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03/04/2017 | 19h37

Carreira

Mulheres ainda têm espaço reduzido em empresas automotivas

Pesquisa indica que falta igualdade entre os gêneros na indústria


GIOVANNA RIATO, AB

O alto número de homens presentes em qualquer evento relacionado ao setor automotivo não é apenas eventualidade. As mulheres têm baixa participação nas posições de liderança da indústria e enfrentam ainda mais obstáculos para crescer na carreira em companhias do segmento. Estas são algumas das conclusões de pesquisa realizada em março com leitoras e leitores do portal Automotive Business e respondida por 220 profissionais do segmento, sendo metade do sexo feminino.

-Veja aqui os resultados completos da pesquisa

Dos respondentes, 45% trabalham em empresas de autopeças e 30,9% em montadoras de veículos. Há ainda funcionários de outros elos da cadeia produtiva, como serviços de engenharia e de logística, fabricantes de insumos e companhias do setor da distribuição. A maior parte dos participantes, 29,8%, são de nível gerencial, mas foram ouvidas também pessoas de diretoria, vice-presidência e presidência, além de coordenadores, técnicos e estagiários.

FALTAM MULHERES NA LIDERANÇA

Dos entrevistados, 60% declararam que a presença feminina é grande no quadro de funcionários da companhia em que trabalham, mas ainda assim é inferior ao número de homens empregados na mesma companhia. Para 20,2% dos respondentes a situação é mais desigual ainda, com presença nula ou pouco expressiva de mulheres no quadro de funcionários da empresa.

Algo bastante evidenciado pelos entrevistados é a ausência feminina na liderança das organizações. Entre os participantes, 35,3% disseram que não há sequer uma mulher em cargos de diretoria, vice-presidência e presidência na companhia em que trabalham. Já 57,3% apontaram que há alguma presença feminina nestas posições nas companhias em que trabalham, mas ela ainda é pequena. O debate acerca da menor participação das mulheres na liderança das empresas é bastante atual. Diversos países, como a Alemanha, debatem ou já adotaram cotas que tornam compulsória a presença de mulheres no conselho de administração de todas as empresas.

Especialistas indicam que, com o comando dominado por homens, as organizações perdem pluralidade e, até mesmo, capacidade de atender melhor e mais plenamente à demanda feminina por produtos no mercado. Dessa forma, a falta de mulheres na parte mais estratégica da organização poderia indicar não apenas que estas profissionais têm mais dificuldade para evoluir na carreira, mas também que grande parte das companhias não prioriza o atendimento do público feminino.

Das pessoas entrevistadas no levantamento, 56,6% afirmaram que as mulheres enfrentam mais obstáculos para conquistar espaço no setor automotivo. Fatia de 27% declarou ainda que faltam oportunidades no mundo dos negócios em geral, não apenas nesta indústria. “As mulheres empregam muito mais energia e disposição do que os homens e mesmo assim não têm seus esforços reconhecidos no mesmo patamar”, observou uma das participantes da pesquisa.

“Ainda existe muito preconceito acerca da presença e da competência da mulher no setor automotivo. As empresas têm tradição de manter apenas homens na gestão, principalmente na diretoria. É preciso mudar muitos hábitos para tornar a indústria justa e equilibrada”, observou outra entrevistada. Por outro lado, 35% dos respondentes disseram que as mulheres e os homens têm as mesmas oportunidades dentro das empresas do setor automotivo.

PRECONCEITO E DIFERENÇA SALARIAL

O dado mais inquietante da pesquisa, no entanto, é que 35,4% dos participantes declararam que já notaram tratamento inferior ou preconceituoso para mulheres que trabalham na indústria automotiva. Outros 35% declararam que nunca presenciaram uma cena do gênero, mas que já ouviram falar de pessoas que enfrentaram esse tipo de problema.

A diferença entre os salários oferecidos para homens e para mulheres em diversas áreas da economia já é conhecida. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), profissionais do sexo feminino costumam ter remuneração cerca de 30% inferior à de homens que ocupam cargos equivalentes. O resultado da pesquisa aponta que esta diferença pode não ser tão clara no setor automotivo. Para a maioria, 47%, a remuneração é equilibrada independentemente do gênero. Já 31% declararam ter convicção ou apenas a impressão de que as mulheres ganham menos.

Comentários: 3
 

Gilmar
04/04/2017 | 10h53
Acredito que para ter mais mulheres na indústria automobilística, é necessário também, ter mais mulheres nas escolas de engenharia. Precisa primeiro haver o interesse, ou seja, a proporcionalidade tem de começar aí!!

Livia
04/04/2017 | 16h57
Não é só falta de interesse, mesmo na faculdade de engenharia isso vem diminuindo mas ainda há preconceito inclusive dos professores. Na montagem de qualquer projeto deixam relatório para menina fazer e o resto para os homens.. não é fácil ser mulher neste ramo. E nas empresas de autopeças/montadoras de origem asiática encontramos mais dificuldade ainda devido a cultura dos dirigentes.

Adriana Souza
05/04/2017 | 16h41
Sou formada em engenharia mecânica e acho que não existe preconceito contra as mulheres na minha área. O nosso povo tem a mentalidade mais aberta.

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