrial focará na competitividade, diz ministro


PEDRO KUTNEY, AB

O ministro Pereira em evento da Ford: reconhecimento aos avanços do Inovar-Auto
Entre diversos objetivos, a nova política industrial em desenvolvimento para o setor automotivo, prevista para vigorar a partir de janeiro de 2018 em substituição ao Inovar-Auto e já conhecida como Rota 2030, deverá focar principalmente no incentivo à recuperação da cadeia de autopeças e privilegiar o aumento da eficiência energética dos veículos, segundo Marcos Pereira, ministro da vez na pasta da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), que esteve presente em evento de apresentação do novo motor 1.5 3C da Ford na sexta-feira, 5 (leia aqui).

“Dentro das discussões da Rota 2030 criamos um grupo dedicado a criar propostas para a recuperação das autopeças, porque o Brasil se tornou pouco competitivo devido a regras pouco previsíveis nos últimos anos”, respondeu vagamente Pereira à indagação de como o novo programa poderia restaurar a capacidade nacional de produzir componentes para veículos modernos e mais eficientes, competitivos globalmente, como diz querer o governo nos discursos sobre o setor.

No mesmo dia, durante a divulgação mensal dos resultados da indústria, Antonio Megale, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos, disse acreditar que o auxílio ao setor nacional de autopeças deverá ser um dos pontos de mais rápida adoção da nova política industrial. Segundo Megale, uma das formas de ajudar na recuperação dos fornecedores de componentes seria o refinanciamento de suas dívidas. Outra, a garantia de pedidos maiores das montadoras. Contudo, fica no terreno das imprecisões saber como de fato fazer um setor industrial descapitalizado a investir na inovação e no desenvolvimento dos sistemas necessários para produzir carros no País que sejam competitivos globalmente.

Como já vem sendo dito desde o mês passado, quando foram apresentadas as primeiras ideias de propostas da Rota 2030, o atual chefe do MDIC confirmou que um dos pontos centrais do programa será a mudança de tributação sobre os veículos, para privilegiar o avanço eficiência energética e menor consumo de combustível – em substituição à tributação de IPI atual, que aumenta conforme cresce a capacidade volumétrica dos motores, com taxação menor para os 1.0. “A primeira ideia é essa”, definiu. Sem deixar claro qualquer proposta concreta, o ministro também disse que modelos híbridos e elétricos também podem ser contemplados com imposto menor.

INOVAR-AUTO X ROTA 2030

Durante o evento da Ford, Pereira reconheceu que as regras estabelecidas pelo governo anterior deposto trouxe avanços ao setor: “Este motor (1.5 3C) é resultado direto do Inovar-Auto, que estabeleceu metas de eficiência energética e para as quais a Ford se habilitou. Apesar das críticas e eventual condenação na OMC (Organização Mundial do Comércio), não podemos negar que o programa trouxe progressos que não teriam sido possíveis sem ele e deverão ser preservados pela nova política que será introduzida em janeiro de 2018”, confirmou.

Pereira disse que a ideia é aproveitar e prosseguir com o que funcionou no Inovar-Auto, como as metas de aumento de eficiência energética e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Sobre o que ficou de ruim do programa, o ministro reconhece que o Brasil deverá ser condenado na OMC pela sobretaxação aos veículos importados introduzida pelo Inovar-Auto desde 2012. “Existiram também alguns excessos de subsídios, mas não quero falar quais porque foram estabelecidos pela gestão anterior”, acrescentou.

O ministro confia que “a Rota 2030 deve trazer maior previsibilidade e incentivar a integração competitiva do Brasil com o mercado global, o que exige a continuação dos investimentos em tecnologia e segurança (veicular)”. Segundo Pereira, o programa irá estabelecer pelos próximos 15 anos três ciclos de desenvolvimento de cinco anos cada. “Começamos a elaboração no mês passado, com a criação de seis grupos de discussão, três para custos e três técnicos. Em seis meses o programa deve estar pronto”, disse.

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