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26/04/2017 | 22h37

Autopeças

Sabó aproveita bom momento das exportações

Com OEM nacional em baixa, mercados externos são 40% dos negócios


SUELI REIS, AB

Aos completar 75 anos, a Sabó comemora o bom momento das exportações: há dois anos, as vendas para os mercados externos passaram a responder por 40% do faturamento da empresa, mesmo índice de participação do aftermarket. As duas atividades ganharam mais importância do que o fornecimento para montadoras (OEM), que hoje representa 20% das vendas, reflexo da queda generalizada do mercado de veículos novos.

“O equilíbrio sempre foi 33% para cada uma das atividades, mas esse desequilíbrio, com a queda do mercado original, é bom para a alta das exportações com o dólar, neste patamar atual”, afirma o diretor geral da Sabó para as Américas, Lourenço Oricchio, que apresentou as novidades da empresa na Automec 2017, feira de autopeças que acontece até o dia 29, no pavilhão de exposições do São Paulo Expo.

Especializada em retentores, juntas e sistemas integrados de vedação, a Sabó, que possui uma fábrica em Mogi Mirim (SP) e uma na Argentina, hoje trabalha com 50% de ociosidade. A unidade brasileira é capaz de produzir 330 mil peças por dia e hoje opera com 180/dia em dois turnos. “No Brasil é difícil fazer gestão. O mercado mudou em 2013, quando foi de 3,8 milhões [vendas de veículos] para 2 milhões e até 2020 não vamos recuperar este volume. Neste caso, o que salva o Brasil são as exportações”, declara.

Segundo o executivo, no ano passado o faturamento fechou em algo em torno de R$ 400 milhões no Brasil, cifra que sobe para R$ 500 milhões considerando as exportações e os negócios fora do País. Para este ano, Oricchio aposta em leve crescimento: “Com a China duplicando os pedidos, devemos alcançar os R$ 550 milhões, sendo R$ 430 milhões faturados no Brasil”, projeta.

O mercado chinês e o norte-americano são responsáveis por 95% das vendas externas da empresa, cujo negócio de OEM tem o maior peso. Para o aftermarket, a empresa aposta e crescimento de 5%, mas ainda com os mesmos 40% de participação da receita. A expertise em alguns produtos faz da Sabó fornecedora exclusiva de algumas montadoras, caso das juntas para transmissão de seis velocidades da GM, que compra da Sabó nos Estados Unidos, Canadá, México, Coréia do Sul e China.

Para sustentar seu fôlego, a empresa pretende investir R$ 20 milhões nos próximos três anos no Brasil, principalmente em tecnologia de processo produtivo e em produtos. Entre as inovações, está desenvolvendo uma placa para células de combustível, mas por enquanto, para motores estacionários. “Em 2030, o mundo terá 20% de veículos elétricos e que já são uma realidade hoje”, lembra.

No caso de processos, em 2016 a Sabó renovou uma parte da linha de produção em Mogi Mirim, agora totalmente automatizada, com elevado grau de conectividade, seguindo a tendência da Indústria 4.0 ou Manufatura 4.0, o que inclui processamento de dados em tempo real e interação máquina-máquina.

“Em um dos processos, haviam nove funcionários e hoje há apenas um, que monitora os robôs, que carregam e descarregam a linha com precisão e tempo estipulado. Com o monitoramento via computador, consigo saber o quanto está sendo produzido em tempo real e o quanto vai ser produzido no dia de hoje.”

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