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19/04/2017 | 19h13

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Indústria tem chances e oportunidades à vista

Letícia Costa defende mudanças de visão no curto, médio e longo prazo


SUELI REIS, AB

Letícia Costa discursa sobre os possíveis caminhos da recuperação da indústria
Apesar das dificuldades atuais enfrentadas pela indústria automotiva acumuladas dos últimos três anos com a baixa dos negócios, o setor poderá contar com diferentes oportunidades e em diferentes tempos, tano no curto, médio e longo prazos, apontou Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria, durante o VIII Fórum da Indústria Automobilística realizado na segunda-feira, 17, por Automotive Business em São Paulo.

Contudo, a consultora defende que o setor necessita mudar sua visão e mentalidade ao enfrentar as questões relacionadas com a recuperação do mercado (curto prazo), com a evolução da política industrial (médio prazo) e com a reestruturação da indústria (longo prazo).

“O que temos disponível hoje – e que o Brasil tanto necessita – são mecanismos de sobrevivência, como as exportações, mas são diferentes de oportunidades”, alerta Letícia.

A começar pelas mudanças profundas que a reestruturação da indústria poderá trazer no longo prazo, pensado para algo entre 2030/2040, mas que já fazem parte de algumas discussões feitas atualmente. Para Letícia, haverá uma ruptura importante nos modelos de negócio ao considerar a entrada massiva de elementos como as novas opções de propulsão (elétrica ou células de combustível) que devem se tornar cada vez mais volumosas, o aumento da conectividade entre os veículos e as cidades, o conceito de mobilidade e compartilhamento e ainda a consolidação da indústria 4.0. Para a consultora, isto mudará os nomes de players do mercado e inclusive as fontes e composições de suas receitas.

“Vou sair de vender o carro para vender o uso do carro. Sabemos para onde a indústria está indo, mas ainda há dúvida quanto ao timing”, comenta.

Este momento de disrupção, segundo Letícia, deve afetar a cadeia como um todo, não só as montadoras e o que está por trás delas, mas quem está à sua frente, como a rede de distribuição e concessionárias.

“A disrupção vai muito além da indústria e aqui começam a emergir algumas oportunidades, mas de nada adianta ter toda a tecnologia se não houver uma discussão com os governos em todos os níveis, o que requer sim uma visão além da própria indústria e pensar de forma conjunta.”

OLHAR PARA O FUTURO E PARA FORA

Entre as implicações, a principal delas é se perguntar qual o papel da indústria que está instalada hoje no Brasil para o futuro. “Todos os momentos de ruptura trazem captação de oportunidades e agregação de valor. Provavelmente por aqui o autônomo vai entrar pelo veículo comercial e talvez o Brasil pode ser importante em soluções de mobilidade para emergentes”, destaca.

Antes disso, porém, o setor nacional deve olhar com cuidado para essa importante fonte que são as exportações, alerta Letícia: “A métrica do Mercosul deveria ser para outros países e blocos e hoje ainda está na dualidade Brasil e Argentina.” Para ela, o acordo de livre comércio com a União Europeia não deve acontecer logo, mas é um ponto crucial que não se pode perder. Ela cita uma pesquisa da FGV que aponta que um possível livre comércio com a UE pode trazer impacto negativo para a indústria automotiva em 2030 com o aumento das importações. “Acordos comerciais devem ser necessários e não com grande impacto tendo a competitividade como lema central.”

Por outro lado, a nova política industrial que substituirá o Inovar-Auto deverá ser, segundo Letícia, algo que deve evitar o mesmo erro de protecionismo. “Deve-se olhar a cadeia como um todo e não só o que vai acontecer com as montadoras: pode criar grandes oportunidades ou ser pouco mais do mesmo”, avalia. A nova política está sendo desenhada pelo setor com o governo, denominada como Rota 2030 (leia aqui).

Por ora, o que se espera no curto prazo deve considerar itens pontuais como exportações, aftermarket como alavanca importante, ajustes e reestruturações ainda em curso, uma vez que a recuperação do mercado será lenta e gradual, ainda afetada pelo desemprego e dificuldade de obtenção de crédito.

“O pior aparentemente já passou. O segmento de veículos leves ainda deverá continuar no modo sobrevivência, mas parou de cair, embora os comerciais demoram um pouco mais para recuperar, porque ainda têm dificuldades. Em suma, o Brasil é grande, mas se fechar para ganhar dinheiro só aqui é cada vez menos sustentável”, conclui.

Assista entrevista exclusiva de Letícia Costa à ABTV:


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