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19/04/2017 | 19h28

Indústria

FCA puxa para baixo a ocupação das fábricas de carros

IHS Markit aponta que ociosidade seguirá acima de 40% em 2017


GIOVANNA RIATO, AB

Não será em 2017 que as fábricas de carros instaladas no Brasil voltarão a um patamar saudável de ocupação. A expectativa é de que a ociosidade siga elevada no segmento de veículos leves. Projeção da IHS Markit aponta que a utilização média será de 58,5% até o fim do ano. A consultoria apresentou o número no VIII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 17, em São Paulo.

De acordo com o levantamento, a FCA é a principal responsável por puxar este número para baixo. Enquanto acelera a produção no moderno Polo Automotivo Jeep em Goiana (PE), a fábrica da Fiat em Betim (MG), segue com volumes baixos que refletem o menor interesse do consumidor brasileiro pelos carros que compõe atualmente a gama da marca. A planta é a maior fábrica de veículos sob o mesmo teto do mundo, com potencial para fazer 900 mil unidades por ano. “Hoje a FCA só usa 34% da capacidade instalada no Brasil”, observa Guido Vildozo, consultor da IHS Markit.

Outra marca que segue com ociosidade elevada é a Mitsubishi, com apenas 39,1% de uso da planta de Catalão (GO). Volkswagen e General Motors têm índices um pouco melhores, mas ainda baixos, com aproveitamento de cerca de 50% do potencial produtivo. Além do efeito da crise, na montadora alemã a baixa reflete a redução da presença de mercado da companhia. Já a General Motors segue com 56,7% de utilização da capacidade instalada apesar de ser líder de vendas com o Chevrolet Onix.

Em patamar saudável - o ponto de equilíbrio da indústria está em ocupação superior a 65% - aparecem Ford, a Aliança Renault-Nissan e a Hyundai. Estas companhias aproveitam mais de 70% do potencial produtivo que têm instalado no Brasil. No levantamento da IHS três empresas se destacam ainda com utilização superior a 80%: Honda, Grupo PSA e a Toyota, que é a montadora que faz uso mais pleno de sua estrutura nacional com 85,1% de ocupação.

PRODUÇÃO SÓ CHEGA A 3 MILHÕES EM 2023

Pela estimativa da IHS Markit, as montadoras enfrentarão ainda longo período de ociosidade no Brasil. A capacidade de produção de veículos projetada do País é de cerca de 4,5 milhões de unidades anuais, mas só em 2023 o ritmo das plantas locais deve superar a marca de 3 milhões de veículos, com nível de atividade superior a 70%. Na análise da consultoria, o mercado interno deve acompanhar de perto a evolução da produção com 2,71 milhões de unidades em 2023 para, enfim, chegar a 3,1 milhões de veículos em 2024. Dessa forma, o horizonte da IHS não prevê que o País volte tão cedo aos patamares recorde de 3,6 milhões de veículos vendidos e 3,46 milhões de unidades produzidas alcançados em 2012 e 2013, respectivamente.

OCUPAÇÃO DA CAPACIDADE PRODUTIVA NO BRASIL


Comentários: 2
 

Alexander
20/04/2017 | 18h12
Prezadas(os), Pesquisa bastante interessante e conclusiva. => Peço para confirmar se a média de mercado informada é aritmética das ocupações ou ponderada. Preocupação: o volume de produção da FCA é muito superior a da Hyundai ou da Renault Nissan. Grato, Cordialmente Alexander

Bruno
01/05/2017 | 00h36
Como consequência natural/paralela desta baixíssima ocupação da capacidade produtiva da fábrica de Betim, ocorreram demissões em massa na fábrica que estranhamente não foram publicadas na imprensa (este site foi uma exceção!). A equação é simples, a empresa parou no tempo, se acomodou no sucesso, não investiu para atualizar/modernizar sua linha e o mercado e a concorrência são cruéis. Some-se a isto a crise econômica e o resultado é: Queda brusca nas vendas... A empresa parece estar cometendo um suicídio. Retira de uma só vez vários veículos (Linea, Idea, Bravo, Siena, Palio Fire), abandonando com isso vários segmentos sem colocar nada no lugar. Agora deverá sair o "Novo" Palio e Grand Siena para entrar o Argo 2v e 3v. A concorrência agradece!

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